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    Meio ambiente


    Estação de esgoto próxima a casas é alvo de denúncia no Educandos

    Estação de Tratamento de Esgoto está sendo ampliada próximo à casas e virou alvo de denúncia da comunidade

    A obra divide muro com residência
    A obra divide muro com residência | Foto: Joandres Xavier

    Manaus - Os moradores do bairro Educandos, na Zona Sul de Manaus, denunciaram nesta quarta-feira (9) ao EM TEMPO, a construção de 30 tanques da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), na rua Boulevard Sá Peixoto, às margens do Rio Negro, no mesmo bairro. Representantes da comunidade alegam que a construção causará problemas de saúde na população que mora ao redor, e apontam supostas irregularidades, como por exemplo, desrespeito a distância mínima de 500 metros das residências.   

    O ex-deputado Erasmo Amazonas, que mora ao lado da canteiro de obras, disse que toda comunidade é contra a obra naquele local. “Esses tanques vão receber dejetos de 200 mil pessoas. O professor Reinaldo Dias da Universidade Mackenzie, nos traz um dado em que afirma que em nenhum estado brasileiro, existe uma estação tão grande em um local como esse”, disse. 

    A ETE Educandos já existe há algumas décadas e será ampliada, mas a comunidade está se mobilizando para embargar a obra por meio de denúncias ao Ministério Público. De 12 mil assinaturas necessárias, já conseguiram a metade, ou seja 6 mil. A estimativa é que dentro de 15 dias, a denúncia seja concluída, com toda documentação necessária. 

    “Manaus precisa de saneamento, mas não pode cobrir um santo e descobrir outro. Existe lei federal proibindo construção de empreendimento que possa causar dano ambiental, principalmente estação elevatória de esgoto, a uma distância mínima de 30 metros de um manancial, (levando em conta a maior enchente) e mínima de 500 metros de uma residência, totalmente o contrário do que está sendo feito aqui”, comentou Erasmo Amazonas. 

    Problemas à saúde

    A estação existe desde a década de 70 e será ampliada
    A estação existe desde a década de 70 e será ampliada | Foto: Joandres Xavier

    Ainda segundo Erasmo, o estudo de Reinaldo Dias, que está à disposição dos moradores, aponta ainda que a ETE Educandos vai levar severos problemas à saúde de quem mora próximo de onde o complexo vai operar. 

    “Não queremos esse empreendimento aqui, ele vai envenenar os moradores com a poluição atmosférica. Um dos agentes nocivos é o gás sulfídrico, que fura até metal e concreto. Além da amônia que é terrivelmente venenosa. E o pior de todos é o gás amina usado para amenizar o fedor, o mais venenoso de todos. Idosos terão a vida encurtada, e também casos de depressão, como já aconteceu, na instalação da primeira; crianças de cinco anos correrão riscos de contrair doenças, como arritmia cardíaca", alerta o ex-deputado.  

    O comunitário, empresário Guide Borgonha, que mora nas proximidades da obra, reclamou que além dos riscos à saúde e meio ambiente, já esta sofrendo prejuízos no seu imóvel. “Estou tendo problemas na estrutura da minha residência, estão aparecendo várias rachaduras. Quero ver como vão reparar esse prejuízo. Não tem cabimento fazer uma estação dessa em um ambiente residencial. Que procurassem  outro lugar que não afetasse a população”, alertou.   

    Alguns moradores, como Hamilton Leão, que é presidente do Instituto Amazônico de Cidadania (IACi), acredita que as concessionárias acabam causando mais impactos ambientais do que propriamente soluções. "Quando você fala em sanear e trazer os afluentes, prejudicado é a circunvizinhança. A concessionária não observa, esse ponto de tratamento ambiental, da relação social com a comunidade e começa a implantar projetos que no fim vai prejudicar é a comunidade”, reclamou.  

    Alternativa

    Erasmo mostra projeto alternativo para a ETE Educandos
    Erasmo mostra projeto alternativo para a ETE Educandos | Foto: Joandres Xavier

    Moradores do bairro não querem a construção, e já viabilizaram um projeto para haver uma transferência para a Manaus Moderna, que, segundo os comunitários, seria viável do ponto de vista ambiental e econômico. A área sugerida está sendo o usada como deposito de caminhões, nas proximidades da Feira da Banana.

    "Segundo o projeto, a área é estaqueada com terreno solido, terá um custo menor do que os mais de R$ 30 milhões da obra atual, mas é preciso atravessar a tubulação pelo Rio Negro, e utilizar a ETE Educandos como passagem. Vai poluir, mas em escala bem menor do que no Educandos, e lá não existem tantas casas”, finalizou Erasmo Amazonas. 

    Esclarecimentos

    A Águas de Manaus diz que a referida obra de construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), no bairro Educandos, faz parte do Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim), de responsabilidade da Secretaria de Estado de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Manaus (SRMM) e Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE). 

    “Por não ser uma obra de responsabilidade da concessionária, a empresa não possui detalhes sobre a intervenção”, informa a concessionária.  

    Em caso de ocorrências, que necessitem atuação da empresa, a população pode usar os canais oficiais de relacionamento com o cliente, nos pontos físicos dos PAC´s e loja da rua Leonardo Malcher, 1237, Centro (de segunda a sexta, das 7h às 17h) ou nos canais disponíveis 24h por dia: SAC 0800 092 0195 e site www.aguasdemanaus.com.br. 

    UGPE

    Já a Secretaria da Região Metropolitana (SRMM) e a Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE) informou que a Estação de Tratamento do Educandos (ETE) obedece toda legislação ambiental vigente.  

    Segundo a nota, a ETE Educandos não realiza o tratamento por meio de processos químicos, mas sim por uma série de processos biológicos eficazes e que não causam dano ao meio ambiente.

    a UGPE informou ainda que "O tratamento dos efluentes da ETE irá passar por um gradeamento que irá separar os resíduos sólidos. Esses resíduos sólidos vão seguir por um pré-tratamento, seguindo aos reatores biológicos, onde posteriormente serão enviados a um decantador secundário lamelar e desaguamento de lodos por meio de adensador mecânico e centrifugas (tipo decanter)".

    "A Construção da ETE é baseada em um Plano de Controle Ambiental, que é um instrumento gerencial de monitoramento das atividades que ali serão executadas. A obra contém todas as diretrizes ambientais básicas a serem empregadas durante a implantação do empreendimento desde a mobilização até sua conclusão, visando prevenir e minimizar quaisquer impactos ambientais.

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