Fonte: OpenWeather

    Chacina em presídios


    'Não houve refém ou exigências. Foi desavença interna', afirma Wilson

    Governador afirmou que a rápida ação do Grupo de Intervenção Penitenciária evitou novas mortes, e afirmou que não houve entrada de armas de fogo nas unidades prisionais

    Complexo prisional da BR-174 foi palco de mais um massacre no domingo e na segunda-feira | Foto: Marcely Gomes/EM TEMPO

    Manaus - Em entrevista coletiva na tarde desta terça-feira (28), o governador Wilson Lima afirmou que a matança nas unidades prisionais ocorridas no domingo (26) e na segunda-feira (27) foram causadas por desavença interna entre membros de uma mesma facção criminosa. A afirmação foi feita durante entrevista coletiva no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.

    O governador afirmou que, até esta terça-feira, não se sabia quem eram os autores, uma vez que os crimes aconteceram nas próprias celas. Segundo ele, a situação foi atípica, diferente do que já havia sido visto anteriormente em outros massacres. "Não tivemos reféns ou qualquer exigência de melhorias nas unidades. O que percebemos é que os mortos eram companheiros e comparsas de crime, e por isso ficou ainda mais difícil saber quem eram os autores".

    Wilson Lima ainda completou dizendo que, mesmo com a alta quantidade de mortos nas quatro unidades prisionais, o sistema teve resposta imediata do Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP), criado em janeiro deste ano. "Em três minutos, o GIP estava dando a resposta, e em 45 minutos a situação já estava controlada. Foi muito rápido, se comparado ao trabalho do Batalhão de Choque, que levava entre uma e duas horas para dar uma resposta à ação criminosa".

    Fiscalização

    De acordo com o governador, todas as mortes foram executadas com lençóis ou com estoques feitos de escovas de dentes. Não houve entrada de arma de fogo ou arma branca, ou mortes por arma de fogo. "Isso mostra que o nosso sistema está evoluindo, porque a fiscalização aumentou. Desde janeiro, o Comitê de Intervenção Penitenciária da Seap [Secretaria de Estado de Administração Penitenciária] está trabalhando com rigor para aumentar a fiscalização e a entrada de armas nas unidades prisionais", afirmou.

    Governador deu entrevista coletiva na tarde desta terça-feira, no CICC
    Governador deu entrevista coletiva na tarde desta terça-feira, no CICC | Foto: Lucas Vítor Sena/EM TEMPO

    Lima, no entanto, disse que o Estado não pode impedir mortes com quaisquer instrumentos que sejam. "Tudo pode virar uma arma na prisão. Tudo. Uma colher pode virar uma arma, um lençol pode virar uma arma, uma escova pode virar uma arma. O que podemos dizer é que estamos preparados para novas situações assim", argumentou.

    Toque de recolher

    Wilson Lima disse não haver toques de recolher em nenhuma área ou bairro da cidade de Manaus. A afirmação foi feita em resposta a mensagens que circularam em aplicativos de mensagens e redes sociais, dando conta de que um toque de recolher teria sido proclamado por traficantes em diversos pontos da capital, como o conjunto habitacional Viver Melhor, na Zona Norte de Manaus, e o bairro Mauazinho, na Zona Leste.

    "Não está acontecendo toque de recolher em nenhuma área ou bairro de Manaus. O que houve foi a distribuição de mensagens falsas que causam terror e pânico. Peço à população que tenha cuidado na hora de repassar essas mensagens, vendo a procedência de fato. Mas podemos garantir que não há toque de recolher, e essas mensagens espalhadas são fake news".

    Transferência de presos

    Ao todo, nove detentos apontados como os líderes do massacre de domingo e segunda-feira nas unidades prisionais já foram transferidos para penitenciárias federais de segurança máxima nesta terça-feira. Outros 20 detentos devem ser transferidos já nesta quarta-feira (29), e na lista, figuram nomes como Jane Silva dos Santos, conhecido como "Caneco", condenado pela tentativa de homicídio do ministro Mauro Campbell, do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

    Wilson Lima ressaltou que a transferência dos 29 detentos faz parte do processo de desmantelamento de facções criminosas por parte do Estado, e que elas são monitoradas pela Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (Seai). "Todos os dias temos movimentações de facções que se juntam e que se desfazem, e quando algum núcleo sobrevive, o governo desmonta. Esses 29 detentos entram justamente essa estatística. A partir de agora, eles vão para o sistema de segurança máxima", completou.

    Leia mais

    Receba as principais notícias do Portal Em Tempo direto no Whatsapp. Clique aqui!

    Após chacina, Governo não abrirá concurso para agente penitenciário

    ‘Não há como indenizar as famílias de presos mortos’, diz Wilson Lima

    Comentários