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    DECLARAÇÃO


    'O Estado não reconhece facções criminosas', diz secretário da Seap

    Segundo o titular da pasta, o Estado usa determinados métodos para separar os presos nas celas 'para que eles não se matem'

    Mesmo com a morte de 55 detentos, o GIP agiu com eficiência para evitar mais mortes, segundo o titular da Seap | Foto: Divulgação

    Manaus - Na tarde desta quarta-feira (29), o secretário estadual de Administração Penitenciária, tenente-coronel Marcus Vinícius Almeida, voltou a dizer que o Estado não reconhece facções criminosas. A afirmativa foi feita durante uma coletiva de imprensa na sede do Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), no Aleixo, Zona Centro-Sul de Manaus.

    Na entrevista, Marcus Vinícius voltou a dizer que a existência de facções criminosas não é reconhecida pelo Estado, mesmo após o Ministério Público do Amazonas (MP-AM) contestar essa afirmação na segunda-feira. Almeida, entretanto, afirmou que o Estado usa determinados métodos de separação dos detentos.

    "O Governo não reconhece facção, mas somos responsáveis por vidas. Então usamos determinados métodos, que eu não posso revelar quais são, por motivos de segurança, para que esses presos não se matem lá dentro, ou que pelo menos não busquem isso", disse.

    Almeida afirmou que, mesmo com a morte de 55 presos, o Grupo de Intervenção Penitenciária (GIP) agiu com eficiência, e disse que ele próprio participou da intervenção no complexo prisional do quilômetro 8 da BR-174. Ele voltou a destacar que o que aconteceu foi uma briga entre detentos, e que ação do GIP e da Seap foi mais de resgate dos detentos

    "Eu mesmo participei diretamente da ação de intervenção, e tive que tirar preso do braço do outro, porque mesmo sob um fuzil, eles não paravam. Não havia arma de fogo, estoques de escovas de dentes. Matou-se no braço. O que eu posso dizer foi que se evitaram 225 mortes, e isso se desencadeou em quatro unidades prisionais diferentes", salientou.

    Secretário disse muito mais mortes foram evitadas, mas que não havia como evitar tudo o que aconteceu
    Secretário disse muito mais mortes foram evitadas, mas que não havia como evitar tudo o que aconteceu | Foto: Marcely Gomes/EM TEMPO

    Ainda segundo o secretário, para que o Estado pudesse evitar as mortes dos detentos, era preciso ter, pelo menos, dois ou três agentes em cada cela. "Eu teria que ter o exato momento em que isso iria iniciar. Quando se aplica um mata-leão, em no máximo quatro minutos o seu oponente está morto. Qual teria que ser o tempo de resposta do Estado ali? Nós precisamos ser realistas. Não dá pra colocar três ou quatro servidores dentro de uma cela".

    Transferências de detentos

    Marcus Vinícius Almeida salientou que, até quinta-feira (30), mais 17 detentos devem ser transferidos para presídios federais de segurança máxima. O secretário disse não saber para quais presídios os detentos estão sendo transferidos, e que isso fica a cargo exclusivamente do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). Almeida também não confirmou se o critério de transferência dos detentos é o fato de eles serem os líderes do massacre.

    "Todos os detentos que estão sendo transferidos atendem a requisitos técnicos do Depen que, somados aos relatórios obtidos pelas suas condutas, atendem aos requisitos necessários para a transferência", salientou. 

    Entre os detentos que já foram transferidos, estão nomes conhecidos de facções criminosas, como Bruno Souza Carvalho, o "Bruno Fiel", conhecido por ser pistoleiro da facção criminosa Comando Vermelho (CV), e Janes do Nascimento Cruz, o "Caroço", que participou da chacina do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj) em 2017.

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