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    ENCHENTE


    Moradores enfrentam dificuldades de saneamento em período de cheia

    O rio Negro chegou a 29,07 conforme dados do porto de Manaus, o que atinge muitas famílias que vivem nas proximidades dos rios na capital

    Ela acrescentou ainda que uma das sobrinhas dela, de apenas 1 ano, contraiu uma doença em que surgiram bolhas avermelhadas na pele dela
    Ela acrescentou ainda que uma das sobrinhas dela, de apenas 1 ano, contraiu uma doença em que surgiram bolhas avermelhadas na pele dela | Foto: Marcely Gomes

    Manaus - “A gente cansou de esperar a ajuda dos homens. Contamos apenas com a provisão de Deus”, afirmou uma moradora do bairro Educandos, Zona Sul de Manaus que, por conta do período de cheia nos rios do Amazonas enfrenta as dificuldades da falta de infraestrutura e saneamento básico dentro da própria casa. A enchente dos rios atinge também muitas famílias que residem no local.

    Na residência, feita de madeira, a dona de casa Meire Santana, de 37 anos, e o esposo dela vivem com os 10 filhos no andar de cima.  Já os pais de Meire, irmãos e sobrinhos moram no segundo andar. Ao todo, 15 pessoas residem no local e, por esta razão, os problemas têm se agravado, porque o primeiro andar da casa está completamente inundado.

    Ao ser questionada sobre a grande quantidade de lixos ao redor da área, a dona de casa disse que os coletores de lixo não se deslocam até a comunidade
    Ao ser questionada sobre a grande quantidade de lixos ao redor da área, a dona de casa disse que os coletores de lixo não se deslocam até a comunidade | Foto: Marcely Gomes

    “Estamos improvisando a construção de pontes aqui em casa, para acessar os quartos e a cozinha. Vivemos esta situação todos os anos”, disse a moradora ao Portal Em Tempo. Ela acrescentou ainda que uma das sobrinhas dela, de apenas 1 ano, contraiu uma doença em que surgiram bolhas avermelhadas na pele dela. Meire afirmou que essas doenças são recorrentes devido à falta de tratamento na água que os moradores utilizam para o consumo. “Bebemos água da torneira. Os meus filhos, de vez em quando, ficam adoentados. E aqui se criam muitos mosquitos que transmitem várias doenças” frisou.

    Em relação aos estudos dos filhos, Meire afirmou que não olha para as dificuldades
    Em relação aos estudos dos filhos, Meire afirmou que não olha para as dificuldades | Foto: Marcely Gomes

    Em relação aos estudos dos filhos, Meire afirmou que não olha para as dificuldades. Diariamente, os filhos da moradora sobem a grande escadaria do local em direção à avenida principal do bairro para terem acesso à escola municipal, pois na comunidade não há estrutura para a construção de escolas.

    Ao ser questionada sobre a grande quantidade de lixos ao redor da área, a dona de casa disse que os coletores de lixo não se deslocam até a comunidade. “Nós mesmos esperamos o lixo acumular para fazer a coleta e levar à avenida principal. Mas é muito complicado manter esse espaço limpo, porque, como estamos vivendo praticamente no rio, encontramos lixo que não é nosso”, frisou a residente.

     Francisca da Silva, de 75 anos, disse que quando as águas invadem a residência dela, realizar o aluguel de um quarto é a única alternativa que encontra
    Francisca da Silva, de 75 anos, disse que quando as águas invadem a residência dela, realizar o aluguel de um quarto é a única alternativa que encontra | Foto: Marcely Gomes

    Outra moradora do bairro Educandos, a dona de casa Francisca da Silva, de 75 anos, disse que quando as águas invadem a residência dela, realizar o aluguel de um quarto é a única alternativa que encontra. “Nessa época eu consigo salvar alguns móveis, mas muita coisa se perde também. O jeito é alugar um quarto e esperar as águas baixarem”, afirmou.   A moradora vive no local, com dois filhos, e afirmou que até o momento não recebeu ajuda das autoridades. Ela também expressou o desejo de mudar de local. “Todas as vezes que alaga, ninguém recebe ajuda nenhuma. Se eu tivesse condições, sairia daqui”, concluiu a dona Francisca.

    Moradores enfrentam dificuldades de saneamento básico em período de cheia
    Moradores enfrentam dificuldades de saneamento básico em período de cheia | Foto: Marcely Gomes

    No bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus, muitos moradores também foram atingidos pela cheia. Uma moradora da rua Humberto de Campos, disse ao Portal Em Tempo que as crianças da área correm risco, por conta da expressiva quantidade de animais peçonhentos que chegam às casas.“Em época de enchente, muitos bichos são empurrados para dentro das residências. O meu filho quase foi engolido por uma cobra”, afirmou a autônoma Nilcilene Batalha.

    No local, alguns moradores receberam madeiras da Prefeitura de Manaus para a construção de pontes.
    No local, alguns moradores receberam madeiras da Prefeitura de Manaus para a construção de pontes. | Foto: Marcely Gomes

    Outro morador também afirmou que assistência das autoridades em relação a entrega de materiais de infraestrutura é muito necessária nesse período. “Esta área precisa de reformas. Não queremos sair de nossas casas temporariamente. Queremos viver aqui em situações melhores ”, concluiu um morador que não quis se identificar.

    Uma moradora da rua Humberto de Campos, disse ao Portal Em Tempo que as crianças da área correm risco, por conta da expressiva quantidade de animais peçonhentos que chegam às casas
    Uma moradora da rua Humberto de Campos, disse ao Portal Em Tempo que as crianças da área correm risco, por conta da expressiva quantidade de animais peçonhentos que chegam às casas | Foto: Marcely Gomes

    O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, anunciou a Situação de Emergência em Manaus, nesta segunda-feira (3). O decreto foi dado porque o nível do rio Negro chegou a 29,07 conforme dados do porto de Manaus, colocando a capital do Amazonas na cota de emergência pela subida das águas.

    "O decreto possibilita que, caso necessário, solicitemos recursos do governo federal, sendo também a ferramenta jurídica que libera o encaminhamento do Aluguel-Social”, destacou o prefeito acrescentando que em janeiro de 2019, a Defesa Civil municipal iniciou o monitoramento preventivo, construção de pontes e cadastro das famílias em os bairros passíveis de alagação.

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