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    Especial Parintins


    A realidade por trás da 'magia' do Festival de Parintins

    Risco de acidentes do trabalho na confecção das alegorias e trânsito caótico são algumas situações encontradas

    As alegorias enchem os olhos dos participantes do Festival, mas por trás de cada uma existem histórias
    As alegorias enchem os olhos dos participantes do Festival, mas por trás de cada uma existem histórias | Foto: Bruna Oliveira

    Parintins - Suntuosas, coloridas e de encher os olhos são alguns dos atributos das alegorias do Festival Folclórico de Parintins. Conheça o que acontece por trás de toda a magia do Festival e como as alegorias interferem na vida dos parintinenses

    A criação e elaboração das alegorias são obras-primas dos artistas consagrados e premiados da ilha, todas desenvolvidas  e utilizadas num cenário mágico e envolvente. Elas contam histórias do imaginário caboclo e fazem parte da festa folclórica. E ainda são elaboradas dentro dos galpões dos bois.

    Alegoria do boi Caprichoso
    Alegoria do boi Caprichoso | Foto: Bruna Oliveira

    Durante meses, dezenas de pessoas trabalham diariamente e em época de Festival não há folga, quanto mais próximo das apresentações, mais os artistas se empenham para deixar tudo pronto para os festejos. Não tem hora e nem dia para descanso.

    As alegorias saem do galpão e ficam na praça dos bois, próximo ao Bumbódromo
    As alegorias saem do galpão e ficam na praça dos bois, próximo ao Bumbódromo | Foto: Bruna Oliveira

    Em cada etapa de produção existe o planejamento de arte, depois a maquete com as medidas certas para o orçamento e a execução da compra dos materiais.

    Cada equipe é dividida para fazer uma alegoria e orientada por um artista para realizar a pintura, solda de estrutura, montagem e transporte.

    As alegorias ficam na praça de concentração dos bois e aguardam a participação no Festival
    As alegorias ficam na praça de concentração dos bois e aguardam a participação no Festival | Foto: Bruna Oliveira

    Mudança no trânsito 

    Com a aproximação dos dias de apresentação dos bois, todas as rotas ao redor do Bumbódromo são alteradas. 

    As vias ficam interditadas e motoristas precisam de rotas alternativas
    As vias ficam interditadas e motoristas precisam de rotas alternativas | Foto: Bruna Oliveira

    As ruas da cidade medem aproximadamente seis metros de largura e as alegorias têm suas bases nesse limite de medida. No deslocamento das alegorias há a intervenção do trânsito temporariamente, mas em algumas vias dura dias e daí parte a reclamação dos moradores.

    A universitária Ranielly Sampaio, 22, é moradora da Ilha e precisa se deslocar de um bairro a outro. Ela conta que a vida dos motoristas antes, durante e depois do Festival fica complicada por conta das alegorias que interditam as principais vias.

    "Eu preciso me deslocar para trabalhar e estudar. A rua que dá acesso à minha casa fica interditada mais de uma semana, eu tenho moto e neste período tenho que gastar muita gasolina para chegar em casa", explica.

    Moradores precisam mudar a rota na passagem das alegorias
    Moradores precisam mudar a rota na passagem das alegorias | Foto: Bruna Oliveira

    Todos os trabalhadores responsáveis pelas alegorias fazem o transporte de forma manual, empurrando pelas ruas até chegar na Praça dos Bois que fica no entorno.

    Durante a passagem das alegorias, as ruas são bloqueadas
    Durante a passagem das alegorias, as ruas são bloqueadas | Foto: Bruna Oliveira

    É possível perceber que nas ruas, recém asfaltadas para receber o Festival, há marcas profundas de pequenas rodas que ajudam na mobilidade das gigantescas e pesadas estruturas.

    A cena de trânsito "carregado" não é comum na cidade
    A cena de trânsito "carregado" não é comum na cidade | Foto: Carlos Júnior

    A cena de muitos carros e motos parados no sinal não é comum na cidade, mas com o aumento de visitantes e trabalhadores na Ilha, faz com que o que era calmo e de fácil acesso se transforme em transtorno para os moradores.

    Casas e a mudança na rotina

    Morar próximo ao curral dos bois é ter que lidar com algumas situações complicadas. Exemplo disso, é o morador que possui carro na garagem, é obrigado a se desfazer do uso na época do boi.

    Os galpões com as alegorias interferem na rotina dos moradores
    Os galpões com as alegorias interferem na rotina dos moradores | Foto: Ana Beatriz

    Além do grande movimento na ilha, as estruturas metálicas das alegorias ficam estacionadas em frente das garagens das casas.

    A gestora Ana Beatriz, 37, mora próximo ao galpão do caprichoso e conta que durante os festejos fica com o carro sem utilidade e precisa revezar a saída da moto com o esposo.

    "Nós sofremos muito, pois moramos próximo ao galpão do boi. É um período que começa com duas semana antes e já sentimos a dificuldade no trânsito com muita gente na cidade. As alegorias nos atrapalham, já tive que sair de casa para os lugares a pé ou de moto, porque não dá para tirar o carro da garagem", conta.

    Acidentes com fios de alta tensão 

    As alegorias por serem altas trazem em todos os festivais a cautela com os fios de alta tensão e os riscos de acidentes com os trabalhadores. 

    O risco com as descargas de energia elétrica são uma das preocupações dos responsáveis pelas alegorias
    O risco com as descargas de energia elétrica são uma das preocupações dos responsáveis pelas alegorias | Foto: Reprodução

    Neste ano, devido ao grande número de denúncia, a Amazonas Energia interrompeu o fornecimento de energia e desligou a rede de alta tensão durante o deslocamento das alegorias até a praça dos bois. 

    Amor pela arte do Festival 

    Quem antecipa a visita a Parintins pode se deparar com as grandiosas alegorias
    Quem antecipa a visita a Parintins pode se deparar com as grandiosas alegorias | Foto: Bruna Oliveira

    "A nova geração é mais preparada nos estudos, mas só trabalha pelo dinheiro. Nós que somos mais antigos amamos o que fazemos, é pela arte do boi", revela Alessandro Ramos, 40, artista de alegoria. 

    Alessandro  sofreu um acidente em uma das alegorias do boi na juventude, mas continuou a trabalhar com artista
    Alessandro sofreu um acidente em uma das alegorias do boi na juventude, mas continuou a trabalhar com artista | Foto: Reprodução

    Em 2003, Alessandro era aluno da escola de artes do boi, estudava desenho e foi voluntário nos acabamentos das alegorias que estavam atrasadas. Empolgado em aprender como era o processo de criação e execução das alegorias, ele decidiu fazer parte de um trabalho especial no feriado de Corpus Christ. Alessandro sobreviveu após cair de seis metros de altura, veio deslizando por toda a alegoria e caiu no chão. O jovem precisou ser deslocado para Manaus e precisou passar por um procedimento cirúrgico na cabeça. 

    Trabalhadores que fazem a magia do Festival acontecer
    Trabalhadores que fazem a magia do Festival acontecer | Foto: Bruna Oliveira

     

    "Eu não parei, porque é o que gosto de fazer. A nossa arte é reconhecida em todo o mundo e todo artista gosta disso. A gente não aparece, mas as alegorias são lembradas", enfatizou o artista.

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