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    Falta de Energia


    Os transtornos à população de Iranduba e Manacapuru sem eletricidade

    Moradores dos dois municípios estão sem energia elétrica há mais de 4 dias. Empresa diz que trabalha para restabelecer a eletricidade nos municípios

    A autônoma Ana Maria, de 51 anos, afirma que, além de prejuízos nos estabelecimentos, tanto os comerciantes quanto os moradores enfrentam a escassez de água, devido à falta de energia no distrito | Foto: Izaías Godinho

    A autônoma Ana Maria, de 51 anos, afirma que, além de prejuízos nos estabelecimentos, tanto os comerciantes quanto os moradores enfrentam a escassez de água, devido à falta de energia no distrito
    A autônoma Ana Maria, de 51 anos, afirma que, além de prejuízos nos estabelecimentos, tanto os comerciantes quanto os moradores enfrentam a escassez de água, devido à falta de energia no distrito | Foto: Izaías Godinho

    Iranduba - “Sem energia elétrica, não há como conservar alguns alimentos. Muitas mercadorias se perderam e nós ficamos no prejuízo”, afirmou a dona de um estabelecimento comercial do Distrito de Cacau Pirêra (distante 18 quilômetros de Manaus), na manhã desta terça-feira (23). Após a falta de energia nos municípios de Manacapuru e Iranduba, desde a sexta-feira (19), que atingiu a população de ambos os municípios, muitos comerciantes precisam comprar gelo para conservarem ao máximo os alimentos.

    A autônoma Ana Maria, de 51 anos, afirma que, além de prejuízos nos estabelecimentos, tanto os comerciantes quanto os moradores enfrentam a escassez de água, devido à falta de energia na região.

    De acordo com a mulher, é necessário que haja energia para que os equipamentos responsáveis pela distribuição de água funcionem. “Com a falta de água, tudo fica mais difícil. Estamos passando esses dias sem energia, mas pagaremos o valor integral da conta no fim do mês. E não temos a quem recorrer porque fomos esquecidos pelas autoridades”, disse a comerciante.

    Uma autônoma teve prejuízos, principalmente com alimentos que devem ser conservados em baixa temperatura
    Uma autônoma teve prejuízos, principalmente com alimentos que devem ser conservados em baixa temperatura | Foto: Izaías Godinho

    Uma outra comerciante, que preferiu não se identificar, disse ao Portal Em Tempo que precisou comprar gelo e caixas de isopor para tentar conservar alimentos como frango, hortaliças e bebidas. A autônoma teve prejuízos, principalmente com alimentos que devem ser conservados em baixa temperatura. Ela frisou que uma saca de gelo custa entre R$ 15 e R$ 20, o que traz prejuízos para a economia da comércio.

    Ela acrescentou, ainda, que no mês de fevereiro deste ano, os moradores do distrito ficaram aproximadamente 20 dias sem energia elétrica e que espera resposta das autoridades.

    “As pessoas não querem comprar nada quente. No freezer ou geladeira, temos os iogurtes ou achocolatados, mas as pessoas não estão comprando. Diariamente adquirimos 10 sacos de gelo para tentar armazenar a mercadoria, mas não é o suficiente. Os frangos estão estragando, porque ninguém quer comprar frango descongelado e a gente vai ficar no prejuízo”, concluiu a autônoma.

    Kelly Pinheiro, proprietária de um estabelecimento comercial, encontrou como alternativa a compra de um gerador elétrico que, apesar de não fornecer energia para todos os aparelhos do local, auxilia no andamento das atividades.

    "Conseguimos ligar as lâmpadas e os sistemas de internet e de segurança, mas os freezers não conseguimos ligar. No entanto, estamos comprando gelo para conservar os frangos e salsichas. A gente precisa doar os alimentos, antes que estraguem”, frisou a comerciante.

    A feirante Valcineia Martins, de 54 anos, salientou que nem mesmo o gelo é suficiente para conservar as poupas de fruta
    A feirante Valcineia Martins, de 54 anos, salientou que nem mesmo o gelo é suficiente para conservar as poupas de fruta | Foto: Izaías Godinho

    Em relação à falta de energia no distrito, a comerciante ressaltou que, diariamente, no balcão do comércio loja, escuta muitas reclamações dos clientes de diferentes faixas etárias.

    “As crianças se sentem prejudicadas porque não estão tendo aula. Ontem, uma senhora me falou que o marido dela está acamado e grita muito por causa do calor. É uma situação alarmante”, concluiu Kelly.

    A feirante Valcineia Martins, de 54 anos, salientou que nem mesmo gelo é suficiente para conservar as poupas de fruta que são vendidas no local. Segundo a comerciante, este tipo de produto deve estar congelado para que esteja apropriado para venda. “Estou com muitas poupas dentro do freezer, mas não adianta colocar gelo, pois vai estragar. Além disso, vamos perder frango, picadinho e as carnes”, destacou a feirante.

     “A população tem evitado comprar o pescado, porque não tem como armazenar", informou um peixeiro
    “A população tem evitado comprar o pescado, porque não tem como armazenar", informou um peixeiro | Foto: Izaías Godinho

    Um peixeiro, que também preferiu não se identificar, afirmou que desde a última sexta-feira (19) tem visto os prejuízos. “A população tem evitado comprar o pescado, porque não tem como armazenar. O gelo tem auxiliado os nossos trabalhos, mas, infelizmente, no fim do dia temos que jogar muita coisa fora”, frisou o homem.

    Amazonas Energia 

    Em nota ao Portal Em Tempo, a empresa Amazonas Energia informou que foram disponibilizados cinco grupos geradores a estabelecimentos de Iranduba e Manacapuru, que prestam serviços à população. A empresa também disse que até o fim de semana o fornecimento de energia estará 100% normalizado.

    “Na cidade de Iranduba foi instalado um grupo gerador de 300 kVA no hospital e outro de 175 kVA em um dos poços do sistema de abastecimento de água. No município de Manacapuru também foi instalado um grupo gerador de 300 kVA no hospital da cidade, outro de 600 kVA no sistema de abastecimento de água e um de 50 kVA no fórum de justiça”, afirma a empresa em nota.

    A Amazonas Energia também reforçou que 12 grupos geradores estão operando, em reativação de usina termelétrica (UTE) localizada na Rodovia Manoel Urbano (AM-070), como medida emergencial enquanto a logística e os reparos no cabo subaquático serão realizados e disse, ainda, que transferiu 15 grupos geradores da UTE de Flores, totalizando 27 grupos geradores. Guindastes e caminhões estão transportando e instalando os equipamentos.

    “Adicionalmente estamos contratando mais 15MW também para a UTE Iranduba o que totalizará na terça (23) um total de 40MW. Até a próxima quinta (25), disponibilizaremos 60MW aos dois municípios afetados para diminuir os impactos aos moradores das duas localidades. A previsão é que até o final desta semana o fornecimento de energia seja normalizado 100%”, frisou a empresa.

    A Amazonas Energia salientou que aproximadamente 10 mergulhadores atuam no rio Negro, para verificar o dano no cabo subaquático, para que a Distribuidora possa definir as estratégias para recuperação do cabo. O material referente ao cabo é adquirido fora do país, mas a empresa reforçou que está adotando todas as medidas cabíveis.

    “Nossas equipes técnicas continuarão trabalhando 24 horas por dia, até normalizar por completo o fornecimento de energia em Iranduba e Manacapuru, para evitar maiores transtornos à população”, concluiu a empresa.

    Edição: Isac Sharlon

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