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    WEB TV: Conversa Franca


    Vídeo: Delegada Débora Mafra fala sobre violência contra mulher no AM

    Em entrevista, a delegada tira dúvidas e aponta avanços do Amazonas em proteção às mulheres

    A entrevista exclusiva informações importantes para as mulheres
    A entrevista exclusiva informações importantes para as mulheres | Foto: Reprodução

    Manaus - Na manhã desta quinta-feira (1º), a delegada titular da Delegacia Especializada em Crimes Contra a mulher (DECCM), Débora Mafra, concedeu entrevista exclusiva para programa "Conversa Franca", apresentado pela jornalista e apresentadora Tatiana Sobreira, sobre a violência doméstica contra mulheres em Manaus.

    A delegada, que atua há quatro anos à frente da Delegacia da Mulher, trouxe para a entrevista um balanço positivo de casos de mulheres que sofreram violência nos últimos anos. Os dados mostram que mais de 13 mil denúncias dessa natureza foram feitas desde janeiro até o fim do mês de julho.

    Segundo a delegada titular, o número é positivo, pois quanto maior o registro de denúncias, menor é o número de feminicídio. Débora Mafra afirma, ainda, que este é um dado comprovado no Brasil e contou que o medo é um dos fatores desse número não ser maior. 

    A entrevista exclusiva informações importantes para as mulheres
    A entrevista exclusiva informações importantes para as mulheres | Foto: Reprodução

    “Nossas vítimas de feminicídio em outras cidades do Brasil não é diferente das de Manaus. São aquelas que nunca denunciaram o companheiro, ou se denunciaram retiraram a queixa, tudo isso por causa do medo do agressor. Isso o engrandece, faz com que a vítima esteja ao seu dispor, no momento que ele consegue que a vítima não denuncie, continua no comando e acaba matando a mulher", alertou a delegada. 

    O Amazonas deu um salto a frente, explica a delegada, porque as mulheres denunciam os casos de violência doméstica, se apoderam da lei e perceberam que está dando certo. “Elas percebem que o homem está sendo preso se não cumprir o regimento de medida protetiva, que desde o ano passado passou a ser crime", ressalta.

    Ciclo vicioso de violência contra a mulher

    A delegada afirmou que a violência contra a mulher não está resumida em agressão física, pois, segundo ela, há um ciclo vicioso que contribuí nos casos de feminicídio.

    “Começa com a violência verbal com xingamentos, perseguições e ameaças. No meio já tem a violência sexual, patrimonial e física, porque já não há mais respeito pela vítima, e acaba finalizando no feminicídio", explica a autoridade policial.

    Há casos de mulheres que abandonam os filhos e fogem de casa por não aguentarem a violência doméstica
    Há casos de mulheres que abandonam os filhos e fogem de casa por não aguentarem a violência doméstica | Foto: Eliza Fiúza- Agência Brasil

    Mafra conta que as mulheres não denunciam os casos de agressões por sofrerem ameaças psicológicas no amor. Ao mesmo tempo há a síndrome do Estocolmo, um nome dado a um estado psicológico em que a pessoa sofre intimidação, passa a ter simpatia e até sentimento de amizade e amor pelo agressor, que na maioria dos casos culpa a vítima pela agressão.

    “Um agressor de mulher sempre tem um histórico de agressão à outras mulheres, e possivelmente haverá outras”, pontua a delegada.

    13 anos da Lei Maria da Penha

    A Lei Maria da Penha (11.340/ 2006) fará 13 anos em agosto de 2019 e já demonstra mudanças consideráveis em proteção à mulher. O nome da lei é uma homenagem à farmacêutica bioquímica Maria de Penha Maia Fernandes, vítima de violência doméstica em 1983, que ficou paraplégica após sofrer diversas agressões do marido.

    As mulheres estão denunciando mais os agressores
    As mulheres estão denunciando mais os agressores | Foto: Marcely Gomes

    No primeiro dia do mês, o Senado Federal em Brasília recebeu iluminação especial na cor lilás para a comemoração de 13 anos de proteção à mulher. Em Manaus há duas delegacias de amparo à mulher, uma está localizada na avenida Mário Ypiranga, no bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul, e um anexo da especializada na Zona Leste, localizado na avenida Nossa Senhora da Conceição, bairro Cidade de Deus. 

    Os telefones para denúncia são: 181 e 180, 3236-7012 e o número direto com WhatsApp: (92) 99962-2511.

    Assista à entrevista na íntegra:

    Edição: Isac Sharlon

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