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    Corrupção


    PLs em Iranduba eram aprovadas mediante pagamento de propina

    Os dois vereadores foram presos na Operação "Avarita"

    De acordo com o MPE-AM, por meio do esquema de propinas, foi contabilizado o total de R$ 50 a R$ 80 mil com cada um dos parlamentares investigados
    De acordo com o MPE-AM, por meio do esquema de propinas, foi contabilizado o total de R$ 50 a R$ 80 mil com cada um dos parlamentares investigados | Foto: Marcely Gomes

    Os vereadores de Iranduba (município distante 40 quilômetros de Manaus) Kelison Dieb (PMDB) e Jakson Pinheiro (PMN) tiveram as prisões temporárias decretadas, nesta quinta-feira (8), pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), durante a Operação "Avaritia" - que investiga uma organização criminosa envolvida na prática de cobrança de propinas para aprovação de Projetos de Lei (PLs) na Câmara Municipal de Iranduba.

    De acordo com o MPE-AM, por meio do esquema de propinas, foi contabilizado o total de R$ 50 a R$ 80 mil com cada um dos parlamentares investigados. Durante as buscas, um dos vereadores foi flagrado com uma arma e o outro parlamentar jogou um celular na privada, com o objetivo de obstruir provas.

    Ambos foram encaminhados para o 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), na capital, e, em seguida, passaram por exames de corpo de delito no Instituo Médico Legal (IML), no bairro Cidade Nova, Zona Norte. Após os procedimento, a dupla deve ser encaminhada para o Centro de Detenção Provisória Masculino (CMPM), situado na BR-174. 

    A procuradora-geral de Justiça do Estado do Amazonas, Leda Mara Nascimento Albuquerque, afirmou que, a depender do projeto de lei, os vereadores exigiam tanto de empresários quanto de trabalhadores comuns, valores entre R$ 2 mil e R$ 5 mil para a aprovação de projetos de lei, que tivessem amplo alcance. Ela utilizou, como exemplo, leis que beneficiavam determinada classe ou empresários. 

    “Hoje foi decretada a prisão dos dois principais envolvidos dessa engrenagem criminosa. Mas, isso não anula a futura decretação de prisão para outros envolvidos. Os representantes do povo estavam agindo como criminosos”, frisou a procuradora, acrescentando que, até o momento, as investigações não apontam práticas criminosas no poder executivo de Iranduba.

    O procurador Cláudio Tanajura afirmou que o MPE-AM agiu em conjunto com a polícia e também solicitou 15 mandados de busca e apreensão e 15 mandados de busca pessoal no município de Iranduba e em Manaus. 

    “O poder legislativo de Iranduba virou um verdadeiro balcão de negócios. Residências de moradores de Iranduba, que moram em Manaus, foram vistoriadas. Nelas foram apreendidos eletrônicos e dinheiro, como elementos das investigações”, frisou Cláudio.

    Conforme o procurador, as investigações começaram em dezembro de 2018 pelos Promotores de Justiça do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (GAECO). 

    Cláudio afirmou que as investigações tiveram andamento mediante a produção de relatórios técnicos e por meio de testemunhas. “Quando a população buscava apoio do legislativo, era surpreendida com a cobrança de propina. Todos os setores da sociedade eram atingidos pela corrupção”, conclui o procurador.

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