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    Denúncia


    Alunos convivem com operários em meio à obra em escola e estão doentes

    Os alunos, a maioria crianças de 7 a 11 anos, estão estudando com máscaras cirúrgicas, enquanto outros estão adoecendo após respirar poeira

    Os alunos em meio à confusão de entulhos espalhados pela escola
    Os alunos em meio à confusão de entulhos espalhados pela escola | Foto: Divulgação

    Tefé - Uma professora que trabalha no turno matutino na Escola Estadual Isidoro Gonçalves de Souza, localizada na rua Brasília, no município de Tefé, cidade distante a 522 quilômetros de Manaus, denunciou uma obra em execução há um mês. De acordo com a mulher, aproximadamente 1 mil alunos dos dois turnos (matutino e vespertino) estão estudando em meio aos entulhos e algumas estão sofrendo com doenças respiratórias. 

    Criança utilizando máscara para poder estudar
    Criança utilizando máscara para poder estudar | Foto: Divulgação

    “Devido a obra de reforma, não houve paralisação. Com isso, os meus alunos estão adoecendo. Eu mesma, estou doente e pedi licença por um mês. Alguns alunos estão levando máscaras, mas, mesmo assim, ninguém aguenta respirar a poeira dos entulhos”, contou a professora de 40 anos. 

    Segundo a docente, além das doenças respiratórias, os estudantes correm risco de sofrer acidente. 

    Telhados deixados na área externa da escola
    Telhados deixados na área externa da escola | Foto: Divulgação

    “Os operários já tiraram os pisos, os telhados, forros e em algumas salas só está o piso de cimento bruto. As crianças brincam na área externa em meio ao forro e aos operários no telhado”, afirmou a docente. 

    A mãe de um aluno de 9 anos, que cursa o 5º ano, também denunciou a falta de compromisso da escola, principalmente da direção, que não comunicou aos pais e responsáveis que a reforma iria acontecer. Ela conta que o filho tem alergia à poeira e não está indo estudar.

    Material utilizado na obra
    Material utilizado na obra | Foto: Divulgação

    “Logo no começo da obra, o meu filho chegou em casa com os olhos irritados. Ele sofre de alergia à poeira. Ontem foi parar no hospital com problemas respiratórios e hoje está em casa fazendo inalação. Já procurei a direção da escola, mas ninguém estava no local. Isso é uma irresponsabilidade com os alunos”, relatou a dona de casa, de 39 anos, que pediu para não ter o nome citado na matéria. 

    De acordo com a denúncia, a obra não foi comunicada aos pais e responsáveis pelos alunos
    De acordo com a denúncia, a obra não foi comunicada aos pais e responsáveis pelos alunos | Foto: Divulgação

    Em nota, a assessoria de comunicação da Secretaria de Estado de Qualidade do Ensino do Amazonas  (Seduc-AM) informou que está executando um plano emergencial para garantir melhorias na infraestrutura em unidades educacionais, tanto da rede estadual de ensino da capital quanto do interior. Em alguns casos identificados, segundo a secretaria, como na Escola Estadual Isidoro Gonçalves de Souza, nenhum serviço dessa natureza era realizado há quase 20 anos, conforme relatório apresentado à secretaria pela Coordenadoria Regional de Educação.

    Para minimizar os impactos, evitando o fechamento da escola, foram adotadas, como medidas, o isolamento do pavilhão, onde as obras estão sendo realizadas, e os alunos alocados para utilizar somente um pavilhão, visto que a escola possui dois pavilhões e dez salas de aula, objetivando evitar transtornos maiores às aulas. Ainda segundo a Seduc-AM, a gestão tem evitado, ao máximo, que os alunos e profissionais tenham contato com as obras, sendo necessário somente no acesso e saída das salas de aula.

    A Seduc-AM ressaltou, ainda, que eventuais contatos com entulhos podem acontecer, mas não são a regra. Após a denúncia, a secretaria entrou em contato com a gestão da escola para reforçar as medidas de isolamento das áreas da obra e evitar ao máximo que ocorra esse tipo de situação.

    Os trabalhos na unidade tiveram início na última semana de julho e os serviços são intensificados nos fins de semana para que durem no máximo 45 dias, concluiu o órgão.

     

     

     

     

     

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