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    Setembro Amarelo


    Síndrome das “pernas inquietas” triplica chance de suicídio

    Estima-se que problema afete 10% da população mundial em algum momento da vida

    Síndrome é caracterizada por uma vontade irresistível de mover as pernas. | Foto: Pixabay

    Manaus -  Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Estadual da Pensilvânia, nos Estados Unidos, aponta que indivíduos diagnosticados com síndrome das pernas inquietas, ou doença de Willis-Ekbom, são mais prováveis a se machucarem ou se suicidarem. Como Setembro Amarelo é a campanha para conscientização sobre este tipo de morte, a neurologista e neurofisiologista clínica Stephany Passos, 34, explica o que de fato acontece com uma pessoa que tem a síndrome. 

    Primeiro, é preciso entender que as pessoas com esta doença não estão condicionadas à tendência suicida. "O mais importante é conscientizar os pacientes que se machucar ou se suicidar não faz parte do quadro clínico de síndrome das pernas inquietas", explica a médica. Como esta doença é crônica, ou seja, pode pode durar anos ou a vida inteira, compromete a qualidade de vida do paciente, acarretando em um grande sofrimento, como consequência  a depressão, que é o que de fato aumenta as chances de suicídio. 

    O estudo da universidade americana analisou informações médicas de mais de 24 mil pacientes com a condição e 145 mil indivíduos saudáveis, os pesquisadores da universidade observaram que as pessoas que apresentam a doença tem chance de 2,7 vezes maior de realizarem suicídio ou acabarem se machucando. Alguns dos fatores analisados foram a depressão, distúrbios do sono e diabetes, características como idade e sexo dos indivíduos não foram levados em conta para questão de análise.

    Stephany Passos, 34, é neurologista e neurofisiologista.
    Stephany Passos, 34, é neurologista e neurofisiologista. | Foto: Leonardo Mota

    Sobre a doença

    A síndrome das pernas inquietas leva este nome porque consiste no desejo quase compulsivo de mexer as pernas. É uma doença neurológica que está associada a uma sensação desagradável, queixa sensitiva, que ocorre em períodos em que a pessoas estão em repouso, deitada ou sentada. A ação tende a iniciar ou piorar no período noturno, geralmente o paciente sente que alivia parcial ou totalmente ao movimentar as pernas. 

    Todos os anos são diagnosticadas mais de 150 mil pessoas no Brasil com esta doença. A síndrome das pernas inquietas acomete entre 5 a 10% da população mundial, de acordo estudos americanos e europeus. No Brasil os dados apontam prevalência de 6,4% da população. Não há números consistentes sobre a doença no Amazonas. 

    É muito comum que esta doença acometa principalmente mulheres em geral e mulheres mais velhas. A doença tende a aumentar sua prevalência com o passar da idade, quanto mais velho o paciente vai ficando, mais propenso a ter a doença ele está. 

    A maioria dos pacientes tem a forma primária da síndrome, onde se reconhece a presença de significativa contribuição genética. No entanto, cerca de um terço dos casos é de razão secundária, associados a outras condições como deficiência de ferro, gravidez, diabetes, doença renal crônica, neuropatia periférica, entre outros. 

    Sintomas

    A médica neurologista Stephany Passos, 34, afirma que os pacientes descrevem o desconforto sensorial das doenças de diversas maneiras com termos como queimação, formigamento, comichão, estranheza, ruindade, aflição, gastura, entre outros. Ainda segundo a médica, os sintomas ocorrem ou pioram nos períodos de repouso, no fim da tarde ou início da noite. O paciente tende a melhorar à medida que anda ou esfrega as pernas. 

    Apesar do nome ser síndrome das pernas inquietas, não está restrito só às pernas, os braços e o trono podem ser acometidos também. 

    Diagnóstico e tratamento

    O diagnóstico é essencialmente clínico, não tem nenhum exame que seja de extrema necessidade para dar o veredicto. A doutora Stephany relata que não é necessário polissonografia. Após o diagnóstico correto, o paciente tem opção de tratamento medicamentoso aliado a exercícios físicos, terapia cognitivo comportamental e grupo de apoio. 

    "O mais importante é o paciente receber o diagnóstico correto. É uma doença rara e muitos desconhecem. A partir disso podemos oferecer o tratamento mais adequado, proporcionando uma melhor compreensão. E oferecer o tratamento a gente visa a melhora da qualidade de vida e o alivio do sofrimento", diz Stephany. 

    O médico especialista para a doença é o neurologista geral ou o neurologista especializado em medicina do sono. 

    Dia a dia da síndrome

    "Os sintomas de síndrome das pernas inquietas podem causar um significante estresse para o paciente e um prejuízo social, ocupacional e profissional. Isso gera impacto no sono do paciente, na disposição, na vitalidade, na atividade diária dele e com isso leva a uma alteração tanto do humor quanto da cognição", explica Stephany. 

    A doutora conta que as pessoas com esta condição podem ter sua saúde mental afetada, mas não necessariamente todos. "O desenvolvimento de sintomas depressivos de desajuste social é muito frequentes nesses pacientes que tem síndrome das pernas inquietas, em geral, como os sintomas são mais intensos à noite o paciente dorme mal ou quase não dorme, com isso, ele passa o dia sonolento, cansado, indisposto, irritado, e a qualidade de vida fica comprometida".

    O paciente não consegue ir para o cinema ou outros tipos de passeios noturnos por conta dos sintomas. Isso prejudica todo o convívio social, as atividades diárias e laborativas do paciente. 

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