Fonte: OpenWeather

    Após apelo


    Na luta pela vida, mãe consegue avião e bebê é transferido para Manaus

    O bebê precisa de cuidados especiais. Ele tem apenas quatro dias de vida

    A mãe da criança fez apelo pedindo a transferência do recém nascido
    A mãe da criança fez apelo pedindo a transferência do recém nascido | Foto: Arquivo Pessoal

    Manaus- O bebê Caio Gabriel Farias Neris, de apenas quatro dias de vida, decolou do município de Parintins em aeronave da Secretaria de Saúde do Amazonas (Susam) para realizar tratamento em Manaus após apelo da mãe. A previsão de chegada na capital é por volta das 15 horas da tarde desta segunda-feira (25).

    O modelo do avião Caravan leva cerca de 1 hora e 25 minutos de voo de Parintins até Manaus, dependendo das condições climáticas. A criança respira com ajuda de aparelhos e está em estado de saúde grave, segundo a mãe.

    Em nota divulgada na tarde de hoje, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) confirmou a transferência e destacou que "seguiu todos os critérios do Sistema de Transferências de Emergências Reguladas (Sister), que realiza as remoções em todo o Interior do Estado".

    Questionada sobre o estado de saúde do paciente, a Susam informou que os pacientes internados têm direito ao sigilo de suas informações, que não serão divulgadas, salvo com o consentimento do paciente ou dos familiares.

    No início da noite, a reportagem conversou por telefone com a mãe de Caio. Ela confirmou que já está em Manaus com o filho, internado na Maternidade Ana Braga, na Zona Leste de Manaus, e, segundo ela, o estado de saúde do filho continua o mesmo. 

    Entenda o caso

    A amazonense Yanna dos Santos Farias, de 25 anos, e o filho recém-nascido Caio Neris estavam internados no Hospital Padre Colombo, em Parintins, onde aguardavam uma transferência para Manaus em uma unidade de saúde aérea do Estado. A mulher pedia o apoio na divulgação do estado de saúde do filho, que, segundo ela, é grave, e faz um apelo ao poder público para evitar que o pior aconteça.

    Yanna mora no interior do Amazonas com o esposo e uma filha de sete anos. Segundo ela, no sábado (23), os funcionários do hospital informaram que o bebê ocupava a 13ª posição na lista de transferência para Manaus em um avião do Governo. Porém, a mulher teme que a espera seja longa e suficiente para causar a morte do recém-nascido.

    A mãe da criança fez apelo pedindo a transferência do recém nascido
    A mãe da criança fez apelo pedindo a transferência do recém nascido | Foto: Arquivo Pessoal

    "Eu tive o meu bebê com 33 semanas de gestação, ou seja, oitavo mês. O meu parto estava previsto para o início de janeiro, em cirurgia cesariana. Porém, acabei dando à luz antes do previsto, no Hospital Jofre Matos Cohen, também em Parintins, e depois fui transferida junto com o bebê para o Padre Colombo. Por conta do nascimento precoce, meu filho necessita de cuidados especiais. Ele respira com o auxílio de aparelhos, pois está diagnosticado com insuficiência respiratória. Hoje, por volta do meio-dia, ele sofreu uma parada cardiorrespiratória e agora fica com o corpo tremendo o tempo todo", descreveu ontem angustiada a mãe.

    A mulher contou, ainda, que esta é a segunda gestação de risco. "Na gravidez anterior, meu bebê sobreviveu por 34 semanas dentro do útero. No entanto, ele nasceu antes do previsto e morreu. Na época, em dezembro do ano passado, dependemos do mesmo apoio de transporte por parte do Governo, que não veio, e meu bebê morreu. Estou desesperada em busca de apoio para que isto não ocorra novamente. Eu quero muito meu filho vivo e estou lutando por isso cada segundo aqui dentro desse hospital", frisou.

    O recém-nascido de Yanna, morto em dezembro de 2018 após o parto, foi diagnosticado com um tipo de cardiopatia (doença cardíaca que afeta o coração e os vasos sanguíneos). Ela conta que, assim como Caio Neris, o bebê também necessitou de cuidados especiais que não são disponibilizados no hospital de Parintins.

    "A equipe médica aqui é boa, não tenho do que reclamar quanto ao atendimento prestado. Porém, há casos que necessitam de cuidados especiais, uma maior atenção e também equipamentos de alta tecnologia para um bom diagnóstico e tratamento. Então, o hospital já sinalizou para que a transferência em uma aeronave de saúde do Estado seja realizada, mas dependemos da fila de espera, e nessas condições em que meu filho está, todo entubado, temo que ele não aguente - assim como o meu outro bebê não aguentou", lamenta a dona de casa.

    Yanna ressalta que o filho precisa receber cuidados médicos em uma Unidade de Trauma Intensivo Neonatal, mas em Parintins ela foi informada pelos funcionários do hospital de que não há nenhuma. "Conforme os médicos, o tratamento pode ser realizado em Manaus. Peço a todos que compartilhem esse meu apelo e lutem, junto comigo, pela vida do meu filho", conclui a mulher, ressaltando que a família não tem condições de pagar por conta própria a transferência em uma aeronave particular.

    Quem quiser ajudar a família na transferência do bebê até Manaus, em uma aeronave com condições adequadas para este tipo de procedimento, pode entrar em contato com a família pelo número: (92) 99121-4363.

    Susam

    Em nota, a Susam havia informado ontem (24) que o recém-nascido está internado na Unidade de Cuidados Intermediários (UCI) do Hospital Padre Colombo, em Parintins, recebendo todos os cuidados médicos necessários, enquanto aguarda a remoção para uma unidade de referência em Manaus.

    A Susam ressalta, ainda, que o município de Parintins recebeu cinco UCIs neonatais no hospital Padre Colombo, onde a criança recebe todo suporte de vida avançado, com tecnologia igual ou superior ao apresentado na capital.

    “Desde a instalação dos equipamentos, a necessidade de transferência de recém-nascidos prematuros foi reduzida em 50% no município. O Sister, que realiza as remoções, atende todo o interior e a prioridade na transferência aérea é definida pelo médico regulador, conforme a gravidade de cada paciente”, detalha a pasta. 

    Ainda segundo a Susam, é importante destacar que as remoções também dependem de fatores externos, como condições climáticas, distância/tempo de deslocamento, autorização da ANAC para voos, dentre outros, impactando diretamente no quantitativo de remoções diárias de pacientes do interior para a capital.

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