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    Caso Flávio


    Defesa de 'Valeikos' questiona MPE e diz que houve ilegalidade em ação

    A defesa criticou o MPE-AM pelo vazamento de fotos dos materiais apreendidos, pois segundo a advogada, nem a defesa teve acesso aos motivos da ordem judicial

    A advogada de defesa, Talitta Lindoso
    A advogada de defesa, Talitta Lindoso | Foto: Suyanne Lima

    Manaus - A defesa de Paola Valeiko, filha da primeira-dama Elizabeth Valeiko, e do genro dela, Igor Gomes, concedeu coletiva de imprensa, às 15h30, em frente ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), na Zona Oeste da capital, para explicar que não teve acesso à decisão judicial que culminou na expedição de mandado de busca e apreensão na casa de Igor, localizada no bairro Aleixo. O processo compõe as investigações da morte do engenheiro Flávio Rodrigues.

    A ordem judicial foi cumprida na manhã desta quarta-feira (11), por promotores de Justiça do MPE-AM, com apoio de policiais civis. Segundo o órgão, na casa de Igor foram apreendidos aparelhos eletrônicos, documentos e dinheiro. A defesa informou que as equipes permaneceram no imóvel por, pelo menos, três horas. 

    Durante a coletiva de imprensa, a advogada de defesa de Igor e Paola, Talitta Lindoso, disse que o chileno Alejandro Molina, pai de Paola e Alejandro Valeiko, teve a dignidade violada, pois todo o dinheiro que ele tinha para se manter na cidade foi levado durante a ação.

    "Até o momento, nós não tivemos acesso à decisão judicial, não sabemos do que se trata. A defesa já protocolou um pedido de cópia integral dessa investigação. Queremos entender porque a casa de Igor foi violada desta forma. Para que isso acontecesse, era necessário ter uma decisão fundamentada e com motivos justos", argumentou a advogada. 

    Alejandro Valeiko preso há mais de dois meses
    Alejandro Valeiko preso há mais de dois meses | Foto: Arquivo EM TEMPO

    A defesa dos "Valeikos" criticou o MPE-AM pelo vazamento de fotos dos materiais apreendidos, pois, segundo a advogada, nem a defesa teve acesso aos motivos da ordem judicial. A advogada destacou ainda que não entende a falta de especificação do MPE-AM, já que muitos dos materiais apreendidos não pertenciam à Paola ou ao Igor.

     "Até que momento essas investigações estão buscando a verdade por Flávio? Ou isso nada mais é que uma perseguição política para com a família dos meus clientes? O que o dinheiro que está no bolso do pai de Paola tem a ver com a morte de Flávio?", questionou a defesa. 

    A defesa disse que, durante a ação desta manhã, foi apreendida uma quantia em dinheiro que estava no bolso de Alejandro Molina e outra que estava no cofre da casa que pertencia a ele.

    "Ele tem nota fiscal, ele tem imposto de renda e ele tem como comprovar a origem desses valores. No momento em que esse dinheiro foi apreendido, ele informou ao delegado de Polícia Civil, o senhor Paulo Benelli, que acompanhava a ação, que aquele dinheiro era para ele se manter na cidade durante o tempo que ele permaneceria aqui. Nesse momento, ele está sem nada, a alimentação está sendo custeada por colegas", disparou a defesa. 

    A defesa enfatizou que o Consulado Honorário da República do Chile entrou com o pedido formal e o Estado do Amazonas vai ter que se explicar porque um chileno teve um material apreendido de forma arbitrária, já que o mandado de prisão era único e exclusivo para Igor.

    "Todas as pessoas que estavam na casa não eram alvos dessa busca e apreensão. Espero que não tenhamos um incidente internacional", afirmou a advogada. 

    Tallita Lindoso disse que os clientes tiveram a vida e intimidade divulgadas durante todo o processo. "É revoltante vermos o desprezo com a legislação. Nós temos um réu confesso. Pessoas estão sendo expostas mesmo sem provas. Tudo que temos nesse processo são falácias. Dada a proporção desse caso, nós pedimos que o sigilo desse processo seja desfeito para que todos tenham acesso às provas dos autos. Queremos que a investigação seja isenta e que respeite as normas processuais e constitucionais", concluiu.

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