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    Festas de fim de ano


    Sensíveis aos sons da pirotecnia: saiba como ajudar pessoas e animais

    Com hiper sensibilidade sonora, pessoas e animais são as que mais sofrem nesta época de comemorações. Saiba como minimizar os efeitos dos sons da pirotecnia no ano novo


    Saiba como ajudar quem sofre com o barulho da pirotecnia
    Saiba como ajudar quem sofre com o barulho da pirotecnia | Foto: Arte Desirée

    Manaus- Os fogos de artifício fazem parte das comemorações, principalmente as de fim de ano, como Natal e Ano novo. A maior preocupação é com o barulho causado pela pirotecnia. Portadores do espectro autista e animais são os mais afetados durante as comemorações. Saiba como ajudar pessoas e animais durante as festas do fim de ano. 

    Autistas

    A indígena Maira Bello, de 37 anos, moradora do Parque das Tribos, Tarumã, Zona Oeste, tem um filho de nove anos, portador do espectro autista. Ela conta que durante festas e comemorações, sempre precisa dar atenção integral ao filho.

    “Meu filho tem medo. Quando começam os fogos, ele corre e se tranca no quarto. Ele fica muito assustado e com medo. Com o barulho, fica olhando para cima pedindo para que eu não saia de casa. Eu fico muito nervosa e abraço ele. Sei que para ele é muito desconfortável”, relatou a indígena. 

    O que fazer?

    A diretora da Associação de amigos do autistas no Amazonas, Leida Brasil explicou como podemos minimizar os efeitos dos fogos para essas pessoas. Os autistas são hipersensíveis aos sons por conta de um distúrbio no processamento sensorial.

    "Experimente imaginar que você está em uma rua muito barulhenta e que você consegue escutar no volume máximo o barulho dos carros passando em alta velocidade, do carro vendendo algum produto, do caminhão de lixo passando, das pessoas conversando, da mulher andando de salto alto. Imagine todos esses sons chegando ao mesmo tempo em seu cérebro no volume mais alto possível. É isso que acontece muitas vezes com pessoas com autismo que apresentam hipersensibilidade auditiva", explicou.

     O primeiro passo é preparar o autista dando previsibilidade ao barulho, explicando o momento em que as pessoas soltam fogos (por exemplo, estão felizes com a chegada do novo ano). "Como parte de uma dessensibilização gradual, mostrando imagens ou vídeos de fogos e festas de Réveillon no Youtube. mostrando  vídeos sem o áudio ou com o volume bem baixo. Repita a exibição do mesmo vídeo, mas aumentando o volume aos poucos. Avise que você ira  aumentar um pouquinho o volume", enfatizou Leida. 

    Outra opção é escolher uma música que a pessoa goste, e colocar nos minutos anteriores à hora da virada do ano. O familiar pode inclusive, buscar um local mais isolado para os minutos de foguetório. Esse local pode ser um cômodo mais protegido da casa ou mesmo o carro da família que, dentro do garagem, com os vidros fechados, pode abafar os ruídos externos.

    A indígena, junto com o filho, procuram métodos para minimizar os problemas com os sons
    A indígena, junto com o filho, procuram métodos para minimizar os problemas com os sons | Foto: Arquivo Pessoal

    Em animais 

    Os animais também são afetados diretamente pelos fogos de artifício. Não apenas gatos e cachorros se assustam com o barulho, mas todos os animais. Com a audição mais aguçada que os humanos, encaram o barulho como situação de perigo. A tendência é se afastar do barulho ou esconder-se.

    Em Manaus, um dos moradores do Condomínio Ephigênio Salles, na Zona Centro-Sul de Manaus flagrou o momento em que outro animal típico da região, os periquitos-de-asa-branca, saíram em revoada por conta do barulho dos fogos de artificio durante a comemoração da chegada de 2019. O morador afirmou ainda que apareceram periquitos mortos no dia seguinte.

    Veja o vídeo:

    Veja como ficam os animais com o barulho dos fogos de artifício | Autor: Reprodução
     

    A médica veterinária Brenda Pires (CRMV-AM 01232) dá dicas para donos de animais durante as comemorações que envolvem a prática de soltar fogos. O primeiro cuidado, segundo a especialista é identificar o medo do animal. O tutor precisa estar alerta aos sintomas do medo excessivo.

    Devido ao medo, a primeira ação desses animais é deixar de fazer atividades que os deixem vulneráveis, como comer, beber água e fazer as necessidades fisiológicas. Os animais mais ansiosos pedem para entrar nas casas. Outros choram e pedem o colo dos donos, andam curvados e colocam o rabo entre as pernas. Os sintomas mais extremos são: salivação excessiva, aumento dos batimentos cardíacos, respiração ofegante e convulsão que pode levar o animal à óbito. 

    O que fazer? 

    O tutor precisa passar segurança para o animal, pois reconhecem as expressões faciais dos donos. Uma das medidas é preparar o ambiente para o animal. Fechar as portas e janelas próximo da hora de soltar os fogos, colocar em um local que o animal se sinta seguro. Outra dica importante é colocar uma música alta no local, para tentar distraí-lo. Oferecer petiscos e brinquedos é outra ideia. As medias fazem com que o PET se sinta confortável e bem no ambiente. "Eles precisam entender que estão seguros. Os donos são essenciais nesse momento de medo e evitam até que mais animais morram", enfatizou Brenda. 

    Nos casos mais extremos, há clínicas veterinárias que atuam no natal e ano novo e oferecem atendimento integral. As faixas e ataduras são usadas também para os animais mais sensíveis. Esse método é baseado na grande sensibilidade nas patas, orelhas e regiões traseiras.  

    O ato faz com que o PET receba uma espécie de informação sensitiva, enviada ao cérebro e deixa mais calmo após a pressão ativada por seu sistema nervoso autônomo. "Um pano bem firme ou uma atadura amarrada em volta do corpo em forma de oito, estimula a segurança. O importante é não apertar demais devido a circulação sanguínea do animal", orientou a veterinária. 

    Projetos de lei

    Em 2018, a deputada estadual Joana Darc (PL) protocolou um projeto de lei que dispõe sobre o uso de fogos de artifício silenciosos em eventos em Manaus. A proposta visa proibir o uso de artefatos que causam barulho, estampido e explosões, que provocam risco à vida dos humanos e animais. A proposição não impede os festejos de fim de ano ou de qualquer época no calendário da cidade.

    A diferença de preço nos rojões com barulho e se, variam de 10 a 15 R$ de diferença. Os comuns custam cerca de 23 R$ e os fogos silenciosos R$ 40. A diferença está na simplicidade dos rojões com barulho.  Algumas cidades no Brasil aderiram a medida, entre elas estão Campos do Jordão em São Paulo; Poços de Caldas, em Goiás e Florianópolis, Santa Catarina. Com a grande movimentação dos defensores dos animais e pessoas com autismo, a pirotecnia sem barulho pode virar tendência nos próximos anos. 

    Locais em Manaus para deixar seu animal de estimação seguro para as festividades:

    Faro Fino Clínica Veterinária

    Contato: (92) 3611-4419

    Endereço: Avenida Paraíba, 678, Cachoeirinha, Zona Centro-Sul

    Clínica Veterinária Prontovet

    Contato: (92) 3663-9898/ 99988-7831

    Endereço: Rua Belo Horizonte, 321, Adrianópolis, Zona Centro-Sul.

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