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    Fé e devoção


    Em Manaus, cristãos opinam em meio a decreto de Bolsonaro sobre igreja

    Jair Bolsonaro autorizou a reabertura das igrejas em meio à pandemia do Covid-19, mas há aqueles que preferem, neste momento, seguir com a fé em casa por uma questão de prevenção à exposição ao Covid-19

    Atividades religiosas foram incluídas na lista de serviços essenciais à sociedade
    Atividades religiosas foram incluídas na lista de serviços essenciais à sociedade | Foto: Reprodução

    Manaus - Em pronunciamento, realizado na noite da última terça-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro criticou as medidas de isolamento social adotadas para evitar o avanço do novo Coronavírus e orientou que a população retomasse sua rotina e saísse de casa. Nessa quinta-feira (26), ele atualizou o decreto de serviços essenciais à sociedade e, dessa vez, autorizou as atividades religiosas com fiéis em templos. Em Manaus, igrejas e fieis, do evangelho e catolicismo, divergem sobre a retomada de atividades e celebrações.

    Em tempos de grandes crises humanitárias como a atual, causada pelo novo Coronavírus na qual milhares de pessoas morrem ao redor do mundo, muita gente se agarra à fé e espera que tudo dê certo. Mas, essa fé é abalada quando até o local de devoção é interditado?

    O período de quarentena já dura uma semana em Manaus. Desde a chegada do primeiro caso, a maioria das igrejas de diversas vertentes suspenderam suas atividades. Diante deste cenário, os fiéis buscaram diversos mecanismos para dar continuidade às celebrações, o culto online é uma das alternativas adotadas.  Apesar disso, a experiência do isolamento social e o afastamento da igreja afetam as pessoas de diferentes maneiras

    O que os fiéis acham da medida?

    Para a estudante Abigail Oliveira, de 20 anos, a situação é séria. Ainda que esteja acostumada a frequentar a igreja duas vezes por semana, ela defende a quarentena - pois acredita que é a medida mais segura contra a propagação do vírus.

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    Na minha visão, eu não acho que Deus vai ficar chateado por pararmos de prestar culto por questão de saúde pública. É preciso amar e cuidar do próximo, pensar nele, abnegar as próprias vontades em prol de um conjunto e não pensar no próprio umbigo "

    Maria Abigail Oliveira, Estudante de história

    A estudante Hannah se preocupa com transmissão comunitária
    A estudante Hannah se preocupa com transmissão comunitária | Foto: Arquivo Pessoal

    Já a universitária Hannah Toledo comparece às celebrações com menos frequência. Apesar disso, se preocupa com a transmissão comunitária especificamente na igreja em que frequenta.            

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    Há cerca de 10 mil membros na minha igreja, e todo domingo há, no mínimo, três cultos. Por isso, é muito perigoso retomar às atividades "

    Hannah Almeida Toledo, Estudante de engenharia

    Entre os mais velhos, a situação é mais delicada - uma vez que eles configuram o principal grupo de risco.

    A prática de ir à igreja faz parte da rotina de centenas de idosos, como a da dona Maria Souza, de 77 anos. Segundo a filha, Ane Celeste, antes do isolamento, ela ia à igreja católica todos os domingos para assistir missa e às terças para acompanhar a novena de Nossa Senhora das Graças.

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    A primeira semana foi difícil, pois ela ficou triste por não estar indo. Mas depois se conscientizou e agora está tranquila "

    Ane Celeste, autônoma

    Atualmente ela ora em casa todos os dias, acompanha programas e lê livros religiosos.

    A idosa Maria Souza teve que mudar sua rotina de missas e novenas
    A idosa Maria Souza teve que mudar sua rotina de missas e novenas | Foto: Arquivo Pessoal

    Nesse momento turbulento de incertezas e medo, a fé tem sido o alento na vida da idosa. Devota de Nossa Senhora, Maria tem diversas imagens da santa espalhadas pela casa para qual faz pedidos.

    A devota entrega suas aflições na mão da santa e pede por uma amiga que passa por momentos difíceis na Espanha
    A devota entrega suas aflições na mão da santa e pede por uma amiga que passa por momentos difíceis na Espanha | Foto: Arquivo Pessoal

    Ao ser questionada sobre o retorno das atividades, Ane afirma que a mãe continuará em casa, de quarentena.

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    Não vamos [filhos] permitir, e ela já está ciente que faz parte do grupo de risco e não pode ir "

    Ane Celeste, autônoma

    Posicionamento de líderes religiosos

    O pastor Amarildo Santos, líder de uma pequena igreja no bairro Petrópolis, afirma ter seguido todas as instruções de isolamento, mantendo o contato com os fiéis pelo WhatsApp, onde eles possuem um grupo da igreja e trocam mensagens bíblicas.

    A igreja do líder fica localizada no bairro Jardim Petrópolis
    A igreja do líder fica localizada no bairro Jardim Petrópolis | Foto: Arquivo Pessoal

    Sobre o novo decreto, ele conta que está analisando a situação, tendo em vista que ela representa sérios perigos aos 35 membros de igreja. Mas cogita a possibilidade de retomar às atividades caso se mostre uma opção viável.

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    Se for para abrir a igreja, estamos dispostos, pois é o momento de buscar mais a Deus "

    Amarildo Santos, Pastor

    Em um vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente da Frente Parlamentar Evangélica no Amazonas, deputado federal Silas Câmara, se posicionou a favor do novo decreto nº 10.292/2020. Para ele, a medida desperta otimismo e possibilitará a comunhão entre a comunidade.

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    Abrimos uma porta de esperança, e a certeza de que vamos poder nos unir e orar pelo Brasil e por uma libertação deste momento, que precisa de um olhar especial de Deus "

    Silas Câmara, Deputado Federal

    Confira o vídeo:

    Em vídeo, deputado Silas Câmara comemora decisão presidencial | Autor: Divulgação
     

    Nova Igreja

    Uma das igrejas procuradas pela reportagem, a Nova Igreja Batista, informou, por meio da assessoria, que as decisões das atividades são tomadas em conjunto entre vários pastores, que se reúnem uma vez por semana. Por isso, ainda não possuem nenhum posicionamento sobre a nova medida., tendo em vista que é recente o decreto. 

    Governo do Amazonas

    Nesta sexta-feira (27), Wilson reforçou que o decreto do Governo do Estado continua valendo para evitar aglomeração de pessoas em igrejas. Segundo ele, a igreja católica disse que não retomará às atividades enquanto houver risco à saúde dos fiéis. 

    "Conversei com alguns pastores, sobre a necessidade de, nesse momento, evitarmos aglomerações. Naturalmente que, nós, como seres humanos, precisamos estar ali, juntos, reunidos, para nos alimentar espiritualmente. Mas esse é o momento em que as pessoas têm que entender que, quanto menos aglomeração, mais rápido vamos conseguir superar esse momento. Conversei com os pastores das principais igrejas do Estado e eles entendem dessa forma. As igrejas continuam abertas para algum atendimento esporádico, porém sem cultos e aglomeração de fiéis", lembrou Lima.

    Assista à reportagem da TV Em Tempo:

    Confira | Autor: Alex Costa/ TV Em Tempo
     
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