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    Sem comemoração


    Filho relata: 'ela queria saúde como presente no dia das mães'

    Conheça a história de Leandro Leite que perdeu o pai e depois viu a mãe morrer em casa às vésperas da comemoração.

    Logo após perder o marido, Marcia Leite morreu por Covid-19, em casa
    Logo após perder o marido, Marcia Leite morreu por Covid-19, em casa | Foto: Arquivo pessoal

    Manaus – O dia das mães é dia de celebração e muitos filhos não terão esta oportunidade neste segundo domingo do mês de maio. Veja o relato de filho que ficou órfão de pai e mãe durante a pandemia mundial do novo Coronavírus.

    Leandro Leite no auge dos seus 28 anos testemunhou a morte da mãe na última semana, aos 50 anos. Ele relata como foram as últimas semanas de Marcia Leite com laudo de morte de Síndrome Respiratória Aguda, mas com todos os sintomas para a Covid-19. Leandro também perdeu o pai com o mesmo laudo de morte há semanas. O filho relata como foram os dias antes da morte da mãe, logo após o enterro do pai, o jornalista Roberto Augusto que morreu aos 69 anos. 

    “Quando o enterramos, ao voltar para casa eu e ela caímos em febre, começamos a tomar a medicação, antibiótico e vitaminas. Nos primeiros dias de luto, como viúva, ela queria ocupar a mente e arrumar toda a casa. Achava que suar faria a febre sair do seu corpo. No final do dia ela ficava cansada, até que pedi para ela repousar mais. Logo ela começou a reagir bem a medicação, mas perto do final de semana seguinte caiu em febre, tosse e respiração pesada”, relembra Leandro. 

    A paciente pedia saúde como presente do dia das mães
    A paciente pedia saúde como presente do dia das mães | Foto: Arquivo pessoal

    O filho comenta que por passar pela perda do esposo, Marcia não queria ir para o hospital, mas ser tratada em casa, com a família. Leandro insistia, pois, ao ver a situação da mãe estava preocupado. “Quando eu pedi para levá-la ao hospital, ela se recusou e disse: ‘se você me levar, se despede logo de mim’, ela estava traumatizada com o que tinha acontecido com meu pai”, lamentou. 

    Ele conta que ao dar um ultimato e decidir ir para o hospital em busca de atendimento, a mãe no mesmo dia faleceu em casa. 

    “Ela também foi se arrumar e passou muito tempo no banheiro, quando saiu do banho estava transtornada, mole, com os olhos abertos, um estado de choque, o olhar sem um norte e confuso. A vestimos e quando estávamos na sala indo para o carro, minha mãe caiu na cadeira de embalo e falou que estava muito cansada e olhava para todos os lados e sem um foco aparente. Então, eu pedia para ela olhar para mim, ficar firme, voltar para mim, que iríamos ajudar ela. Só dizia ‘não se preocupa meu filho, não se preocupa’ e foi ficando fraca. Eu segurava a mão dela, quando vi a garganta lutando em pulsar, até que parou e sua mão desfaleceu na minha. Foi o momento mais triste da minha vida até agora”, relatou emocionado. 

    Filho relembra a mulher carinhosa e prestativa que a mãe sempre foi
    Filho relembra a mulher carinhosa e prestativa que a mãe sempre foi | Foto: Arquivo pessoal

    Outra coisa que Leandro diz à respeito dos dias seguintes foi saber que a mãe, para poupar o filho, sofria em silêncio com os sintomas da doença. “Só depois da morte dela fui descobrir que ela pedia oração das amigas pois naquele dia começou a sentir falta de ar, mas não me contou”. 

    Embora ainda esteja em passagem pelo luto, Leandro relembra a mulher generosa que a mãe sempre foi. “A minha mãe era a pessoa mais generosa que eu conheci, ela me ensinou o que era bondade, o que era ajudar os outros sem esperar nada em troca. Ela tinha uma vontade de ajudar os outros que às vezes tínhamos que controlar, se não ficaríamos sem dinheiro, sem rancho em casa ou sem utensílios domésticos. Ela abdicou de trabalhar, de ter uma faculdade para cuidar exclusivamente de mim. É a pessoa que eu vivi 24 horas, durante os sete dias da semana, desde quando eu nasci. Sou filho único e era muito mimado por ela, ela queria que eu estudasse e trabalhasse, que ela cuidava da comida, da roupa, da casa. Agora eu vou ter que aprender a fazer tudo isso. Ela é o grande amor da minha vida e não tem como alguém alcançar o patamar dela, jamais”, disse em homenagem. 

    As melhores lembranças de Leandro Leite são da mãe carinhosa
    As melhores lembranças de Leandro Leite são da mãe carinhosa | Foto: Arquivo pessoal

    O domingo do dia das mães nunca mais será o mesmo na casa de Leandro que antes moravam três pessoas. “Vou sentir muita saudade do sabor da comida dela, do carinho que ela botava e ela adorava saber se acertou e ficava feliz com os elogios se tivesse bom. As manhãs eram sempre a cara dela acordar com cheiro de café, máquina batendo ou ela voltando da padaria cheia de guloseimas e comidinhas, pedindo para a gente comer logo enquanto o pão ainda estava quentinho”, finalizou. 

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