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    Cotas nas Universidades


    'Quase perdi a vaga do curso na Ufam para um branco', diz estudante

    O aluno desabafa que poderia ter perdido a vaga, caso alguém se autodeclarasse negro, pardo ou indígena de baixa renda, mas que não entra nos requisitos da cota

    O estudante afirma que poderia ter perdido a vaga caso uma pessoa branca se autodeclarasse na cota
    O estudante afirma que poderia ter perdido a vaga caso uma pessoa branca se autodeclarasse na cota | Foto: Lucas Silva e reprodução

    Manaus - Após a exposição de alunos autodeclarados de cotas destinadas para índios, negros e pardos, mas que na verdade são brancos e de classe média, alunos que se enquadram no sistema de cotas protestam nas redes sociais e demonstram indignação com a exposição dos fatos. 

    Luís Felipe Marques Nunes, de 21 anos, estuda Licenciatura em Física na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Em um perfil na rede social, ele contou em forma de desabafo que poderia ter perdido a chance de fazer um curso superior caso alguém autodeclarado pardo entrasse na disputa pela vaga.

    “Conseguiram derrubar a conta que expôs a galera roubando vaga de cota. Eu fico pensando que quando entrei no curso de física, foi na segunda chamada. Só tinha uma vaga e eu era o primeiro. Essa foto não seria possível se um branco classe média/alta tivesse tirado a minha vaga”, disse em protesto. 

    O estudante concorreu na vaga PPI1-Candidatos que cursaram, integralmente, o ensino médio ou equivalente em escola pública, que se autodeclararam pretos, pardos ou indígenas, com renda familiar bruta igual ou inferior a 1,5 salário-mínimo per capita. 

    Luís faz Licenciatura em Física na Ufam
    Luís faz Licenciatura em Física na Ufam | Foto: reprodução

    “Eu fiz o Enem de 2019 querendo entrar para o curso de Licenciatura em Física e consegui ser aprovado pela primeira chamada da lista de espera. Fiquei bem feliz e um pouco receoso porque sei que os processos de matrícula em chamadas de espera são bem mais rigorosos na questão de documentos. Lembro que no dia da minha matrícula, que foi no dia 27 de fevereiro, era só dar uma olhada no auditório e ficava fácil perceber alguns alunos entrando em cota que não era apropriada”, afirmou o aluno. 

    Sobre a responsabilidade da Universidade, Luís afirma que as fraudes acontecem e é de ciência de todos. Ele lamenta que as vagas destinadas para pessoas negras, pardas, indígenas e de baixa renda sofram com a corrupção dos candidatos. 

    “Eu fico surpreso que as pessoas responsáveis pelas nossas matrículas não vejam (ou se vêem, ignoram) que acontece a fraude de cota literalmente bem na frente delas. Todas as pessoas que foram expostas me fizeram refletir sobre quantas pessoas poderiam ter entrado na universidade e contribuído com o número de pretos, pardos, indígenas e infelizmente tiveram a vaga e os sonhos roubados. Isso é realmente triste”, finalizou. 

    Perfil denunciado

    O perfil denunciou os estudantes
    O perfil denunciou os estudantes | Foto: reprodução

    As páginas, tanto do Twitter, quanto do Instagram, com o ID @autodeclaradoam trouxeram publicações com os nomes, fotos, a instituição escolhida, o curso, o ano de ingresso e a modalidade de cota. As contas foram bloqueadas após suposta denúncia por parte dos denunciados. 

    Com cerca de 35 publicações, os perfis fazem denúncias e satirizam com o movimento que vem acontecendo nas últimas semanas contra o racismo. “Estamos cansados da falta de cuidado nas universidades e de pessoas privilegiadas se aproveitando de cotas. Cota não é esmola. Preparem-se para as exposições”, declarou o perfil em postagem.

    Resposta 

    Em Nota, a Ufam esclareceu que a Universidade parte do pressuposto legal de validade da autodeclaração, quando o candidato assume toda a responsabilidade pela declaração prestada quando da inscrição no Processo Seletivo e no ato da Matrícula Institucional. Dessa forma, havendo incongruência na declaração, ele pode e terá sua matrícula cancelada. 

    A Universidade se pronunciou sobre as denúncias
    A Universidade se pronunciou sobre as denúncias | Foto: Divulgação

    Por fim, a Ufam reiterou o compromisso com a legalidade e a moralidade e quaisquer denúncias devem ser formalizadas para que as medidas cabíveis sejam aplicadas.  

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