Fonte: OpenWeather

    Calor amazônico


    Manaus 40 graus: previsão é de calor intenso no verão amazônico

    Está calor aí? Pode piorar. Isto porque temporada de calor em 2020 pode bater recorde do século caso previsão de um órgão meteorológico dos Estados Unidos se confirme. Entenda!

    Expectativa é de muito calor nesta estação seca | Foto: Lucas Silva

    Manaus - O mês de agosto mal chegou e já tem chamado atenção pelas altas temperaturas registradas. Só nesta quinta (7), a temperatura alcançou máxima de 35. Cº, acima da média histórica para a data (31. Cº). Segundo meteorologistas ouvidos pelo EM TEMPO, a previsão é que este ano em Manaus seja o mais quente dos últimos dez anos.

    A informação ainda é apenas expectativa com base em previsão, como explica Ricardo Dallarosa, meteorologista do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia.

    "O mês de agosto, assim como setembro, é um dos mais quentes do ano aqui em Manaus. Nesse ano em particular a expectativa é de temperaturas um pouco mais elevadas na média, com picos (valores acima da média) mais recorrentes", comenta ele.

    Dallarosa atesta os recordes de calor e aponta previsão de órgão americano
    Dallarosa atesta os recordes de calor e aponta previsão de órgão americano | Foto: Divulgação

    Segundo o especialista, esses picos de calor fazem parte de uma expectativa criada a partir da previsão do Centro Nacional de Furacões (National Hurricane Centre - NHC) dos Estados Unidos.

    "O órgão norte-americano prevê  que a temporada de furacões deste ano (que vai de junho a novembro, portanto durante a estação de seca amazônica) pode ser similar à de 2005, quando tivemos a 2ª maior seca desse século aqui na região", explica o meteorologista.

    Dallarosa diz ainda que há uma relação entre os furacões que ocorrem nos EUA e  o calor amazônico. O fenômeno é explicado pela ciência.

    "O escoamento atmosférico [movimentação do calor na terra] sob a ocorrência desse fenômeno [de furacões] na região do Caribe e costa sul dos EUA tem a habilidade de "puxar" o ar da Amazônia ocidental, fazendo reduzir a nebulosidade e, por consequência, aumentar as temperaturas por aqui", afirma o especialista.

    Apesar da previsão, o meteorologista ressalta que o recorde de temperatura dependerá da intensidade do fenômeno, a sua localização, e também da confirmação das previsões do NHC, órgão norte-americano. 

    Todo esse calor é normal?

    Quem anda por Manaus sabe a sensação. Suor, clima abafado, raios solares que doem na pele e aquela agonia de mormaço. A pergunta que pode vir a mente é mesmo se todo esse calor é normal. Para isso, Dallarosa também tem resposta.

    Manauaras têm enfrentado calor neste início de agosto
    Manauaras têm enfrentado calor neste início de agosto | Foto: Lucas Silva

    "Estamos na estação seca e as temperaturas são mais elevadas nesse período (junho a setembro/meados de outubro) porque a nebulosidade se reduz bastante em relação ao período chuvoso. O efeito da menor presença de nebulosidade é a maior presença de radiação solar e, por consequência, maior aquecimento", explica ele.

    O meteorologista ressalta, no entanto, que esse calor pode ser maior em áreas urbanas. Segundo ele, onde há vegetação, o aquecimento é menor que em áreas impactadas pela "supressão" dessa vegetação e substituição por superfícies urbanas típicas, como pavimentação e residências.

    "Assim sendo, localmente, as temperaturas devem elevar-se relativamente durante o período diurno. O caso das chamadas ilhas de calor é um reflexo desse processo", afirma o especialista.

    Imprevisibilidade climática

    Um dos pontos que Dallarosa fez questão de ressaltar foi a 'imprevisibilidade' da previsão sobre o calor nesta temporada. Esse detalhe pode até passar despercebido na primeira leitura, mas é outro ponto importante em toda essa história. Isso porque há quem acredite que não saber como será o clima pode ser o novo 'normal'. 

    Quem introduz o assunto é Paulo Moutinho, ecologista do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). Segundo ele, a previsão é que as mudanças climáticas sejam ainda mais sérias do que já se imaginava.

    Moutinho explica como o clima está se tornando imprevisível
    Moutinho explica como o clima está se tornando imprevisível | Foto: Divulgação

    "Continuamos a emitir milhões de toneladas de gases que aumentam o efeito estufa na atmosfera. É como se engrossássemos o cobertor que nos cobre a cada ano que passa. E o maior problema é a velocidade com que isto está acontecendo, sem dar tempo para que a gente e os ecossistemas do planeja se adaptem", explica o especialista.

    Ele diz ser importante lembrar que mesmo pequenas variações da temperatura do planeta causam enormes alterações climáticas. E faz uma alegoria para ajudar a simplificar o fenômeno.

    "É como quando estamos com febre. Uma pequena variação de meio grau já nos deixa com mal-estar. Por conta da ação do homem, a temperatura da atmosfera subiu mais de 1º. C desde a Revolução Industrial. Parece pouco, mas como a febre em nosso corpo, esta alteração é suficiente para bagunçar a dinâmica da atmosfera e produzir mais eventos extremos. Se passamos de 2. °C de aumento, entraremos num clima mundial totalmente instável", alerta o ecologista.

    Clima está ficando imprevisível, defendem ambientalistas
    Clima está ficando imprevisível, defendem ambientalistas | Foto: Lucas Silva

    A imprevisibilidade é um risco, segundo Moutinho. O que dá para prever, segundo ele, é que mais eventos extremos ocorrerão, e "sem que a gente tenha condições de se adaptar".

    "Neste caso, nosso 'antitérmico' é diminuir drasticamente a emissão de gases pela queima de combustíveis fósseis e acabar definitivamente com destruição das florestas, especialmente as tropicais, como a amazônica, além de avançar com a recuperação florestal de áreas devastadas", afirma o profissional. 

    Kit temporada de calor

    Com a previsão de altas temperaturas para este ano, a começar de agora, é importante ficar por dentro de como se proteger dos efeitos dos raios solares. Para te ajudar nisso, o EM TEMPO entrevistou Ilner de Souza, médico dermatologista.  Anota as adicas.

    "Estamos chegando no período de maior temperatura, e nesse momento, além da desidratação e aquecimento da pele, as altas temperaturas podem promover também a maior concentração de raios solares e com isso agravamento de melasma, manchas solares, envelhecimento e queimaduras, de casos leves e graves", explica o especialista.

    Ilner de Souza, médico dermatologista
    Ilner de Souza, médico dermatologista | Foto: Divulgação

    Ilner diz que o essencial é a hidratação do corpo, e sugere que você sempre ande com uma garrafa que contenha algum líquido, de preferência água potável.

    "Com isso, é importante que se evite exposição solar, utilizar filtro solar em todo o corpo, não só na face. É importante também que as pessoas se hidratem bastante. Bebam de preferência, dois a três litros de líquido. Preferencialmente água", ressalta o médico.

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