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    Comemoração


    Pais que são 'pães' contam alegrias e desafios da paternidade solo

    Pais que fazem papel de pai e mãe conversaram com o EM TEMPO e contaram como foi e ainda é a experiência de criar um filho sem a figura materna

    Bruno e sua filha Thaila estão sempre juntos | Foto: Reprodução

    Manaus - Situações corriqueiras como amarrar o cabelo de uma criança, acordá-la para levar a escola ou se preocupar com lição de casa são, na maioria das vezes, preocupação das mães, mas de acordo com dados da Coordenação de População e Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 3% da população brasileira é composta por pais solos, que realizam essas tarefas com pouca ou nenhuma ajuda de terceiros.

    Alguns desses pais conversaram com o EM TEMPO e contaram como foi e ainda é a experiência de criar um filho sem a figura materna.

    "Ele é meu orgulho"

    Carlos Rater, 39, é pai de um rapaz de 19 anos. Ele conta que quando o filho tinha 2 anos se separou da esposa. Desde pequeno a criança tinha problemas de saúde como intolerância a lactose e alergia a corantes alimentícios, e por conta disso se dividia em dois trabalhos para comprar a alimentação especial para o filho, além de precisar dormir em hospitais quando o filho precisava ser internado.

    "Eu tinha que trabalhar dobrado para conseguir suprir as necessidades dele, como leite de soja e outros determinados alimentos que ele podia comer. Ele ficava doente, internado por semanas nos hospitais, e quem ficava com ele era eu. Saía do trabalho tarde da noite e ia dormir com ele, conversava com a assistente social e ela deixava eu entrar 22 hrs até a manhã. Quando ele tinha dois anos a gente se separou, não deu certo o relacionamento, mas nem por isso eu fiquei ausente dele", conta Carlos.

    Depois de passar por situações difíceis, Carlos superou e criou o filho sempre presente
    Depois de passar por situações difíceis, Carlos superou e criou o filho sempre presente | Foto: Reprodução

    O pai pediu a guarda do filho e passou a ser responsável por todo o processo de educação e cuidados básicos. Levava para tomar vacina, ao médico, à escola, enquanto muitas vezes via apenas as mães de outras crianças realizando estas atividades. Carlos conta ainda que passou por dificuldades para conseguir uma vaga em uma escola particular para o filho.

    "Eu fiquei no aguardo de uma vaga para uma escola e só depois de três meses consegui. Levava ele na rota, deixava na escola e via todas aquelas mães no pátio da escola para receber os filhos e só eu como pai. Levava ele nos ônibus para tomar vacina e percebia que as pessoas me olhavam, mas levamos isso juntos. Sempre fui presente para ele e hoje me sinto feliz e orgulhoso de ver o homem que ele se tornou, com caráter e educação", conta o pai.

    Pai presente

    Hítalo Santos tem 31 anos e é pai do Tito Samuel, de 7 anos. Pouco tempo depois do nascimento de seu filho, ele teve que se separar de sua esposa e conta que a princípio era difícil, pois quando estava casado as tarefas eram bem divididas, além da falta do instinto materno em diversas situações.

    “Depois da separação eu encontrei um desafio muito grande, pois eu acredito que é natural a mãe ter o instinto de saber o que fazer, então tinha essa falta. Eu aceitei que era pai e que tinha a responsabilidade de criar e educar uma criança, proteger, zelar. Quando ele foi crescendo, tanto na escola quanto aprendendo a falar, foi uma alegria muito grande para mim participar desse processo, da alfabetização onde ele aprendeu a ler, a falar as primeiras palavras”, conta o pai, orgulhoso.

    Hítalo é um pai presente e atencioso
    Hítalo é um pai presente e atencioso | Foto: Reprodução

    Momentos de lazer como jogar bola e andar de bicicleta são garantidos pelo pai, que conta que o filho adora correr e se divertir junto com ele. Apesar de conseguir levar com leveza a situação, Hítalo conta que um momento muito difícil foi quando o filho adoeceu e ele se sentiu desestabilizado, mas esteve presente durante todo o tratamento.

    “Nos momentos de folga eu sempre procuro dar mais atenção a ele, levar para andar de bicicleta, jogar bola. Ele gosta muito de correr também e é uma criança muito criativa. Mas uma dificuldade que eu acho que desestabiliza qualquer pai é quando o filho fica doente. Ele teve uma doença que ficou impedido de andar por alguns dias, mas sempre estive presente ao lado dele, pois sabia que era o que ele queria e precisava no momento”, explica Hítalo.

    Pai e filho são melhores amigos
    Pai e filho são melhores amigos | Foto: Reprodução

    Fera no xadrez

    Pai solo há alguns meses, Bruno Bulcão, 31, conta que a filha Thaila Cristina, 9, é o que lhe dá forças para continuar firme sem a presença da mãe, que faleceu em decorrência da Covid-19. Ele explica que a filha compreende a situação e divide com ele a falta materna.

    “Ela é o meu bem mais precioso, me dá forças para continuar nessa vida, divide o fardo pesado e me motiva. Eu sigo em frente por ela. No começo, confesso que me desesperei, nem o cabelo dela eu sabia amarrar, tinha vezes que ela queria tranças no cabelo e eu tive que recorrer ao YouTube, mas essas coisas também requerem prática e não ficava tão bom. Eu tenho a sorte de ter um anjo aqui comigo, ela é tão gentil e dizia "Pai, tá lindo meu cabelo", e me abraçava agradecendo. Isso me consola. Em saber que ela vê e reconhece o meu esforço em suprir essa necessidade”, conta o pai.

    Bruno e sua filha Thaila estão sempre juntos
    Bruno e sua filha Thaila estão sempre juntos | Foto: Reprodução

    Bruno conta que ele e a filha ainda não superaram a falta da mãe. A casa, os móveis, tudo ainda está arrumado do mesmo jeito. Uma solução que tentaram encontrar foi criar uma rotina para manterem a cabeça ocupada. “Estendi a hora da leitura e durante o dia até que está dando para passar. A noite é a pior parte. Na hora de dormir a saudade sempre vem e tenho que me fazer de forte para passar a força que ela precisa”.

    Filha é orgulho do pai até no xadrez
    Filha é orgulho do pai até no xadrez | Foto: Arquivo Pessoal

    Ele perdeu o pai muito cedo e sempre teve o sonho de formar uma família e ser um pai presente. Bruna revela que estimula a filha a jogar xadrez desde os 4 anos e sempre treinam juntos. Além de dividirem este momento, também fazem as tarefas juntos. Ele é professor de matemática e conta que há ocasiões em que ela o acompanha nas leituras e sempre foi muito apegada. Em uma ocasião, ele organizou um torneio intercolegial, com a presença de estudantes do ensino fundamental e médio, e incentivou a filha a participar. 

    O pai tenta fazer penteados na filha e apesar da falta de prática, a deixa muito feliz
    O pai tenta fazer penteados na filha e apesar da falta de prática, a deixa muito feliz | Foto: Reprodução

    "Coloquei ela no torneio apenas para testar o nervosismo e aquele clima de competição, já que na ocasião ela pretendia disputar o amazonense no ano seguinte. Na primeira partida ela já deu xeque-mate em cinco lances. Nossa, a partir daí todos já olharam para ela com espanto. O detalhe é que ela tinha apenas 8 anos de idade jogando com alunas do ensino médio. Ela chegou até a final e perdeu, mas saiu de lá quase carregada pelas pessoas e por todos que viram uma garotinha tão esforçada e inteligente. Ela tem uma frase pronta depois desse dia: ‘Jogue como uma garotinha’. Foi inesquecível essa façanha dela. E imagino as próximas vitórias da vida dela. Vai ter que ter muita raça. Muito esforço e eu vou estar lá vendo e aplaudindo todas as vitórias dela”, finaliza Bruno.

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