Fonte: OpenWeather

    Previsão


    Chuvas diminuem e calor aumenta no próximo trimestre, prevê Sipam

    Sistema que mede o clima prevê uma ligeira queda nas chuvas para o Amazonas, mas ainda dentro dos padrões considerados normais. Período é de agosto a outubro

    Chuva - Forte Chuva - Chuvoso - Alagamento - Foto Leonardo Mota | Foto: LEONARDO MOTA

    Manaus - Neste trimestre, de agosto a outubro, prepare o protetor solar e o guarda-sol, porque a previsão é de calor. Um dos motivos para as altas temperaturas será uma ligeira diminuição das chuvas no Amazonas, segundo o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam), que estuda o clima. Se por um lado essa diminuição do fenômeno está dentro do previsto, de acordo com o órgão, por outro, é importante lembrar que os próximos meses são conhecidos por registrarem chuvas torrenciais, algumas até com incidentes.

    De acordo com o novo boletim climático elaborado pelos centros regionais do Sipam, a caracterização climática da precipitação é definida pela chamada técnica dos Quantis. Esta divide cinco categorias: muito seco (0 - 15%), seco (15 - 35%), normal, (35 - 65%), chuvoso (65 - 85%) e muito chuvoso (85 - 100%).

    Com as análises de dados feita pelo sistema de climatologia, a previsão é que as chuvas no Amazonas fiquem entre 35% e 65% de precipitação, o que é considerado um valor padrão. A quantidade de chuvas pode variar um pouco a depender da região do Estado. Quem explica melhor é Márcio Segundo, meteorologista do Sipam.

    Em registros de anomalia na temperatura, norte e noroeste do Amazonas são atingidos
    Em registros de anomalia na temperatura, norte e noroeste do Amazonas são atingidos | Foto: Divulgação

    "O boletim do mês de julho indica que, durante o trimestre agosto-setembro-outubro, as chuvas deverão ficar dentro do padrão normal a ligeiramente abaixo e as temperaturas um pouco mais elevadas", explica o especialista.

    Ao final do trimestre, a tendência é que as chuvas passem a aumentar, de acordo com o Sipam. O motivo apontado é a chegada da estação chuvosa próxima ao final do ano. 

    Chuvas podem ser mais torrenciais, embora devam ocorrer menos
    Chuvas podem ser mais torrenciais, embora devam ocorrer menos | Foto: Arquivo/Em Tempo

    Embora a previsão seja de calor e discreta diminuição das chuvas, o meteorologista do Sipam alerta para os casos de tempestades, ainda que de curta duração.

    "Durante o trimestre mais seco da região (julho-agosto-setembro) os sistemas precipitantes[chuvas] são menos frequentes, no entanto, tendem a ser mais profundos (maior desenvolvimento vertical). Por esta razão, estão associados a maior quantidade de descargas atmosféricas e rajadas de vento, com chuvas localizadas e de curta duração", afirma o profissional.

    Sipam mostra anomalia de chuvas na Amazônia. Amapá e Pará são os mais afetados. Nada incomum no Amazonas
    Sipam mostra anomalia de chuvas na Amazônia. Amapá e Pará são os mais afetados. Nada incomum no Amazonas | Foto: Divulgação

    Histórico revela chuvas fortes

    Se comparado, o boletim climático para o mesmo período do ano passado (agosto a outubro) também previu que as chuvas seguiriam o padrão considerado normal, ou seja, menos dias chuvosos, mas tempestades mais fortes, quando ocorressem.

    Nos dias 16 e 17 de setembro, Manaus viu fortes chuvas assolarem a capital. O fenômeno causou estranhamento por parte da população, já que ocorreu no meio da estação seca. Uma reportagem do EM TEMPO apurou que, na verdade, essas chuvas tiveram causas excepcionais. A primeira delas foi causada por instabilidade que surgiu na cidade, e a segunda foi também uma instabilidade, mas trazida por ventos vindos do Sudoeste do Brasil. 

    À época, Márcio Segundo, o meteorologista entrevistado para esta reportagem - de 2020 - explicou que o fenômeno era comum.

    "Como estamos no período seco da nossa região, são esperados menos dias com chuva, porém tempestades podem ocorrer em alguns casos com maior intensidade, devido ao calor armazenado e o aumento da umidade relativa do ar", explica o especialista. 

    Tragédia de 27 de setembro

    No mesmo mês de 2019 houve ainda uma tempestade que merece destaque. Cerca de quatro horas de chuvas causaram danos materiais aos manauaras e provocaram pelo menos duas mortes, de acordo com os dados do Corpo de Bombeiros.

    Everaldo da Silva Lima, de 45 anos, foi uma das vítimas. De acordo com a Polícia Civil, o homem morreu após ser arrastado pela correnteza formada pela forte chuva, que o derrubou em um bueiro, onde ele se afogou. O fato ocorreu na rua Berimbau Baiano, bairro Zumbi dos Palmares, Zona Leste de Manaus.

    Uma cena também chamou a atenção de manauaras, em especial na internet. Parte do teto da Fametro, uma faculdade particular, desabou. O acidente não registrou feridos.


    No bairro de Petrópolis, um homem teria caído no igarapé próximo à Avenida Silves, por volta das 20h. A equipe do Posto Central deu a primeira resposta iniciando as buscas a partir do ponto que testemunhas indicaram onde a vítima teria caído.

    No total, o Corpo de Bombeiros registrou 20 ocorrências na noite do dia 27 de setembro, entre deslizamentos de terra, desabamentos e perdas materiais. De acordo com a Defesa Civil, o índice pluviométrico em Manaus foi de 74,2 mm por volta das 22h30. Na Zona Leste, região mais atingida pela chuva, o índice foi de 131 mm. 

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