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    Alimentação


    AM deve garantir segurança alimentar de alunos da rede pública

    Kits de merenda escolar devem cumprir lei nacional de segurança alimentar. Para especialistas, é importante que alimentos de alunos sejam ricos em frutas e verduras

    Para especialistas deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar | Foto: Semcom

    Manaus - Durante a pandemia muitas mudanças foram realizadas no âmbito escolar e o contexto da paralisação das aulas, em especial, preocupou muitos pais que contavam com a escola para fornecer alimentação aos alunos. O direito à alimentação segura e saudável se torna mais importante no atual cenário e um instrumento que promove a garantia desse direito é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), com repasse financeiro por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), a nível estadual e municipal.

    Para realizar a confecção dos kits de merenda escolar a serem entregues às famílias, é necessário levar em consideração que a Lei nº 11.947/2009 do PNAE dispõe que 30% do valor repassado pelo FNDE aos estados e municípios deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar, garantindo também a rotatividade econômica de municípios da zona rural. Porém esta proposta não está sendo seguida à risca em diversos estados brasileiros, de acordo com Vanessa Schottz, especialista em compras públicas para alimentação escolar pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e integrante da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA).

    "É importante falar que a gente tem diferentes realidades neste período da pandemia. Ao mesmo tempo que temos municípios que sequer estão ofertando os produtos naturais, por outro lado também temos um conjunto de estados e municípios que estão assegurando a alimentação aos escolares neste período da pandemia seja pela transferência de renda ou pela distribuição dos kits. Nós vimos alguns bons exemplos mostrando que é possível fornecer alimentação saudável aos escolares e manter a aquisição da agricultura familiar", conta a especialista.

    Ela explicita ainda a importância de garantir a alimentação saudável e o cumprimento da compra de produtos de famílias agrícolas para se ter uma dieta saudável, variada e o fomento dos agricultores locais. Alguns estados e municípios que faziam essa compra de agricultura familiar, no período de pandemia passam a interromper essa compra e a entregar kits sem produtos naturais o que impacta no fomento dos agricultores e do próprio município.

    "A compra da agricultura familiar pela alimentação escolar é importantíssima, ainda mais se considerarmos esse período da pandemia que é ainda mais importante para os escolares que estão em casa. É importante eles terem acesso a uma alimentação recomendada pelo guia alimentar, com alimentos básicos e a base dessa alimentação ser alimentos in natura e minimamente processados. Sem contar que a alimentação escolar tem um papel importante na formação de hábitos alimentares, é tanta diversidade no prato e no gosto que a agricultura familiar gera que isso estimula que os estudantes passem a experimentar e conhecer novos alimentos", explicou Vanessa.

    No Amazonas, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Educação e Desporto (Seduc), criou o programa "Merenda em Casa", para distribuir aos alunos da rede estadual uma alimentação adequada durante este período. Já a Prefeitura de Manaus, pela Secretaria Municipal de Educação (Semed), criou o "Hora da Merenda", com o mesmo propósito, mas para alunos da rede municipal.

    Diversos kits foram distribuídos a famílias da zona rural
    Diversos kits foram distribuídos a famílias da zona rural | Foto: Semcom

    De acordo com pais da capital e do interior, os alimentos naturais não estão presentes em todos os kits. Maria Auxiliadora, 59, mãe de uma aluna de 14 anos da rede pública municipal de ensino da Comunidade Nossa Senhora de Fátima, localizada no Tarumã Mirim, Zona Rural de Manaus, conta que o kit de merenda escolar foi entregue apenas no início da pandemia e não foram todos que conseguiram usufruir dos alimentos naturais.

    "A gente recebeu o kit merenda duas vezes. Fomos pegar na escola e veio com aqueles itens básicos, arroz, feijão, óleo. Da primeira vez que peguei não veio nenhum tipo de fruta nem verdura, dessa outra vez só veio jerimum. Alguns outros pais falaram que veio mais coisas, mas só para quem chegou primeiro. Eu não consegui ir no primeiro dia porque tive que ir a Manaus, aí quando cheguei já não tinha mais nada", contou a mãe.

    "Entregaram alimentos enlatados"

    O comerciante Gilson dos Santos, 41, morador da Comunidade do Abelha, localizada também no Tarumã Mirim, é pai de um aluno de 5 anos da escola da comunidade. Para ele, os alimentos não são suficientes para suprir a necessidade. "Eles entregam alimentos enlatados, aqueles industrializados, e cereais que são arroz e feijão. Nem a carne não veio. Da primeira vez ainda veio alface, coxinha de frango, abobrinha", contou o comerciante local.

    Para a nutricionista Daniela Silva, a alimentação saudável no período escolar é extremamente importante para o desenvolvimento do aluno. A alimentação rica em frutas e verduras é crucial para que as crianças e adolescentes tenham os minerais e as vitaminas necessárias para o crescimento e desenvolvimento intelectual.

    "Sabemos que a alimentação das crianças deve ser bastante variada para ser saudável e isso está diretamente ligado ao desempenho escolar. Não é à toa que algumas escolas contam com nutricionistas em suas cozinhas e proíbem a venda de alimentos industrializados com alto teor de gordura e açúcar. O desenvolvimento do organismo da criança depende, principalmente, da ingestão de vitaminas e minerais. Quando falta algum nutriente, a fase de crescimento é prejudicada. O órgão que mais precisa do fornecimento correto dos nutrientes é cérebro e quando a criança não tem hábitos saudáveis, sua capacidade de raciocínio e aprendizagem ficam comprometidas", explica a nutricionista.

    Daniela explica a importância da alimentação saudável
    Daniela explica a importância da alimentação saudável | Foto: Divulgação

    Além disso, Daniela conta que estudos recentes revelam que o alto consumo de alimentos ultra processados estão relacionados diretamente com o aumento do número de casos de obesidade em crianças e adolescentes, além da presença das gorduras-trans nesses tipos de alimentos que influenciam o aumento do LDL colesterol, gerando risco de doença cardiovascular, diabetes e hipertensão.

    De acordo com a Seduc, o programa “Merenda em Casa” distribui kits com itens como feijão, arroz, macarrão, farinha, açúcar, leite em pó, achocolatado, bolacha doce/salgada e sardinhas ou carne enlatada. Esses produtos compõem o cardápio da alimentação escolar e são indicados pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). 

    Além disso, a Secretaria abriu, neste ano, chamada pública para os agricultores familiares e alcançou, pela primeira vez, os 62 municípios do Amazonas. Com isso, itens como frutas, verduras, legumes e hortaliças foram adquiridos dos agricultores, movimentando a economia local e chegando à mesa dos estudantes. Os contratos previam o fornecimento e eles foram mantidos durante a pandemia.

    A Secretaria Municipal de Educação (Semed) afirma que está sendo cumprida a legislação. Foram entregues 40 mil kits da agricultura familiar, por meio do projeto 'Hora da Merenda', que equivalem a 400 toneladas de produtos agrícolas, entregues por 20 cooperativas e associações rurais. Assim, mais de 5 mil famílias de produtores rurais foram beneficiadas com o escoamento da produção, gerando renda e fomentando a economia, neste período de isolamento social.

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