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    Alerta: Igarapés de Manaus podem mudar PH do Rio Negro

    É importante destacar que a água que abastece nossas casas vem do rio Negro

    O Rio Negro abastece as casas da capital | Foto: divulgação

    Manaus - As análises preliminares da qualidade das águas no rio Negro e em igarapés localizados na área urbana de Manau apontaram que os PHs dos igarapés que cortam Manaus podem, a longo prazo, impactar também no pH do rio Negro, mudando a característica natural do rio.

    O monitoramento faz parte da primeira etapa do Programa Qualiágua, executado em conjunto com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O levantamento inicial apontou indicadores negativos devido à influência humana nos corpos hídricos da cidade.

    As coletas foram realizadas em 10 pontos, distribuídos entre o Negro, o rio Tarumã-Açu, rio Puraquequara, igarapé do Quarenta, igarapé do São Raimundo, igarapé do Franco e igarapé do Mindu.

     “Quanto menor o pH, mais ácido é o meio. Os rios do Amazonas têm naturalmente um pH ácido por conta da decomposição contínua de matéria orgânica. O que nós percebemos é uma tendência de diminuição da acidez, principalmente nos igarapés do Franco e do Mindu, que recebem muito despejo de resíduos domésticos”, explica o supervisor de Recursos Hídricos da Secretaria, Mozaniel da Silva.

    De acordo com o supervisor, alguns indicadores específicos chamam a atenção, como os índices de pH. “Quanto menor o pH, mais ácido é o meio. Os rios do Amazonas têm naturalmente um pH ácido por conta da decomposição contínua de matéria orgânica. O que nós percebemos é uma tendência de diminuição da acidez, principalmente nos igarapés do Franco e do Mindu, que recebem muito despejo de resíduos domésticos”, disse. 

    Segundo Silva, o indicador acende um alerta, sobretudo para o igarapé do São Raimundo. “O São Raimundo recebe as águas do Franco e do Mindu, antes de desembocar no rio Negro. A questão é que as águas desses dois igarapés estão chegando no São Raimundo, com um pH básico, isto é, diferente do que é considerado ‘normal’. A longo prazo, isso pode impactar também no pH do rio Negro, mudando a característica natural do rio”, explicou. 

    Além disso, o monitoramento inicial apontou que o igarapé do São Raimundo possui o segundo menor índice de oxigênio dissolvido nas águas. A pior taxa foi observada no igarapé do Quarenta (0,27 mg/L). “Em termos simples, significa dizer que não há vida nesses locais por causa da baixa oxigenação”, exemplificou o técnico Izaias Nascimento. 

    “É importante destacar que a água que abastece nossas casas vem do rio Negro. Hoje, ele ainda consegue fazer o seu processo de autodepuração e restaurar suas características ambientais naturalmente. Mas, com o passar o tempo e o aumento da poluição, ele pode perder essa capacidade aos poucos”, concluiu Silva.

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