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    Pandemia


    66% dos manauaras já foram expostos ao Coronavírus, diz pesquisa

    Conforme o estudo, a cidade já teria atingido status de “imunidade de rebanho”, no qual o vírus encontra dificuldade para se propagar

    Fotografia mostra idosa deixando hospital após se recuperar da Covid-19
    Fotografia mostra idosa deixando hospital após se recuperar da Covid-19 | Foto: Michel Mello/Secom

    Um estudo que aplicou testes de anticorpos em amostras de sangue de doadores de Manaus constatou que entre 44% e 66% da população na capital do Amazonas já foi exposta à Covid-19. Com grande contingente de pessoas sob proteção pós-infecção, a cidade já teria atingido status de “imunidade de rebanho”, no qual o vírus encontra dificuldade para se propagar.

    A conclusão está em uma pesquisa preliminar liderada pelo Instituto de Medicina Tropical da USP, com colaboração da Universidade de Oxford.

    Para chegar ao número, os pesquisadores testaram o sangue de 6.316 doadores entre fevereiro e agosto, de amostras cedidas pela Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas. Depois, calcularam a porcentagem de testes que resultaram positivos, aplicando dois tipos de correções para compensar limitações dos testes.

    Em primeiro lugar, conduziram diagnósticos em separado para avaliar a sensibilidade da marca de exame sorológico usado, o fator que revela quantidade de resultados falsos negativos. Em segundo, conduziram testes seriados em um grupo menor de voluntários infectados, para averiguar qual parcela deles deixava de testar positivo. O fenômeno ocorre porque a concentração de anticorpos diminui com o tempo.

    O número bruto de resultados positivos na cidade foi de 24%, mas, após as correções estatísticas para compensar a limitação dos testes, os cientistas constataram que o número de pessoas já infectadas deveria ser quase o triplo.

    Como as amostras de sangue eram todas datadas, os pesquisadores conseguiram reconstruir o avanço da Covid-19 na cidade, que aumentou abruptamente entre março e abril, mês que viu o pico da mortalidade, mas começou a declinar, e teve aumento apenas residual no último mês.

    “Apesar de intervenções não farmacêuticas e da mudança no comportamento da população possivelmente terem ajudado a limitar a transmissão em Manaus, a taxa de infecção em nível excepcionalmente alto sugere que a imunidade de rebanho teve papel importante para determinar o tamanho da epidemia”, escrevem os pesquisadores no portal MerRxiv.

    *Com informações do site O Globo

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