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    Coronavírus


    No AM, lotação em hospital preocupa familiares de pacientes com Covid

    O Em Tempo esteve Hospital Delphina Aziz, que, no último final de semana, quase atingiu a totalidade das vagas dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva e ouviu o drama de familiares

    Famílias vivem drama na frente da unidade de saúde
    Famílias vivem drama na frente da unidade de saúde | Foto: Daniel Landazuri

    Manaus - A angústia toma conta de quem aguarda por notícias de familiares que estão internados com Covid-19 no Hospital Delphina Aziz, na Zona Norte da capital, referência no tratamento da doença no Amazonas.

    Na manhã desta terça-feira (27), o Em Tempo esteve na unidade de saúde, que no último final de semana quase atingiu a totalidade das vagas dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) disponíveis.

    Há 12 dias internado, a família de Mariomar Prestes Viana, de 62 anos, que há quatro anos perdeu a visão em decorrência da diabetes e faz parte do grupo de risco, relatou que no início da internação o paciente chegou a ficar em um leito infantil. 

    "Ele passou oito dias em um leito de criança, estive acompanhando ele nesse período. Ele ficava muito nervoso quando descobria que outro paciente morria no mesmo apartamento. Isso porque todos os preparativos eram feitos no mesmo ambiente, sem preparo. Depois ele foi levado para a UTI e não tive mais contato, somente pelo boletim, divulgado por telefone", explicou Mirlane Viana, 43, esposa de Mariomar. 

    Após perder a irmã de 52 anos, a dona de casa Maria do Socorro, de 62 anos, tenta acompanhar o quadro clinico das outras duas irmãs, uma de 58 e outra de 60 anos, que estão em tratamento no Delphina Aziz. 

    "Essas minhas duas irmãs se contaminaram quando faziam o acompanhamento da mais nova, que, infelizmente, morreu vítima da Covid-19 no Hospital 28 Agosto. Antes de ficarem internadas, elas ainda ficaram recebendo atendimento particular em casa, mas o quadro não reverteu. As duas já estão há três dias na internação, uma se encontra na sala de reanimação para poder receber os remédios. A outra está na enfermaria", disse. 

    Além da aflição que vive na entrada do hospital, Maria conta que ainda passa por outro drama familiar. "Nossa mãe tem 84 anos e não sabe da morte e nem da internação das filhas. A outra irmã que cuida dela está tomando todas as medidas de prevenção possível e devido a isso não vejo e não abraço minha mãe há meses", lamentou. 

    Apesar do aumento no número de internações, as famílias entrevistadas, por unanimidade, ressaltaram que a equipe médica do Delphina Aziz é muito atenciosa com os pacientes.

    "Eles nos acalmam todas as vezes que nos passam o boletim por telefone. É notório que tem uma preocupação com cada paciente lá dentro. Os profissionais fazem os trabalhos deles, a falta de estrutura não é culpa deles",  disse a pedagoga Rosângela Almeida, 42, que acompanha a internação do marido, o administrador Fabrício Almeida, 47. 

    Governador prorroga  decreto de restrição
    Governador prorroga decreto de restrição | Foto: Divulgação

    'Não há segunda onda'  

    Durante coletiva, o governador Wilson Lima  explicou que os eventos políticos, reuniões, convenções, caminhada fizeram com que os casos aumentassem no interior. Além desse fator, a antecipação do período chuvoso tem facilitado o aumento de síndromes respiratórias.

    "Temos observado o que tem acontecido mundo a fora, na Europa principalmente, onde países determinaram o lockdown.  Porém, não é o caso do Amazonas, não temos indicativos de segunda onda. Mas há algumas situações que tem acontecido e nos deixado em estado de alerta e fizeram com que o estado começasse a avançar no seu plano de ampliação da rede hospitalar", explicou Wilson, após ser reunir com representantes do comercio e integrantes do Comitê de Enfrentamento à Covid-19, na sede do Governo. 

    Prorrogação do decreto 

    Wilson também anunciou a prorrogação do decreto de restrição por mais 30 dias em todo o estado. 

    Conforme o Decreto Nº 42.794, de 24 de setembro de 2020, continuam suspensos, no âmbito estadual, até o dia 26 de novembro deste ano, o acesso às áreas de praias para recreação; o funcionamento de balneários e flutuantes; além do funcionamento de bares, mesmo que na modalidade restaurante.

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