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    Dia dos Finados


    Famílias relembram entes que morreram de Covid-19 no AM

    Nesta segunda-feira (2), familiares ainda não secaram as lágrimas. A morte ainda não abandonou o quarto, a sala, o jardim onde meses atrás habitava alguém amado

    Mais de 4,5 mil mortos por Covid-19 no AM deixam saudades | Foto: Divulgação/ Semcom

    Manaus – Os 4,5 mil mortos até agora pela Covid-19 no Amazonas eram filhos, pais, mães e avós. Também eram professores, médicos, enfermeiros, costureiras, artistas, aposentados, pessoas que deixaram marcas por onde passaram. E neste Dia dos Finados, a homenagem será diferente, não terá velas, flores e nem visitas ao cemitério, apenas as lembranças dos entes queridos que partiram. 

    Nesta segunda-feira (2), familiares ainda não secaram as lágrimas. A morte ainda não abandonou o quarto, a sala, o jardim onde meses atrás habitava alguém amado. Este é o caso de Anne Gabrielly Monteiro, a jornalista nos últimos meses perdeu o pai e a mãe para a Covid-19.

    “O nosso drama com a Covid-19 começou em agosto, todos nós tivemos a doença. Minha mãe teve febre, tosse, mas não achávamos que era algo grave. Quando minha mãe desconfiou da doença pediu que meu pai não dormisse junto com ela. Foi tudo bem rápido, chegamos a levá-los no hospital e foi confirmado a doença. Minha mãe foi a primeira a ser internada, ficou bem grave e ela acabou falecendo, três dias após o falecimento dela, meu pai também foi internado e não sobreviveu”, relata.

    Os pais de Anne tinham uma rotina de cumplicidade que chamava a atenção de familiares e amigos
    Os pais de Anne tinham uma rotina de cumplicidade que chamava a atenção de familiares e amigos | Foto: Arquivo Pessoal

    Os pais de Anne tinham uma rotina de cumplicidade que chamava a atenção de familiares e amigos. Para os parentes, a lembrança que permanece é a de que cumpriram sua missão.

    “Sempre muito atenciosos, preocupados. Eles eram pessoas muito queridas por onde passavam, pelo trabalho, na família. Pessoas inesquecíveis, você pode perguntar de quem for, que vão te confirmar isso. Prezaram pela união, almoçávamos e saíamos juntos sempre. A memória que tenho dos dois é que eles foram os melhores pais que eu podia ter tido. Eles cumpriram a missão de criar eu e meus irmãos com uma boa educação, sem intolerância às pessoas. A gente viveu muito junto o tempo todo, então o que ficou deles foram os valores e memórias que nunca vão se apagar”, comenta a filha.

    Rosemay Oran, acompanhada da Mãe Débora Oran
    Rosemay Oran, acompanhada da Mãe Débora Oran | Foto: Arquivo Pessoal

    Outra pessoa que perdeu um ente querido tão cedo foi a contadora Rosemary Oran. Ela não esperava perder a mãe tão cedo para a Covid-19. 

    “Minha mãe estava passando muito mal, ninguém sabia que ela estava com a doença, a levamos ao pronto-socorro e a médica falou que não devíamos descartar a chance de ser Covid-19. Foi uma sensação horrível, senti que o mundo tinha caído na minha frente, eu achava que aquilo não ia ter esse fim. É uma situação complicada, não queria que ninguém passasse por isso”, afirma.

    Rosemary destaca a força da sua mãe, cheia de garra e sempre esteve com a família. “Ela lutou na UTI 22 dias, sei que ela estava com todas as suas forças naquele local, mas não conseguia reagir ao tratamento. Ela era forte e determinada, de uma mãe de uma dura a certo ponto, mas que tinha um grande cuidado com a gente. A saudade é imensa” comenta a contadora.

    Saudade de grande artistas locais

    Cantor e levantador de toadas Klinger Araújo, 51, deixou um grande legado para a cultura local
    Cantor e levantador de toadas Klinger Araújo, 51, deixou um grande legado para a cultura local | Foto: Divulgação

    Popularmente conhecido como “Furacão do Boi”, o cantor e levantador de toadas Klinger Araújo, 51, deixou um grande legado para a cultura local. O artista faleceu no dia 29 de setembro, após complicações causadas pela Covid-19. 

    Klinger de Oliveira Araújo era natural de Parintins, mas vivia há muitos anos em Manaus, onde realizava diversos trabalhos como levantador de toadas do boi-bumbá Caprichoso. Ele é lembrado como um dos maiores ícones do boi-bumbá no estado.

    Binho foi vítima da Covid-19
    Binho foi vítima da Covid-19 | Foto: Divulgação

    Entre os artistas que morreram para Covid-19 além do Klinger Araújo, também foram vítimas também o músico Mustafá Said 'o rei do bolero', Robson Lopes 'o Binho' e outros artistas que marcaram o Amazonas. 

    Músico Mustafá Said 'o rei do bolero', foi vítima da Covid-19
    Músico Mustafá Said 'o rei do bolero', foi vítima da Covid-19 | Foto: Divulgação

    Profissionais de saúde foram grandes heróis

    Eles lutaram até os últimos minutos por cada vida que ficou internada por conta do novo coronavirus e se foram com a doença. Foram enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos e outros profissionais. Um dos exemplos das vítimas que se foram com a pandemia, foi o médico urologista Vinicius Goulart Suzano que deixou saudades entre familiares, amigos e pacientes. 

    Médico urologista Vinicius Goulart Suzano deixou saudades entre familiares, amigos e pacientes
    Médico urologista Vinicius Goulart Suzano deixou saudades entre familiares, amigos e pacientes | Foto: Divulgação

    A diretora do Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do São Raimundo, Ana Valéria Costa de Matos, 51 anos, também faleceu no Hospital Pronto-Socorro (HPS) 28 de Agosto, vítima da Covid-19. O técnico em enfermagem Alessandro Pascoal de Souza e os médicos Altamir Bindá e Raimundo Ferreira Rodrigues também morreram no Hospital Platão Araújo vítima  da doença.

    A diretora do Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do São Raimundo, Ana Valéria Costa de Matos
    A diretora do Serviço de Pronto Atendimento (SPA) do São Raimundo, Ana Valéria Costa de Matos | Foto: Divulgação

    Altamir Bindá e Raimundo Ferreira Rodrigues também morreram no Hospital Platão Araújo vítima  da doença
    Altamir Bindá e Raimundo Ferreira Rodrigues também morreram no Hospital Platão Araújo vítima da doença | Foto: Divulgação

    O luto

    Claro, que não se perdem amores apenas para a Covid-19, mas também para acidentes, violência urbana e outras doenças.

    Para Michelle Barbosa, psicóloga clínica, o luto durante a pandemia dificulta mais ainda o processo, mas que os rituais de despedida não devem ser deixados de lado.

    “Sem poder acompanhar o paciente em seus últimos dias, sem velórios, com sepultamentos rápidos e caixões lacrados, a despedida ficou mais complicada durante a pandemia da Covi-19. Ainda que não se possa velar e enterrar o falecido, devem ser feitos rituais de despedidas. Escrever uma carta, ouvir uma música que simboliza o ente querido ou momentos marcantes associados, participar de rituais religiosos on-line, fazer um jantar em sua homenagem, fazer chamadas de vídeo com as pessoas que considere que poderão auxiliar nesse momento de tanta dor e lacunas”, explica a profissional.

    Sem despedidas

    Todos os dias o número de infectados cresce e as mortes se tornam cada vez mais recorrentes na realidade. Segundo dados da Fundação de Vigilância da Saúde (FVS), até a última quarta-feira (29), foram registrados 4,5 mil óbitos em razão da Covid-19 no Amazonas, sendo 160.596 casos confirmados. E conhecido por ser carregado de uma tradição específica: a ida ao cemitério para o sepultamento de um ente querido, o Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2) este ano teve mudanças na programação, missas, cultos e eventos religiosos que foram suspensos. Por isso, a homenagem do EM TEMPO, é em memória de vítimas de Covid-19, que neste ano em razão do Decreto Municipal 4.801 não receberão visitas de seus familiares.

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