Fonte: OpenWeather

    Reivindicação


    Rodoviários ameaçam paralisação dos ônibus em Manaus

    A categoria quer receber o 13º salário e defende a continuidade da função de cobrador

    | Foto: Marcio James / Semcom

    A partir da próxima quinta-feira (3), os ônibus em Manaus podem parar. A ameaça foi feita pelo Sindicato dos Rodoviários do Amazonas nesta segunda-feira (30). A greve foi decidida pela falta do pagamento do 13º salário da categoria. Os profissionais ainda reivindicam a continuidade da função de cobradores, que será extinta pelas empresas.

    De acordo com o sindicato, o Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região já tem uma liminar determinando uma operação mínima de 85% da frota. O pedido foi feito pelo Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Amazonas (Sinetram).

    O percentual de 15% destinado à paralisação se deve ao período de pandemia. O desembargador José Dantas entendeu que esse momento não permite maiores restrições ao serviço. Sobre a reivindicação quanto a extinção da função do cobrador, o magistrado disse que a demanda não tem fundamento na jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho. 

    Multa 

    Caso o percentual da frota em operação não seja respeitado, os sindicalistas podem pagar multa de R$50 mil para cada hora de paralisação. Os profissionais que atuam no sistema de transporte estão proibidos de fazer qualquer ação que prejudique os direitos das empresas de transporte que atuam em Manaus, determinou o desembargador.

    Segundo o TRT, não houve uma tentativa de negociação dos rodoviários com os empresários. Além disso, não há um plano de contingência de atendimento à população durante o movimento grevista.

    Sinetram

    De acordo com o assessor jurídico do Sinetram, Fernando Borges, as empresas estão conversando para verificar fontes de recursos para o pagamento do 13º da categoria. 

    “Nós estamos verificando como vamos conseguir recursos para pagar o 13º salário da categoria. Esse ano, as empresas tiveram uma redução de recursos. Nós tínhamos quase 700 mil passagens em um dia útil, após a pandemia esse número caiu para 450 mil. Um impacto de quase 30% na arrecadação. As empresas estão esperando uma resposta da Prefeitura de Manaus, inclusive, sobre o pagamento das passagens durante a eleição deste ano. Vamos conversar com a categoria para resolver esta situação até o fim da semana”.

    Tarifa sem aumento

    Fernando Borges destacou ainda, que apesar da redução do lucro, as empresas não pensam em aumentar o preço da tarifa. “As pessoas e nem as empresas que compram a recarga para os seus funcionários têm condições de pagar mais caro pela passagem de ônibus. O único recurso que temos agora é o subsídio, e nós demos negociar com a Prefeitura de Manaus”.

    Sobre a extinção da função de cobrador, Borges disse que essa tem sido uma mudança gradual em todo o sistema de transporte do País. “Outras capitais estão fazendo essa alterações, dando a possibilidade do funcionário se qualificar e migrar para outra função, como motorista ou assumir um cargo administrativo. Essa mudança deve ocorrer lentamente, em um período de 2 a 3 anos”, destacou.

    Sobre a ameaça dos rodoviários, a Prefeitura de Manaus informou, por meio de nota, que tem concedido o subsídio às empresas do transporte coletivo público da cidade, mantendo o compromisso firmado e também o diálogo com os envolvidos - empresários e rodoviários -, cabendo também a ambos manterem o mesmo papel, prezando pelo serviço público à população.

    "O poder executivo municipal ressalta que paralisação não é cabível, visto que há outras forma de resolução sem que cause prejuízos à população. Além disso, a gestão Arthur Virgílio Neto vem trabalhando intensamente para a melhoria da mobilidade urbana na capital amazonense, incluindo reforma, reconstrução e construção de terminais de integração de ônibus, de plataformas centrais e de estações de transferência de passageiros, além de promover a revitalização do asfaltamento das ruas e avenidas principais e secundárias de bairros e comunidades, por onde passam as linhas de ônibus", diz a nota.

    Comentários