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    Auxílio e Inflação


    Redução do auxílio e inflação prejudicam famílias amazonenses

    Com a redução do auxílio e o aumento na inflação, elevando o preço da cesta básica, diversos amazonenses passam a viver em um cenário de dificuldades financeiras

    Segundo economistas, com o fim do benefício, a situação irá se agravar ainda mais para as classes C e D no AM
    Segundo economistas, com o fim do benefício, a situação irá se agravar ainda mais para as classes C e D no AM | Foto: Márcio Melo

    Manaus – A prévia da inflação, em novembro, chegou a 0,81%, elevando o preço da cesta básica. Esse percentual marcou o maior índice da inflação desde 2015, com a marca de 0,85%, segundo os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Especialistas afirmam que a redução no valor do auxílio emergencial e a inflação dificultam a recuperação da economia e prejudicam as famílias no Amazonas. De acordo com eles, a situação deverá se agravar com o fim do benefício. 

    Somado à inflação, a redução do auxílio emergencial em setembro, de R$ 600,00 para R$ 300,00, comprometeu ainda mais o orçamento familiar das classes mais desfavorecidas no estado - estabelecidas como C e D, pelo IBGE - que só dependem dessa renda para sobreviver desde o início da pandemia.

    Essa é a realidade da diarista Maria dos Santos, por exemplo. Cada mês que ia ao mercado, ela se assustava com os preços. Desempregados, ela e o esposo mantêm as despesas do lar com o auxílio emergencial, comprando apenas o básico. “O auxílio nos ajudou muito. Mas o encerramento vai ser difícil para as pessoas que precisam, assim como nós”, desabafa.

    Segundo o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-AM), Francisco Mourão Júnior, a redução do auxílio e a suspensão total vai evidenciar ainda mais os problemas sociais no Amazonas. “Essa realidade vai afetar diretamente as classes C e D, mas será um impacto na economia, pois, com o consumo deles, há uma atividade econômica. A situação é preocupante”, analisa.

    Mourão ainda declara que o Governo Federal até tenta parar e, ao mesmo tempo, continuar com a ajuda, como a Bolsa Família, mas não terá a mesma abrangência do auxílio emergencial. “Antes desse benefício, essas pessoas não existiam para o Estado, eram invisíveis. Espero que o governo repense e encontre um mecanismo para tentar manter essa ajuda, porque a pandemia ainda não acabou", diz.

    No Amazonas, mais de 1,2 milhões de pessoas devem deixar de receber o auxílio a partir de janeiro
    No Amazonas, mais de 1,2 milhões de pessoas devem deixar de receber o auxílio a partir de janeiro | Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

    Para o economista Wallace Meirelles, o peso inflacionário sobre os alimentos é ainda maior para quem vive do mínimo. “A inflação espelha um valor médio com uma cesta enorme de produtos. A gente tem uma sensação, mas a inflação mostra outra realidade. A gasolina aumentou muito acima da inflação, os gêneros alimentícios subiram muito mais que a inflação, porque são itens que a gente mais precisa. A sensação e o peso da inflação é muito maior do que a gente imagina”, pontua.

    Além disso, o cenário que reúne o aumento na inflação e a redução no auxílio é responsável por agravar as dificuldades da população. Nesse contexto, Meirelles critica a falta de preparo do governo.

    “A base do consumo, mesmo que baixo, movimenta a economia. Além da queda do auxílio, tivemos um baque do poder aquisitivo em decorrência da inflação. O governo tenta se esquivar do problema da inflação e não está preparado para isso. Em outros países, os governantes se preparam para a inflação com a oferta de produtos”, argumenta Meirelles.

    Para ele, o Amazonas precisa ter uma estrutura para produzir o seu próprio alimento. A dependência de importar produtos hortifrutigranjeiros que, segundo o economista, o Estado chega a comprar de 70% a 80% desses insumos de outras regiões do país, acaba encarecendo ainda mais o custo e deixando de aquecer a economia local. Além desse vínculo, a inflação é maior para os amazonenses devido a logística para a chegada dos produtos, pela distância e infraestrutura inadequada.

    Abismo social e pobreza

    A Socióloga Maria Rute Luna apresenta que a pandemia evidenciou ainda mais a diferença das classes. “Há um abismo entre classes sociais. O Brasil é dividido entre ricos e pobres e ocupa a 7ª colocação mundial em desigualdade social. Existe a exclusão econômica, aflorada no distanciamento social. Para a maioria, foi um problema e aumentou ainda mais a desigualdade social, com a perda de emprego. A crise sanitária torna a tensão básica de saúde mais visível", analisa.

    Em 2019, 47,4% da população no Amazonas vivia abaixo da linha da pobreza
    Em 2019, 47,4% da população no Amazonas vivia abaixo da linha da pobreza | Foto: Lucas Silva

    Atrelado aos fatores referidos, o abismo é ainda mais profundo. Uma sondagem realizada pelo IBGE, em 2019, mostrou que 47,4% da população no Amazonas vivia abaixo da linha da pobreza. O percentual correspondia a 1,9 milhões de pessoas. Ou seja, é considerado na linha da pobreza pessoas que vivem com o valor de US$5,5 que, na cotação atual, corresponde a R$ 28,46 por dia.

    Já o limite da pobreza extrema, de 13,8%, sobrevive com o valor de US$1,90, ou seja, com R$9,83 por dia, com a soma de R$ 294,90 por mês, ainda segundo o instituto em 2018.

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