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    Pandemia


    Lojas do Centro abrem clandestinamente no 1º dia de restrição

    Alguns chegaram a entrar nos estabelecimentos, mas foram convidados a deixar os locais pela polícia

    As lojas fingiam estar fechadas, mas atendiam os poucos clientes que iam até o local | Foto: Ayrton Senna

    A tradicional agitação que marca as ruas do Centro de Manaus nos fins de ano se transformou em silêncio em algumas ruas bloqueadas pela Polícia Militar na manhã deste sábado (26). Barras de ferro foram colocadas nas principais portas de acesso da região da Marechal Deodoro para evitar o trânsito de lojistas e clientes. Só que em algumas ruas mais afastadas, a reportagem flagrou lojistas atendendo clientes clandestinamente. A medida visa o cumprimento do decreto estadual que fecha os serviços não essenciais pelos próximos 15 dias. Manifestantes chegaram a ir às ruas contra a decisão do governador Wilson Lima.

    Segundo o Governo do Amazonas, o Hospital Delphina Aziz, referência no atendimento de casos de Covid-19, está superlotado. Cerca de 94% dos leitos clínicos e 99% das unidades de terapia intensiva (UTIs) estão ocupados. Para frear o avanço da doença, o governador Wilson Lima emitiu um decreto na última quarta-feira (23), válido de 26 de dezembro até o dia 10 de janeiro, proibindo o funcionamento de serviços não essenciais. Este sábado é o primeiro dia do decreto.

    As ruas do Centro de Manaus registraram pouca movimentação de clientes com os fechamentos das lojas. Um cenário bem diferente para este período, se comparado com anos anteriores. O que se viu foi uma movimentação de funcionários e empresários contra as medidas de restrição que visam a diminuição da infecção do coronavírus, que aumentou nos últimos dias.

    Flagras

    Mesmo com o decreto, a equipe de reportagem do Portal Em Tempo flagrou diversos estabelecimentos driblando a medida restritiva. Lojas de roupas e calçados, que não se enquadram entre os serviços não essenciais, realizavam atendimentos a clientes apesar de estarem com placas indicando que os estabelecimentos estariam fechados. 

    A vendedora Leanida Reis, de 38 anos, disse que o decreto a pegou de surpresa. “Eu entendo a situação grave pela qual nós estamos passando, mas a medida acabou atrapalhando as nossas vendas. Eu estava planejando bater a meta na loja em que trabalho, para ganhar um dinheiro extra, mas fui pega de surpresa” disse ela. 

    Segundo  a manicure Adriana Lima, de 28 anos, que foi ao Centro comprar um sapato, o comércio deveria ter sido fechado somente após o dia 31.

    “Infelizmente, isso atrapalha muito as vendas dos trabalhadores, que já foram tão sacrificados ao longo deste ano. Acho que as lojas só deveriam ter sido fechadas após o ano novo, até porque muitos comerciantes estão desrespeitando a norma”, pontuou Adriana.

    Conforme a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), até esta sexta-feira (25), 191.976 pessoas já haviam sido infectadas pelo novo coronavírus em todo o Estado. O total de mortos já chega a 5.085.

    Protesto

    Centenas de lojistas protestaram, na manhã deste sábado, contra a medida restritiva. A manifestação teve início às 9h, na avenida Eduardo Ribeiro, bairro Centro, zona Sul de Manaus. Eles gritaram palavras de ordem, exigiram o fim do decreto e a reabertura  imediata de todo o comércio. A Polícia Militar foi chamada para retirar as pessoas que bloquearam as ruas da região da Praça da Matriz. 

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