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    Pandemia


    Coração, cérebro, pulmão: sequelas da Covid-19 após a recuperação

    Pulmão e órgãos podem ficar prejudicados por meses, mesmo após a recuperação do vírus

     

    Ainda não se sabe sobre o impacto total para o coração
    Ainda não se sabe sobre o impacto total para o coração | Foto: Reuters

    Manaus - Logo no início da pandemia, com pesquisas dia após dia sendo feitas, a Covid-19 era entendida apenas como uma doença pulmonar. Mas não demorou muito para entender que se trata de uma enfermidade sistêmica, que afeta praticamente todos os órgãos e funções do corpo. Alguns estudos apontam para sequelas graves depois de algum tempo.

    Um pequeno estudo feito na Alemanha e publicado na revista Jama Cardiology em julho mostra como o vírus afeta o coração. Pesquisadores estudaram cem pessoas, com idade média de 49 anos, que se recuperaram da Covid-19, maioria dos casos foi assintomática ou apresentou sintomas leves.

    Ainda não se sabe sobre o impacto total para o coração, dependendo do grau de agressão ao músculo, porém, pacientes que contraíram o vírus devem permanecer atentos aos sintomas após a doença, explicou o cardiologista Aristoteles Alencar.

    “Ainda não sabemos ao certo. Dependendo do grau de agressão ao músculo cardíaco, as sequelas poderão aparecer no futuro. Uma das maneiras de medir essa agressão na fase aguda é a dosagem do D-Dímero, que serve para avaliar o quanto o miocárdio está sendo afetado. Tem pacientes que têm a Covid e o D- dímero permanece normal. No entanto, outros apresentam valores elevadíssimos, em torno de 5 mil a 8 mil (normal até 500). Tenho observado diversas queixas. A mais comum são as palpitações”, comentou. 

    Quem testou positivo para a doença deve ficar atento à saturação do oxigênio abaixo de 94, além da pressão arterial muito baixa, frequência cardíaca elevada, coração acelerado e a dificuldade para respirar. 

    O cardiologista pontuou ainda que ter histórico de atleta ou saúde em dia, não é uma garantia de que o vírus pode não atingir o indivíduo. A doença pode se agravar ainda mais caso a pessoa seja fumante e faça ingestão de bebidas alcoólicas. 

    “Essa doença é uma roleta russa. A maioria tem formas leves, poucos agravam e menos ainda necessitam de assistência ventilatória por intubação. Se a carga viral for alta e o organismo não estiver em boas condições a probabilidade da doença se agravar é grande. Por isso as pessoas devem parar totalmente de fumar (o pulmão é muito afetado nessa doença); parar de beber bebidas alcoólicas. O álcool sobrecarrega o fígado, que quando afetado pela doença pode ficar muito comprometido”, afirmou. 

    Confusão mental

    A ocorrência de uma série de sintomas neurológicos também pode aparecer, que vai desde a confusão mental até a dificuldade cognitiva e a delírio entre pacientes da Covid-19.  

    Um estudo recente da University College London chamou atenção para um caso raro e grave de encefalite que tem acometido alguns pacientes, chamada de encefalomielite aguda disseminada.

    Além da falta de ar, perda do olfato e do paladar, as sequelas podem ser mais graves para pacientes após a Covid-19, como:  a falta de capacidade respiratória e a bronquite pós-infecciosa podem ser as sequelas mais graves, afirmou o médico pneumologista David Luniere.

    “A sequela mais grave é fibrose pulmonar, muitos pacientes vão perder capacidade respiratória devido a uma alteração anatômica no pulmão, é algo irreversível, o que o paciente pode fazer é fisioterapia respiratória para tentar dar comando de respiração. Outra sequela é a bronquite pós- infecciosa, em  que algumas vezes o paciente não tem alteração anatômica, mas queixa para o médico de limitação respiratória. Além disso, temos a tosse crônica, seca e irritativa”, explicou.

    Tratamento psicológico é recomendado

    Nesse sentido, os mais afetados do ponto de vista respiratório, são aqueles que sofrem com asma, enfisema pulmonar e com as sequelas de tuberculose, além de idosos, diabéticos e obesos.

    Luniere recomenda além do tratamento pós-covid, o acompanhamento psicológico dos pacientes.

    “Um dos principais tratamentos que devem ser pensados é o tratamento psicológico. O paciente fica com medo, depressão, chora facilmente, principalmente aqueles que ficam em hospitais, estão vendo outros pacientes, mortes recorrentes, equipes de médicos, o paciente fica angustiado e está imaginando ser o próximo, quando o paciente sai de alta, precisa de um tratamento psicológico”, disse.

    Os sintomas vão desde perda de força muscular, alterações da sensibilidade e da força motora por disfunção dos nervos até depressão, ansiedade, alterações cognitivas, prejuízo de memória e da capacidade de raciocínio.

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