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    Pandemia


    Estudos apontam que cepa da Covid-19 de Manaus pode dominar o Brasil

    As viagens interestaduais e o fraco isolamento social por parte da população em todo o país são responsáveis pelo espalhamento da variante

    A variante tem maior poder de transmissão e pode infectar pessoas que já tenham imunidade | Foto: EDMAR BARROS / FUTURA PRESS / ESTADÃO CONTEÚDO

    Manaus (AM) - A nova variante do coronavírus originada em Manaus foi responsável pelo colapso registrado em todo Amazonas em janeiro e deve se espalhar por todo o Brasil em um mês, conforme pesquisadores que estudam a pandemia no país.

    O infectologista Marcus Lacerda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Amazonas, afirmou que a nova cepa já está em outras regiões do país e deve se tornar dominante. "Em cerca de um mês já deve prevalecer sobre outras no monitoramento", disse ao Globo.

    A variante conhecida como P.1 foi identificada primeiramente no Japão, após quatro passageiros de Manaus que desembarcaram em Tóquio terem sido diagnosticados com Covid-19. O sequenciamento do vírus feito no Japão foi comparado com os sequenciamentos de amostras do Amazonas colhidas entre abril e novembro e foram constatadas semelhanças.

    Um artigo de um grupo de estudos internacionais composto pela Universidade de Oxford, King's College, Universidade Harvard e USP, publicado nesta quarta-feira (27), indica que a variante é responsável pela segunda onda em Manaus.

    O estado do Amazonas sofre com um forte aumento de casos da Covid-19 e sobrecarga no sistema de saúde público, com falta de oxigênio em hospitais e transferência de pacientes. E nesta sexta-feira (29) o governador do Amazonas Wilson Lima prorrogou o decreto e suspendeu o feriado do Carnaval.

    Maior poder de transmissão

    A nova variante da Covid-19 de Manaus já predomina no Amazonas, conforme estudo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) e o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen).

    Conforme estudos da Fiocruz, a variante da capital amazonense evoluiu regionalmente a partir dessa linhagem e agora carrega o nome de P.1. e virou uma linhagem própria, a B.1.1.28.1. De diferente ela possui dez mutações no gene que codifica a proteína S (de “spike” ou espícula, o gancho molecular usado pelo coronavírus para se conectar às células humanas), três delas na chamada região de ligação com receptor —algo preocupante porque ela está diretamente associada à entrada do vírus nas células.

    “Essa variante no Japão chama muita atenção como a variante inglesa e a africana, porque elas acumularam muitas mutações em pouco tempo, acima do que estávamos vendo até o momento”, explica o Dr Felipe Naveca, virologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, ao EM TEMPO.

    O Ministério da Saúde confirmou um caso de reinfecção pela nova variante no Amazonas. Uma paciente foi diagnosticada com a infecção pela primeira vez em 24 de março, e no dia 30 de dezembro, nove meses depois, obteve o segundo diagnóstico positivo da Covid-19 pelo exame RT-PCR.

    São Paulo já confirmou três casos da P.1 e destinou um hospital para o tratamento de pacientes infectados com a cepa.

    As viagens interestaduais e o fraco isolamento social por parte da população em todo o país são responsáveis pelo espalhamento da variante em todo o território brasileiro, explica o pesquisador Marcus Lacerda. 

    O Reino Unido e outros países suspenderam a entrada de voos chegados do Brasil devido à nova variante.

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