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    COVID-19


    Covid-19: preço do Mastruz sobe e amazonenses chegam a pagar R$ 40

    A foto de uma bandeja de mastruz de R$39 viralizou na internet nesta semana

     

    O que antes custava R$ 3 agora é encontrado com preço de até R$40
    O que antes custava R$ 3 agora é encontrado com preço de até R$40 | Foto: Brayan Riker

    Manaus - Por conta do alto poder curativo, além de vitaminas e sais minerais, o mastruz virou um aliado dos amazonenses na luta contra a Covid-19. Entretanto, devido a grande procura pela erva, o preço do produto aumentou de maneira significativa nos últimos dias, chegando a custar R$ 40 em supermercados e feiras da capital.

    Mesmo sem eficácia comprovada no combate ou na prevenção da Covid-19, os amazonenses correram para feiras e supermercados em busca do mastruz, mas acabaram se surpreendendo com o aumento desproporcional no preço.

    Após a foto de uma bandeja de mastruz de uma rede de supermercados viralizar na internet com o preço de R$39, a equipe Portal EM TEMPO foi as ruas conversar com populares e comerciantes para entender o motivo.

    O preço mais em conta foi encontrado no Mercado Adolpho Lisboa, no Centro do Manaus, mesmo que ainda longe dos preços de antes da pandemia. Na popular "Banca da Japonesa", que há anos atua no mercado, a porção média do mastruz pode ser encontrada por R$15, sendo que neste mesmo período do ano passado, era possível encontra-las por R$5 ou menos.

     

    Comerciantes lamentam o aumento nos preços
    Comerciantes lamentam o aumento nos preços | Foto: Brayan Riker

    O vendedor Anderson Duarte conta que o aumento dos preços está além da demanda. “O nosso aumentou porque não podemos mais comprar do interior. Nosso fornecedor trazia a compra de barco e como agora está tudo fechado, temos que comprar em outro estado e trazer pela estrada. É muito mais caro”.

    Durante a pesquisa de preço, no mesmo local, a banca ao lado vendia quantidade equivalente a mesma porção por R$ 10. Da mesma forma, eles acusam os fornecedores de encarecerem o produto e lamentam que o consumidor pague por isso ou os culpem pelo valor.

    Como alternativa, a venda de batidas prontas com a erva e demais itens é oferecida e tem sido bem popular. A mistura custa entre R$10 a R$15, dependendo do local e promete aliviar sintomas respiratórios diversos, sejam eles de covid-19 ou não. Na feira Manaus Moderna, vendedores relembram que o preço já chegou a mais de R$ 40.

     

    Misturas prontas com mastruz são alternativa para o alto preço da planta.
    Misturas prontas com mastruz são alternativa para o alto preço da planta. | Foto: Brayan Riker

    Em unidades de grandes redes de supermercados, localizadas nas Zonas Oeste e Norte da cidade, o produto não foi encontrado. De seis estabelecimentos verificados, de diferentes redes, apenas um possuía estoque de bandejas pequenas, duas vezes menor que as porções encontradas nas feiras e custando cerca de R$12.

    Um funcionário, que preferiu não ser identificado, lamenta a situação. “Tem saído muito, é verdade, mas está demais. Antes vendíamos essa mesma bandeja por R$3 e hoje está assim. As pessoas compram porque precisam para fazer chá, ainda mais nessa pandemia”, afirma.

    Na feira da Alvorada, a feirante Carla Perez Perez é uma das poucas que vende o produto de forma acessível e diz pensar no consumidor sempre, justamente por saber que muitos procuram para cuidar de sintomas respiratórios.

    “Antes da pandemia, meu fornecedor vendia um maço bem grande por oito reais, hoje ele cobra R$ 25. Não vou fazer isso com quem compra na minha banca, com quem precisa”, afirma.

     

    | Foto: Brayan Riker

    “Acordo 3h para ir lá na beira pegar, lavar, cuidar.  Faço promoção e se tiver faltando dinheiro para completar eu vendo mesmo assim. Tem que ser assim”, completa a feirante ao falar sobre o lado dos compradores.

    E afinal, funciona?

    Segundo pesquisadores da Ufam, em pesquisa publicada na Revista Internacional Memórias do Instituto Oswaldo Cruz no ano passado e feita em abordagem computacional, a planta pode ter efeitos anticoagulantes e anti-inflamatórios e sua proteção potencial contra lesões agudas do pulmão.

    No entanto, é muito cedo para afirmar que é 100% eficaz. “Obviamente, são necessárias mais pesquisas para atestar os resultados relatados no paper. No entanto, nos parece evidente, a necessidade de investigar o potencial de D. ambrosioides como fitomedicamento para uso contra Covid-19”, explicaram.

     

    Pesquisadores aconselham estudo mais aprofundado sobre o assunto.
    Pesquisadores aconselham estudo mais aprofundado sobre o assunto. | Foto: Brayan Riker

    Os especialistas também reforçam que essa pesquisa, por não ser mais aprofundada, não comprova que a planta previna ou até mesmo trate a doença, não recomendando em nenhuma hipótese que o paciente abandone os cuidados médicos para tomar derivados do mastruz.

    Preços abusivos

    Segundo o diretor-presidente do Procon/AM, Jalil Fraxe, antes de tudo se deve analisar o preço do produto com base no custo operacional e lucro, para que caso o preço aumente de forma repentina e sem justificativa isto seja considerado preço abusivo. No caso do mastruz, é necessário que o consumidor tome a frente.

    “É importante que o consumidor denuncie e nos encaminhe imagens, fotos, prints que possam embasar essa informação. Nas nossas fiscalizações, pedimos que os estabelecimentos encaminhem as notas fiscais de compra e venda de um determinado período de tempo para que possamos fazer análise do valor”. O diretor ainda reforça que se caso seja comprovado que a culpa é dos fornecedores, eles serão responsabilizados.

    Para denunciar, o consumidor pode entrar em contato com o Procon/AM através das redes sociais (Instagram @procon_amazonas e Facebook Procon Amazonas), no telefone 3225-4015 ou pelos e-mails [email protected] e [email protected]

     

    Especialistas também reforçam que essa pesquisa, por não ser mais aprofundada, não comprova que a planta previna ou até mesmo trate a doença
    Especialistas também reforçam que essa pesquisa, por não ser mais aprofundada, não comprova que a planta previna ou até mesmo trate a doença | Foto: Brayan Riker

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