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    Planejamento urbano


    AM é o estado com maior proporção de ocupações irregulares do país

    Sem planejamento urbano, essas áreas cresceram desordenadamente e causaram consequência direta ao meio ambiente e à temperatura em determinados pontos isolados na cidade

     

    Parte da área do bairro Educandos, zona sul de Manaus, possui casas em áreas de risco
    Parte da área do bairro Educandos, zona sul de Manaus, possui casas em áreas de risco | Foto: Hector Silva

    Manaus (AM) - Dos 653.218 domicílios existentes Manaus, mais da metade (53,3%) estão em aglomerados subnormais – mais conhecidos como favelas, invasões, palafitas e loteamentos, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Sem planejamento urbano, essas áreas cresceram desordenadamente e causaram consequência direta ao meio ambiente e à temperatura em determinados pontos isolados na cidade.

    O estudo, denominado ‘Aglomerados Subnormais: Classificação preliminar e informações de saúde para o enfrentamento à Covid-19’, também aponta que cerca de um terço (34,59%) dos 1.138.985 domicílios estimados no Amazonas estão em aglomerados subnormais.

    Deslizamento de terra e o contato com doenças provenientes de águas poluídas são algumas das realidades vividas por esses cidadãos. Preocupados com isso, alguns dos arquitetos de Manaus, por meio da autarquia que os representam, realizam ações que incentivem um planejamento urbano sustentável capaz de preparar as cidades para prevenir e resistir a catástrofes naturais, além de promover igualdade social.

    O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), o arquiteto e urbanista Jean Faria, está à frente de um projeto que está em andamento, mas que já tem avanços. “Elaboramos uma carta aberta e entregamos para o atual gestor de Manaus em setembro de 2020, nela propomos um projeto de cidade sustentável no pós-pandemia, abordando 51 pontos sobre saúde, sustentabilidade, governança e financiamento, paisagem e patrimônio e mobilidade e inclusão

     

    Deslizamento de terra e o contato com doenças provenientes de águas poluídas são algumas das realidades vividas por esses cidadãos
    Deslizamento de terra e o contato com doenças provenientes de águas poluídas são algumas das realidades vividas por esses cidadãos | Foto: Arquivo EM TEMPO

    Para Faria, o projeto é complexo e precisa de tempo para ser apresentado. “É um projeto ainda em andamento. Estamos mapeando bairros de Manaus primeiramente que apresentem áreas de risco. O objetivo não é só habitacional. É também fazer com que as pessoas continuem vivendo no mesmo local, porque se não elas acabam retornando para a área em que viviam. Bem ao moldes do que foram prosamim e prohurb”.

    Para o analista ambiental  Marcelo Dutra as ocupações irregulares trazem um gasto maior para o estado. "Toda ocupação deveria passar por um planejamento urbano, ambiental, verificar se aquela ocupação pode causar prejuízos a igarapés, dentre outras consequências. Quando uma ocupação começa irregularmente tudo isso é jogado fora. Logo o estado terá mais gastos para reduzir os danos causados pela ocupação.

    Enquanto o projeto não é finalizado, várias famílias aguardam um retorno sobre a situação em que se encontram. Um desses casos, o do aposentado Alberto Pereira, morador da rua Umberto de Campos, no bairro São Jorge, Zona Oeste de Manaus, o projeto Prosamim já passou próximo da sua casa, mas até o momento não houve reforma da área. “Várias pessoas já foram retiradas de suas casas daqui. A minha foi demarcada, mas até o momento nada”.

     

    Casa do sr. Alberto Pereira foi demarcada pelos agentes do Prosamim, porém ele ainda não foi contemplado. Parte da casa que é de madeira alaga todos os anos
    Casa do sr. Alberto Pereira foi demarcada pelos agentes do Prosamim, porém ele ainda não foi contemplado. Parte da casa que é de madeira alaga todos os anos | Foto: Hector Silva

    A rua Umberto de Campos todos os anos sofre com as cheias dos rios. Seu Alberto mostrou ao EM TEMPO os níveis em que água chega. “Demarcamos todos os anos em um poste. O nível mais alto atingido foi em 2012. A minha casa sempre alaga. Junho está vindo aí”, afirma ele.

     

    Morador da rua Umberto de Campos há 50 anos, Sr Alberto mostra as marcações das cheias feitas em um poste de energia
    Morador da rua Umberto de Campos há 50 anos, Sr Alberto mostra as marcações das cheias feitas em um poste de energia | Foto: Hector Silva

    Enquanto isso, em outra zona da cidade, no bairro Educandos, mais precisamente na rua Delcídio do Amaral, Zona Sul da Cidade, vive Rosivaldo Coelho. Morador da mesma casa há 40 anos, Rosivaldo não vê a hora de um projeto chegar para  melhorar a sua comunidade. “Aguardo ansioso por esse momento. Estou desempregado e não posso melhorar a minha casa. Ela não alaga, mas está em um situação de risco. Aqui próximo mesmo já houve um grande incêndio”, lembra ele.

    Em nota a assessoria de imprensa da Superintendência Estadual de Habitação (Suhab) informou que os moradores afetados pelo incêndio foram indenizados. Ao todo foram investido 11,3 milhões de reais para ajudar mais de 500 famílias.  Quanto a projetos do prosamim ou prohurb a Unidade Gestora de Projetos Especias (UGPE), responsável pelos projetos citados informou que estão realizando estudos de concepção para elaboração de outro programa nos moldes do Prosamim em áreas da capital e do interior como é o caso do bairro Educandos. A UGPE informou ainda que a secretaria está envolvida no momento com o Prosamim III e que podem haver futuros projetos em breve.

    As Zonas Norte e Leste são as que mais possuem áreas de riscos habitacionais, conforme aponta o mapeamento das áreas de risco geológico da zona urbana de Manaus realizado pelo Serviço Geológico do Brasil – CPRM.

    Estima-se que em Manaus 189.252 pessoas estejam vivendo em áreas de riscos, destes 66.108 estão em risco alto ou muito alto. Entre esses riscos estão os deslizamentos de terras que tendem a aumentar neste período do inverno amazônico e o risco de inundações e alagamentos. No total o estudo revelou 11,79km² de áreas de risco na área urbana de Manaus.

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