Fonte: OpenWeather

    Pandemia


    Estudo no AM relaciona mudanças climáticas a partos prematuros

    Argumento é que períodos de seca e enchentes podem privar mães de uma alimentação adequada e causar quadros de estresse, atingindo diretamente a gravidez

    Conforme os pesquisadores, mulheres de comunidades ribeirinhas que enfrentam secas ou enchentes durante a gestação têm maior probabilidade de terem partos prematuros | Foto: Brayan Riker

    Manaus (AM) - Cientistas da Universidade de Lancaster, no Reino Unido, e da Fundação Oswaldo Cruz descobriram que mudanças climáticas estão levando a um problema ainda pouco relacionado: o nascimento prematuro de bebês. Os pesquisadores compararam os níveis de chuva, duração da gravidez e peso de cerca de 300 mil bebês que nasceram entre 2006 e 2017 na região amazônica, para chegar a conclusão do resultado. O estudo foi publicado na revista científica Nature Sustainability.

    Conforme os pesquisadores, mulheres de comunidades ribeirinhas que enfrentam secas ou enchentes durante a gestação têm maior probabilidade de terem partos prematuros (antes de completar 37 semanas). Além disso, é mais provável que seus bebês nasçam abaixo do peso, não importando se eles chegarão antes do tempo ou no período ideal.

    Os bebês analisados tinham cerca de 183 gramas a menos do que aqueles nascidos em épocas sem climas extremos, sendo que o número aumentava para 646 gramas quando considerados grupos menos favorecidos socioeconomicamente. As chuvas intensas, mas não extremas, também foram associadas a uma chance 40% maior do bebê nascer abaixo do peso

    O estudo

    Os pesquisadores estudaram dados de 2006 a 2017 de nascimento em 43 municípios do estado do Amazonas, altamente dependentes de rios. Os cientistas descobriram que a quantidade de precipitações durante a gravidez afeta o peso e a altura do bebê durante o nascimento.

    Condições climáticas extremas contribuem para parto prematuro, quando bebês nascem com peso e altura abaixo do normal, conforme os dados. A possibilidade de baixo peso em bebês durante o nascimento é 40% mais alta após chuvas fortes. "A redução de peso durante o nascimento corresponde a quase 200 gramas", segundo os pesquisadores.

    As condições climáticas extremas podem afetar a saúde das mães e de seus futuros bebês de maneiras diferentes, por exemplo, causando interrupção de colheita, reduzindo acesso à alimentação e aumentando a propagação de infecções, destacaram os especialistas.

    "As chuvas extremamente fortes na Amazônia causam inundações em rios que ameaçam as famílias mais pobres com o risco de doenças, transmitidas via água e criam condições ideais para reprodução de mosquitos, o que leva a surtos de malária ou dengue", afirmam especialistas no estudo.

    Os cientistas concluíram que as mudanças climáticas na Amazônia causam fortes preocupações.

    Cuidados

    “Os efeitos do calor normalmente estão mais relacionados à grávida do que ao bebê. Nessa época, as gestantes transpiram muito, o que pode resultar em desidratação, se não compensada com ingestão de líquidos. Pode haver também diminuição da pressão arterial (hipotensão), com possibilidade de tontura, mal-estar, sensação de desmaio e até perda dos sentidos passageira, com queda”, informa o ginecologista e obstetra Edilson Ogeda.

    Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), um dos maiores riscos das grávidas em se exporem a altas temperaturas é a hipertermia. Esse termo representa uma elevação da temperatura do corpo (podendo superar os 40°C) que pode trazer riscos para mãe e bebê, especialmente se for muito intensa.

    Beba bastante líquido

    Para se protegerem do calor e evitarem complicações, as grávidas devem tomar alguns cuidados importantes, como procurar ambientes bem ventilados, evitar aglomerações, beber muito líquido, usar roupas leves, não tomar banho muito quente e prolongado, comer pouco e com frequência e ingerir frutas, visto que estas são ricas em água e sais minerais.

    O contato com o sol forte do verão também pode ser muito perigoso para a pele das gestantes. Por isso, recomenda-se que elas cuidem também dessa parte específica da saúde, usando filtro solar, hidratantes, bonés e evitando os horários de sol mais quentes. “A exposição ao sol, desprotegida e por tempo prolongado, pode causar queimaduras e também manchar a pele (ou intensificar manchas já existentes)”.

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