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    Covid-19


    Mais de 75 mil amazonenses ainda não foram se vacinar

    Dados do vacinômetro mostram que alguns amazonenses seguem de forma negacionista quanto à vacina

    Alguns amazonenses ainda não se imunizaram, pois temem "virar jacaré" | Foto: Prefeitura de Manaus

    Manaus (AM) - Apesar de quase dois meses de campanha de vacinação contra a Covid-19 no Amazonas, há pessoas que ainda não procuraram os postos de vacinação. Segundo o vacinômetro, 75 mil pessoas, de todos os grupos  prioritários, ainda não foram tomar a primeira dose do imunizante. O total de doses paradas nos postos é suficiente para vacinar 65% de todo o grupo etário de 60 a 69 anos em Manaus, que é de 115 mil.

    Atualmente 225 mil doses foram aplicadas desde o dia 19 de janeiro, primeiro dia da vacinação em Manaus. Em uma cidade de mais de dois milhões de pessoas, pesquisadores já alertaram que pelo menos 90% delas precisam ser vacinadas para que ocorra uma diminuição do impacto da doença na população que já matou mais de 11 milhões de pessoas em todo o estado.

    Segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (SES-AM), 63.317 profissionais da saúde deveriam ser vacinados em Manaus, porém 61.812 receberam o imunizante até a quinta-feira (11), o que representa um número satisfatório mas que ainda falta pouco mais de 1.500 profissionais para serem vacinados. Este número representa os profissionais da saúde que não procuraram os postos de saúde na capital.

    Dos idosos acima de 80 anos, 20.259 tinham de receber a dose, porém 18.865 receberam a vacina, ou seja, 93% do público alvo. Entre os idosos de 75 a 79 anos, 16.493 receberam a dose dos 18.637 que deveriam ser vacinados, o que significa somente 88,5% do público alvo.

    Quando se consideram idosos entre 70 e 74 anos,  27.560 receberam a dose, entre os 31.087 que deveriam ser contemplados, ou 88,65%. Até o fim de fevereiro, menos de 80% dos idosos entre 70 e 74 anos haviam procurado os postos de saúde.

    Fake news de virar "jacaré"

    Alguns indígenas em todo o estado possuem uma certa resistência. A Fundação Nacional do Índio (Funai) estima que existem no Amazonas 350 comunidades/aldeias e 291 deles foram vacinadas. É bem verdade que alguns locais são de difícil acesso, mas alguns agentes de saúde já enfrentaram problemas.

    A promotoria de Justiça de Carauri teve que acompanhar de perto a vacinação da população indígena na Terra Indígena Igarapé Preto Bauana, do povo Kanamari, uma das três tribos localizadas no território do município, distante cerca de 788 km da capital.

    O promotor de Justiça Eduardo Gabriel precisou realizar um procedimento administrativo para que o estado conseguisse acompanhar o plano nacional de operacionalização da vacinação contra o Covid-19 em Carauari. O Ministério Público Federal já havia recomendado que todos os indígenas tenham prioridade na vacinação.

    Segundo o promotor, a falta de informações concretas sobre a vacina é uma das realidades da população indígena naquela região. Os indígenas demonstraram receio quanto ao imunizante. Em conversa com o promotor de justiça, o chefe indígena, Atowé Kanamari, revelou que o medo da vacina se originou de vários boatos. O líder da aldeia também relatou que alguns índios ouviram falar dos efeitos colaterais da vacina, dentre eles, a possibilidade de adquirir características de um jacaré.

    "Conversei com o chefe indígena, principalmente sobre a responsabilidade que o líder possui, pela própria posição ocupada, de dar o exemplo e tranquilizar os mais jovens quanto aos efeitos da vacina. Após a vacinação do chefe indígena, alguns jovens que haviam desistido de tomar a segunda dose, compareceram e também foram vacinados", relatou Eduardo Gabriel.

     

    Indígenas que vivem em Carauari apresentaram resistência à aplicação da vacina
    Indígenas que vivem em Carauari apresentaram resistência à aplicação da vacina | Foto: Divulgação/Ascom MPF

    Importância da vacina

    O pesquisador da Fiocruz Jessem Orellana alerta sobre a não adesão às vacinas do novo coronavírus e a falta da segunda dose. “As vacinas que estão sendo usadas no Brasil são baseadas no princípio de duas doses. A primeira dose é uma estimulação do sistema imunológico e a segunda dose é um reforço. A última é tão importante quanto a primeira”.

    O pesquisador alerta também quanto ao uso de máscara. “Mesmo quem já tomou a primeira dose, não pode relaxar. Os usos das máscaras devem continuar”.

    A CoronaVac, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac e que está sendo aplicada no Brasil, é eficaz contra as três variantes do novo coronavírus que circulam no país: a britânica (B.1.1.7), a sul-africana (B.1.351) e a brasileira (B.1.1.28), da qual são derivadas as chamadas P.1 (de Manaus) e a P.2 (do Rio de Janeiro). A informação foi dada  na última quarta-feira (10) pelo diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas.

    Orgulho de ser vacinado

    Maria Celeste, de 82 anos, é uma das pessoas do grupo prioritário que foi vacinada. Ela aguarda agora a segunda dose que está prevista para o dia 2 de maio. Ela foi vacinada com a Astrazeneca/Oxford que pode ter 12 semanas entre a primeira e a segunda aplicação. “Os cuidados continuam, inclusive me informaram que eu devo continuar usando máscara. Mesmo que eles não tivessem me dito, eu usaria. Eu quero me cuidar”, conta ela

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