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    Sem eficácia


    Mulher morre após tratamento com cloroquina e médica é afastada no AM

    A paciente tinha acabado de dar à luz, quando foi aplicada a nebulização com hidroxicloroquina que a levou à morte. O bebê passa bem

     

    Tratamento e a morte da paciente ocorreram no mês de fevereiro
    Tratamento e a morte da paciente ocorreram no mês de fevereiro | Foto: Divulgação

    MANAUS – Mesmo sem eficácia comprovada para a utilização de hidroxicloroquina no tratamento contra a Covid-19, a médica ginecologista Michelle Chechter aplicou a nebulização com o medicamento em pelo menos duas pacientes no Instituto da Mulher Dona Lindu, na zona Centro-Sul de Manaus. Após o procedimento, uma delas morreu.

    Em nota enviada ao EM TEMPO, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) informou, além de esclarecer que o tratamento aplicado pela médica não faz parte dos protocolos terapêuticos de nenhuma unidade da rede estadual de saúde, que a médica não faz mais parte do quadro de maternidade.

    “Tão logo tomou conhecimento do ato, a SES-AM determinou abertura de sindicância e o afastamento da profissional”, ressaltou a pasta.

    Outra paciente que recebeu o tratamento chegou a receber alta, no entanto, não há informações se a mulher sofreu sequelas. Segundo o próprio Conselho Nacional de Saúde (CNS), a utilização da hidroxicloroquina contra a Covid-19 não é recomendada por levar ao “surgimento de graves e fatais efeitos indesejáveis, incluindo problemas cardíacos”.

    Morte de paciente

     

     

    Caso foi registrado no Instituto da Mulher Dona Lindu
    Caso foi registrado no Instituto da Mulher Dona Lindu | Foto: Divulgação

    O tratamento e a morte da paciente ocorreram no mês de fevereiro, apesar do caso só vir à tona nesta quarta-feira (14), após matéria publicada pela Folha de São Paulo. A vítima tinha acabado de dar à luz quando faleceu. O bebê passa bem.

    De acordo com o Instituto da Mulher Dona Lindu (IMDL), as duas pacientes assinaram termo de consentimento antes de serem submetidas à nebulização, registrado no prontuário médico. No entanto, a SES-AM também indicou que o tratamento não é protocolo, ainda que com o consentimento de pacientes ou dos familiares.

    “A SES-AM e o IMDL não compactuam com a prática de qualquer terapêutica experimental de teor relatado e não reconhecida e entendem que tais práticas não podem ser atribuídas à unidade de saúde, que tem como premissa o cumprimento da lei e dos procedimentos regulares, conforme os órgãos de saúde pública e os conselhos profissionais”, destacaram.

    Contratação temporária

    Segundo a Secretaria de Saúde, Michelle Chechter atuou no quadro da maternidade durante cinco dias, com início no dia 3 de fevereiro.

    A médica foi contratada em regime temporário junto com outros 2,3 mil profissionais de saúde, através do banco de recursos humanos disponibilizados ao Estado pelo Ministério da Saúde, para atuarem durante a pandemia em hospitais da rede estadual.

    Riscos do uso da Cloroquina

     

    Conselho Nacional de Saúde não indica o uso dos medicamentos contra a Covid-19
    Conselho Nacional de Saúde não indica o uso dos medicamentos contra a Covid-19 | Foto: Divulgação

    Em nota pública, o CNS alertou para os riscos do uso da Hidroxicloroquina e da Cloroquina contra a Covid-19. Como não existem comprovações científicas, o medicamento é classificado como ineficaz mesmo nos estágios iniciais da doença.

    “O uso desses medicamentos como prevenção e nos casos leves da Covid-19 em ambiente ambulatorial, ou seja, quando o paciente leva o medicamento e se trata na sua casa, pode levar a situações onde, caso desenvolva um efeito colateral grave, o paciente não tenha tempo de ser devidamente atendido, podendo evoluir para um óbito que seria evitado sem o uso do medicamento”, indicou o conselho em casos de automedicação.

    Além disso, a utilização da Hidroxicloroquina e da Cloroquina, segundo a nota, pode levar ao desenvolvimento de efeitos colaterais graves e pode exigir uma internação que poderia não acontecer sem o uso desses medicamentos.

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