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    Alerta


    Volta às aulas pode provocar 3ª onda no AM

    Alerta é do mesmo cientista que previu, quatro meses antes, a chegada da 2ª onda da pandemia no Amazonas. Estudos mostram que a 2ª onda no estado foi impulsionada pela volta as aulas presenciais em setembro de 2020

     

    | Foto: Divulgação/Reuters

    Estudo feito por um grupo de pesquisadores, entre eles o biólogo, mestre em Biologia e doutorando do Programa de Biologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Lucas Ferrante, avaliou que um dos motivos para o surgimento da segunda onda no Amazonas foi o retorno as aulas em setembro do ano passado.

    O estudo é baseado no modelo SEIR (Susceptíveis Expostos de Infectados e Recuperados), em que os pesquisadores consideram todos os indivíduos e a taxa dessas categorias para verificar o aumento de casos e assim prever um cenário, com semanas ou meses de antecedência, a fim de que seja tomada uma medida antecipada para prevenir mortes.

    Esses estudos apontaram que a volta às aulas presenciais é pior que a abertura das atividades não essenciais. 

      “A volta às aulas presenciais em escolas e universidades é mais prejudicial e contribui mais ainda para alavancar os casos do que a abertura de atividades não essenciais”, declarou Lucas Ferrante em reunião na Fundação de Vigilância e Saúde do Estado (FVS) na última quinta-feira (23).  

    Em entrevista ao EM TEMPO, Ferrante destaca que uma análise sobre a situação epidemiológica no Amazonas foi realizada nessa reunião. “Foi analisado também uma possível volta às aulas, mas eu alertei sobre esta possibilidade de terceira onda. Nossos estudos já mostraram que a volta as aulas em setembro do ano passado foi um gatilho para que acontecesse a segunda onda em todo o estado. É só ver o boletim da FVS 21 dias após a volta às aulas de setembro de 2020. O número de casos aumentou”.

    Segundo o pesquisador, a solução é adotar medidas restritivas mais rígidas. 

      “O Estado deve entrar em um isolamento social por pelo menos 21 dias, com restrição de circulação de 90% da população. E caso surja uma nova variante, esta pode ser pior que a segunda onda”, destacou.  

    Ferrante lembra que a mesma argumentação foi utilizada na pesquisa que ele também participou no ano passado. A pesquisa previu na época que a segunda onda iria acontecer no estado. “Já tínhamos feito esse alerta antes do pico da segunda onda em janeiro”.

    Em nota, a Secretaria de Estado de Educação e Desporto (SEDUC) informou que o retorno das aulas presenciais não tem data definida e está condicionado às orientações das autoridades de saúde, diretamente ligadas ao combate da pandemia da Covid-19 no Amazonas.

    A Secretaria de Educação destacou também que segue com as transmissões do programa “Aula em Casa” e prepara-se para o retorno, quando for definido.

    O EM TEMPO entrou em contato também com a Secretaria Municipal de Educação. Eles informaram por meio de assessoria que as aulas irão retornar no dia 18 de maio na capital. As aulas que estavam previstas para o dia 3 de maio serão adiadas. 

      “Vamos adiar o retorno por 15 dias para não causar problema a ninguém da comunidade escolar. Estamos fazendo tudo com critérios e bom senso para não meter os pés pelas mãos e criar dificuldades futuras”, disse o secretário de educação Pauderney Avelino.  


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