Fonte: OpenWeather

    Covid-19


    Atendimentos on-line e domiciliar crescem com a pandemia no AM

    Modalidades de atendimento têm possibilitado uma nova relação entre os profissionais de saúde e pacientes

    | Foto: Hector Silva

    MANAUS - A pandemia do novo coronavírus tem trazido mudanças drásticas nas mais diversas atividades humanas, seja por necessidade ou por opção do paciente. Modalidades de atendimento clínico como o teleatendimento e o domiciliar tem se tornado mais comuns, apesar de que já existiam.

    Com mais de um ano em que os amazonenses já convivem com o isolamento social, os profissionais da área de saúde precisaram lançar um olhar ainda mais humano para aqueles que estão sob seus cuidados. Por outro lado, quem está precisando de atendimento se adequa a tecnologia para falar e demonstrar os sintomas para o profissional. Em algumas das vezes por necessidade o paciente recebe o profissional na sua casa.

    Foi o caso do autônomo Raimundo Alan, de 65 anos. Em janeiro ele foi contaminado pela covid-19. Ele e a esposa, que também foi contaminada, receberam atendimento por videochamada de uma médica, amiga da família. Mas depois de um tempo, por conta das sequelas, o autônomo precisou receber também a visita de um fisioterapeuta em casa para a recuperação pulmonar.

      “Foi a primeira vez que recebi atendimento médico por telefone. Também foi a primeira vez que um fisioterapeuta foi até minha casa. Eu fiquei muito debilitado e então minha filha pediu que essa fisioterapeuta fosse até meu encontro”, relata Alan.  

     

    Pacientes com covid-19 precisaram de fisioterapia pulmonar após o fim da doença
    Pacientes com covid-19 precisaram de fisioterapia pulmonar após o fim da doença | Foto: Hector Silva

    A fisioterapeuta que realizou os cuidados do autônomo se chama Alessandra Maria. Ela trabalha em um hospital particular de Manaus cuidando de pacientes com covid-19. “Tirei um pouco do meu tempo para ajudar essa família. Eles precisavam entender como fazer a fisioterapia pulmonar, então eu fui até eles”.

    Outra área da saúde que também foi solicitada com mais frequência durante a pandemia foi a psiquiatria. O médico psiquiatra Luiz Henrique Novaes, foi chamado muitas vezes para que saísse do seu escritório.

    "

    “Eu apresento para os meus pacientes a opção de atendimento domiciliar e por videochamada. Às vezes até por necessidade mesmo, como em casos que o paciente está na UTI, eu preciso me deslocar” "

    Luíz Henrique Novaes, Médico Psiquiatra

     

     

    Luiz Henrique já estava familiarizado com a tecnologia quando precisou atender por telemedicina
    Luiz Henrique já estava familiarizado com a tecnologia quando precisou atender por telemedicina | Foto: Hector Silva

    Maria Moss, 71 anos, recebeu pela primeira vez um atendimento por videochamada com o psiquiatra Luíz Henrique. O atendimento, segundo ela, foi proveitoso. “Minha mãe está com medo de sair por conta da pandemia. Então o médico ofereceu o serviço de atendimento por videochamada. Minha mãe diz que não sentiu muita diferença e que por ela pode continuar com o atendimento assim enquanto a pandemia estiver acontecendo”, contou a filha, Tânia Moss.

    Apesar de pedir pelo atendimento por vídeo, a aposentada é um pouco resistente. “Prefiro que o atendimento seja presencialmente. Vendo o médico. Mas por necessidade tudo bem ser assim”, com Maria Moss.

    Desafios profissionais e acadêmicos

    Apesar do teleatendimento e do atendimento domiciliar ser um recurso favorável ao trabalho dos profissionais de saúde, existem dificuldades. Luciane Alves é dentista em Vila Velha, Espírito Santo, município de pouco mais de 500 mil habitantes. Ela decidiu apresentar o atendimento domiciliar na sua cidade, mas para isso precisou comprar equipamentos caros para adaptar o seu trabalho.

      “Levamos um consultório à casa do paciente. Tem compressor e tudo mais. Dá para fazer qualquer tipo de atendimento e procedimento”, conta a dentista.  

     

    A dentista Luciane Alves investiu em um equipamento móvel para atender pacientes nas suas casas
    A dentista Luciane Alves investiu em um equipamento móvel para atender pacientes nas suas casas | Foto: Divulgação

    No teleatendimento a dificuldade maior é sem dúvida a qualidade de sinal nas regiões mais longínquas. Pedro Duarte é psicólogo em Manaus. Seus atendimentos por vídeo aumentaram com a chegada da pandemia, na maioria das vezes, por pedido dos pacientes.

    “Muitas pessoas têm medo de se contaminar por conta da pandemia. Por isso ofereço também o serviço de psicoterapia. Pessoalmente a experiência para mim é melhor e alguns pacientes também já me disseram que se sentem bem sendo pessoalmente. A dificuldade maior é quanto ao sinal que às vezes trava, principalmente com meus pacientes que moram no interior”, conta o psicólogo.

    Para o professor de medicina Higino Figueiredo, professores e alunos precisam de treinamento para esse novo tipo de atendimento. “Penso que a telemedicina deverá ser incluída e incorporada na grade curricular. E claro, realizar o treinamento de corpo docente e discente para esta prática clínica”.

    Na opinião da professora de medicina da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cristina Melo, o teleatendimento deve ser incorporado na matriz curricular das universidades. 

      “Na UEA não temos na grade curricular uma disciplina com enfoque no atendimento médico por videoconferência, mesmo porque não havia regulamentação para isso até pouco tempos atrás. Certamente a Telemedicina nos moldes atuais, que conhecemos durante a pandemia, precisará ser incorporada à grade curricular", destaca a médica  

    "

    “A telemedicina era utilizada apenas de médico para médico anteriormente, mas atualmente ela também tem sido utilizada para baratear custos dos planos de saúde e é isso que o sindicato dos médicos não concorda. Ele pode ser uma ferramenta útil quando necessário, mas não deve ser aproveitada dessa forma”. "

    Mário Viana, Presidente do Sindicato dos Médicos (Simeam)

     

    Saúde pública conta com teleatendimento e atendimento domiciliar

    Desde 2018, a saúde estadual montou um projeto de telemedicina, inserido no programa Saúde Amazonas. A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) já oferta sete especialidades médicas pelo programa intitulado Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), com o apoio do Hospital Albert Einstein. 

    As especialidades ofertadas são cardiologia, endocrinologia, pneumologia, reumatologia, neurologia, neuropediatria e psiquiatria. As consultas são pré-agendadas pelo Sistema de Regulação (Sisreg) da rede estadual de saúde. O atendimento está disponível em Alvarães, Anori, Barcelos, Carauari, Careiro, Envira, Eirunepé, Japurá, Jutaí, Lábrea, Manaus, Maraã, São Paulo de Olivença, Tapauá e Tonantins.

    Desde o início do projeto, quase 500 mil profissionais da saúde já foram capacitados 781.961 pacientes já foram atendidos pelo programa governamental. “No município de Carauari, na calha do Juruá, pacientes estão sendo atendidos por médicos do Hospital Albert Einstein, em São Paulo, por meio da Telemedicina”, disse o governador, durante visita ao município neste mês.

    O programa ‘Melhor em Casa’, executado pela SES-AM, realiza a busca ativa de pacientes internados na rede estadual para desospitalização e que precisam de acompanhamento médico domiciliar. Atualmente, 400 pacientes, incluindo pessoas com sequelas da Covid-19, estão recebendo atendimento por equipes multiprofissionais em domicílio. 

    Segundo a assessoria da prefeitura de Manaus, os tele atendimentos no âmbito municipal estão suspensos e estes estão sendo feitos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).  O programa Saúde da Família presta atendimento domiciliar aos mais necessitados.  

    Leia mais

    Wilson Lima inaugura serviço de teleconsultas em Carauari

    FUnATI lança serviço de Telessaúde ao Idoso em parceria com a UEA

    Telemedicina tem se mostrado útil para quem não pode sair de casa

    Comentários