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    Amor


    Dedicadas, netas abrem mão de tudo para cuidar das avós no AM

    No Dia dos Avós, conheça a história de três amazonenses que, por diferentes motivos, possuem forte afetividade com as suas avós

     

    Netas abriram o coração e se declararam às avós
    Netas abriram o coração e se declararam às avós | Foto: Arquivo pessoal

    MANAUS (AM) - Conhecidos, na grande maioria das vezes, pela sabedoria e pelo jeito carinhoso, os avós sempre buscam fazer de tudo para verem os netos felizes, mas, e quando os papéis se invertem? No Dia dos Avós, comemorado nesta segunda-feira (26), o EM TEMPO ouviu histórias de netos que se dedicam a cuidar de seus progenitores.

      Desde que perdeu os pais, quando era só uma criança, a assistente de saúde bucal, Dani Santos, de 27 anos, foi criada pela avó materna, a dona Zaida Silva, 67. Após a infância e adolescência, o implacável tempo vai moldando a inversão do papel entre elas.  

    Ao EM TEMPO, Dani contou que aprendeu desde criança sobre o respeito pelos mais velhos. "É um cuidado mútuo que sentimos uma pela outra, o fato de eu ter essa proteção com a minha avó, que para mim é como se fosse minha segunda mãe, é algo muito natural. Hoje eu tenho muito mais responsabilidade sobre ela do que o contrário, mas sei que tudo o que eu fizer será pouco para recompensar o quanto ela já se doou por mim".

     

    Dani vê a avó como se fosse sua segunda mãe
    Dani vê a avó como se fosse sua segunda mãe | Foto: Arquivo pessoal
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    Quando eu ainda era muito pequena, perdi a minha mãe e meu pai em um acidente. Não tenho lembranças deles, então a primeira expressão de amor que tive foi a da minha avó, o que fez de nós sempre muito companheiras. Ela tem o dom de unir a família e tenta agradar todo mundo a todo momento "

    , disse jovem.

     

    Dona Zaida também exalta a neta e relembra a perda da filha. "Graças a Deus tive o privilégio de ter uma neta amorosa que me ajuda muito, em tudo, eu digo que Deus me tirou um amor que foi minha filha e me deu outro, que é a Dani. A gente vê tantos casos de filhos que abandonam até os pais, imagine os avós. Durante a pandemia, o cuidado foi ainda mais rigoroso, era todo tempo 'vovó não sai de casa', 'vovó coloca essa máscara direito'. Não tem como não se sentir amada".

    Dani relata que não cogita deixar de morar com Zaida. "Quando eu achar a pessoa certa para me relacionar, ela vai ter ciência de que eu só moro junto, se a minha avó for junta", finaliza a jovem, aos risos.

    'Minha primeira expressão de amor'

    Pensar na avó paterna, a dona Maria Ruth, 70, logo após se casar, também foi um dos principais cuidados da estudante Ingrid Tomás, de 22 anos. Ela conta que dona Ruth mora com outros dois netos mais novos, mas fez questão de procurar uma casa para morar próxima à avó. 

     

    As duas em durante passeio em Gramado
    As duas em durante passeio em Gramado | Foto: Arquivo pessoal
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    Desde que eu me entendo por gente, lembro da minha avó paterna sempre perto de mim. E como perdi a minha avó materna muito cedo, sempre fomos muito próximas. Fazemos viagens juntas, saímos para jantar, temos a nossa programação particular, o que desperta até ciúmes em outros netos [risos]. Então dei um jeitinho de morar em um apartamento a duas ruas da casa dela "

    , relata Ingrid.

     

     

    Avó e neta em viagem ao Rio de Janeiro
    Avó e neta em viagem ao Rio de Janeiro | Foto: Arquivo pessoal

    Para Maria Ruth, a relação entre avó e neta é diferente da que ela mantém com os seis filhos. "Acho que, hoje em dia, os avós têm um papel muito importante, nós carregamos as experiências da vida e podemos passar isso aos netos. Além disso, dizem que a nós cabe a parte boa, que é de mimar os netos, mas eu tento sempre ter um equilíbrio [risos]. Ensino o que é certo, de forma menos dura como foi com os meus filhos, mas isso é fruto também do meu próprio amadurecimento. De forma geral, sinto uma felicidade muito grande em ser avó".

    'É um privilégio tê-la comigo'

    Quem também não abre mão de conviver com a avó é a maquiadora Renatta Saraiva, 24. Segundo a jovem, a dona Ivanete Assis, 60, visita ela e os filhos todos os dias.

     

    Renata e a avó, dona Ivanete
    Renata e a avó, dona Ivanete | Foto: Arquivo pessoal

    "Ela mora com a minha tia mais nova, mas passa o dia conosco. Eu digo que é um privilégio dos meu e também dos meus filhos, que têm a oportunidade de conviverem com a bisavó, o que é maravilhoso para todos nós", compartilha.

     

    Renata e a avó convivem diariamente
    Renata e a avó convivem diariamente | Foto: Arquivo pessoal

    Apesar de saudável, a dona Ivanete possui alguns problemas que exigem certos cuidados. "Por ser diabética e ter labirintite, nós optamos por evitar deixá-la sozinha, por isso que ela sempre vem para minha casa. É maravilhoso, apesar de que ela é um pouco teimosa e fica brava quando chamamos a atenção quando está comendo muito doce", brinca. 

    Saúde mental

      Especialistas apontam que o convívio familiar saudável é essencial para manter a saúde mental dos idosos. Um estudo da American Association of Geriatric Psychiatry apontou que 20% da população acima dos 55 anos apresenta algum tipo de problema psicológico. Os mais recorrentes são comprometimento cognitivo severo e transtornos de humor, como depressão, ansiedade e bipolaridade.  

    No entanto, segundo o geriatra Fraga Junior, é possível tratá-las e preveni-las. “O médico geriatra, o psiquiatra e o psicólogo são profissionais aptos a tratar as doenças mentais em idosos. A prevenção está na adoção de um estilo de vida saudável, mantendo contato social (durante a pandemia por intermédio de meios digitais como Zoom e WhatsApp) e realizando atividades ocupacionais que estimulem um propósito de vida”.

    Violência contra os mais velhos

    A data comemorativa também provoca reflexões sobre um tema sério: a violência contra a pessoa idosa. Até maio deste ano, já foram registrados 57 casos de lesão corporal e 47 de apropriação de bens, cujas vítimas foram idosas, de acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas. O número telefônico para denunciar crimes de violência contra o idoso é o 180. 

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