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    Descaso público


    Em Presidente Figueiredo, Nova Aliança reclama: 'tratados como porcos'

    Esquecida pela prefeitura, Comunidade Nova Aliança de Deus fica localizada próxima ao lixão do município, que também prejudica o dia após dia dos moradores

     

    Os moradores da comunidade têm que dividir o espaço com  os urubus que rondam o lixão
    Os moradores da comunidade têm que dividir o espaço com os urubus que rondam o lixão | Foto: Bianca Fatim

    Presidente Figueiredo (AM) - Descaso e falta de amparo, é o que vivem os moradores da Comunidade Nova Aliança de Deus, no quilômetro 4, na estrada que liga Presidente Figueiredo (a 107 quilômetros da capital) ao Distrito de Balbina. Um dos moradores do local, o reciclador de material plástico Natalino Soares, de 39 anos, reclama da gestão e afirma que são esquecidos pelo poder público.

    A Comunidade fica próxima ao lixão do município, o que afeta diretamente o cotidiano dos moradores, já que os resíduos são jogados bem em frente à entrada da comunidade, no meio da rua.

      Além disso, o local não possui infraestrutura básica, como a energia elétrica, asfaltamento e saneamento básico. A situação no local é de total negligência. O reciclador afirma que a comunidade é abandonada pela atual gestão, e que nem em época de campanha eleitoral a prefeita da cidade, Patrícia Lopes (MDB), teve a coragem de ir até o local para observar a situação dos moradores e mandou seus assessores para pedir votos.  

    “A situação que estamos vivendo hoje é pior do que a da gestão passada. Na campanha ela nem teve a coragem de vir até aqui, só mandou os assessores para fazer campanha. Em sete meses de gestão, não fez nada por nós. A única coisa que fizeram foi entupir cada vez mais de lixo”, reclama Soares.

    Tratados como porcos

     

    O lixão em frente a Comunidade é a principal dificuldade da cidade
    O lixão em frente a Comunidade é a principal dificuldade da cidade | Foto: Bianca Fatim

      Os moradores do local já vivem uma realidade difícil, ainda tem que lidar com o preconceito e com a dificuldade de se locomoverem por conta do lixo nas ruas. O reciclador descreve a situação em que vivem como uma situação absurda, pois sente que os residentes são tratados como porcos em um chiqueiro.  

    Natalino revela que, além de serem tratados assim, eles ainda são apelidados de ‘porcos’ justamente por viverem próximos ao lixão da cidade. O sentimento de revolta dos moradores quanto ao apelido é grande, o que eles acreditam ser reflexo da péssima qualidade em que vivem devido à falta de atenção da prefeitura.

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    Eles chamam os moradores da nossa comunidade de porcos, de bichos, somos tratados assim porque vivemos dentro do lixo. Nós vivemos sem material adequado para trabalhar, sem infraestrutura para viver. Vivemos dentro da lama. Estamos disputando vaga com o urubu. "

    Natalino Soares, Reciclador

     

    O reciclador ainda descreve a dificuldade que é trabalhar no lixão, já que eles não possuem as ferramentas corretas para a retirada dos materiais recicláveis, que deveriam ser disponibilizadas pela Prefeitura de Presidente Figueiredo. A situação deixa os recicladores e catadores vulneráveis aos riscos que o contato com os gases tóxicos exalados pelos lixos podem trazer.

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    Quando o lixo vem são jogados no meio da rua e nós que temos que dar um jeito para coletar sem nenhum material, recebendo aquele gás que vem de todo lugar. Até aborto já encontramos nesse lugar e ninguém faz nada "

    , disse o reciclador

    Apesar de todas as dificuldades em que a Comunidade Nova Aliança de Deus passa, os moradores continuam lutando para viverem em condições dignas e serem tratados como seres humanos, e não como porcos. 

    "Eu vivo aqui e não vou desistir de lutar por esse povo, nós precisamos de ajuda. Precisamos ser lembrados e não ignorados. Nós vamos lutar até o fim por isso, porque Deus está sobre tudo e sobre todos", finaliza o morador.

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