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    Igreja Católica


    'Mãe espiritual': Madre Teresa de Calcutá e o amor maternal

    Em artigo ao Em Tempo, Carmen Novoa revela uma das características mais sublimes na personalidade de Madre Teresa de Calcutá: a mais fiel representante da arte do amor maternal, mãe espiritual de dezenas de crianças

    Escrito por Carmen Novoa no dia 30 de março de 2021 - 18:14

     

    | Foto: Divulgação

    Para mim uma de suas atitudes mais sublimes entre centenas delas foi aquela em que agiu como a mais fiel representante da arte do amor maternal. Nunca gerou um filho, mas foi mãe espiritual de dezenas de crianças duma escola de deficientes que estava em meio ao fogo cruzado na guerra do Líbano.

    Ela atravessou serena o terreno beligerante. Calaram-se de imediato os sons das granadas, metralhadoras e bombas. Tal o magnetismo emanado de sua frágil figura. E resgatou-as com sucesso. Eis a força do exemplo que arrasta multidões.

    Nos locais de altas temperaturas onde a neve comanda grandes distâncias, vê-se quebrando a monotonia unicolor, o verde. O verde dos pinheiros nas mais variadas nuances. São eles exemplos, como Madre Teresa, de vida e de abrigo nas intempéries do cotidiano.

    Dando continuidade ao meu ensaio publicado em três artigos sobre a vida e as obras de Madre Teresa de Calcutá em comemoração ao centenário da religiosa, já beatificada por João Paulo II em 19 de Outubro de 2003, é imprescindível citar fatos como o dos jornalistas que a entrevistavam pela primeira vez.

    Eram recebidos por ela na chamada Casa dos Moribundos. O seu primeiro instituto a (Nirmal Hriday). Essa casa foi fundada na área do templo dedicado à deusa Kali em Calcutá. É ainda o lugar sagrado no qual tanto os seus amigos quanto os seus inimigos sentem um temor reverencial.

    Para a Casa de Moribundos foram levados até hoje cerca de 50 mil pessoas entre homens, mulheres e crianças recolhidos pelas ruas. Os que se salvaram da morte muitas vezes pela desnutrição (famélicos) foram ajudados pelas religiosas a encontrar um trabalho ou enviados para lugares nos quais pudessem viver com alegria e dignidade humana.

    Muitas das crianças abrigadas em sua Casa para Crianças (Shishu Bavan) e outros orfanatos tornaram-se mais tarde cidadãos ativos e algumas dedicaram-se inclusive a missão de Madre Teresa.

    Pessoalmente, o que me seduz em sua figura foi o de não usar para si o prêmio valioso monetariamente do Nobel da Paz. Seduz-me esse desprendimento vindo somente de santos e heróis.

    Sim, porque há um profundo abismo entre aquele que rechaça um prêmio querendo mostrar-se acima de todas as coisas e aquele que o recebe e utiliza para mitigar as necessidades dos desvalidos, dos excluídos, dos famintos, dos enfermos, dos órfãos, dos miseráveis.

    A título de exemplificação: O gênio matemático russo Ghrisha Perelman recusou o prêmio de um milhão de dólares outorgado pela comunidade científica por desprezá-la. Por que não o aceitou em prol da humanidade castigada pela miserabilidade?

    Sua negativa foi apenas para satisfazer um desejo de represália. A prepotência de um gênio no intelecto, mas asno de coração. Essa a diferença entre a inteligência e a sabedoria. A primeira se traduz em inventos e ideias prodigiosas. A segunda lê atentamente a cartilha gratificante da generosidade constante no coração.

    Saber conciliar a inteligência e sabedoria isso é reduto dos santos e heróis. Porque assim seus nomes ultrapassam as fronteiras do tempo para adentrarem na imortalidade.


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