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    Conscientização


    Primos da Ilha grita contra o preconceito no Carnaval de Manaus 2019

    Disputando o título de campeã entre as escolas do grupo especial, a Primos da Ilha leva um discurso que vai contra todos os tipos de preconceito

    “Não queremos aceitação, queremos respeito. Quer falar de cura? Cure o seu preconceito”, é o tema levado pela escola ao Carnaval 2019 | Foto: João Gomes

    Manaus – A noite de lua cheia que iluminava a segunda-feira (21), colaborou com a magia do samba e tomou conta da quadra do Grêmio Recreativo Escola de Samba (G.R.E.S) Primos da Ilha, no bairro São Francisco, Zona Sul da cidade, que reuniu o corpo artístico da escola durante as preparações para o desfile. Levantando a bandeira da luta contra o preconceito, a Escola de Samba Primos da Ilha traz em 2019 o tema “Não queremos aceitação, queremos respeito. Quer falar de cura? Cure o seu preconceito”.

    Somando nove títulos ao longo de 29 anos de história no Carnaval de Manaus, a Primos da Ilha se prepara realizando ensaios todas as segundas-feiras na quadra da escola, e as sextas-feiras percorrendo os arredores da comunidade. O presidente do grêmio Werly Medeiros, contou que neste ano a escola desfila pelo grupo especial, e a oportunidade fez com que a diretoria pensasse em um tema de responsabilidade social para levar ao sambódromo.

    Presidente do grêmio, Werly Medeiros
    Presidente do grêmio, Werly Medeiros | Foto: João Gomes


    “O samba por si só, em sua origem, conta uma história de luta contra o preconceito afinal de contas foram os negros alforriados que trouxeram a cultura dos batuques para Manaus. A gente está fazendo um enredo que celebra as diversidades e a luta contra todos os tipos de preconceitos, sejam eles contra os LGBT’s, os negros, os deficientes físicos e até mesmo as mulheres”, explicou Werly.

    Quebrando tabus

    E entre os integrantes da escola, é claro que o preconceito não tem vez. Destaque à frente da bateria junto com todas as musas da Primos da Ilha que representam o corpo musical do grêmio, o passista Ytálo Carvalho desfila pelo segundo ano seguinte quebrando o tabu de que os homens não podem arrasar no samba nos pés.

    Ytálo Carvalho, Passista da bateria
    Ytálo Carvalho, Passista da bateria | Foto: João Gomes


    “Minha mãe sempre trabalhou como costureira no carnaval então eu cresci entre as fantasias e a magia que essa festa traz, por isso não foi difícil de apaixonar. Já desfilei em carro alegórico, em ala, comissões de frente, até de baiana eu já desci, mas como passista é o segundo ano e é uma grande honra  poder ser respeitado por esse posto”, conta Ytálo, aos 20 anos da idade.

    Madrinha, passista e rainha formam o time que vem à frente da bateria em 2019
    Madrinha, passista e rainha formam o time que vem à frente da bateria em 2019 | Foto: João Gomes


    O convite para participar dos destaques que representam a bateria da escola surgiu ainda no passado, Ytálo conta que foi chamado para participar do Concurso da Corte, onde foi aclamado como novo passista masculino. “Estar à frente da bateria e ser um homem também traz uma responsabilidade muito grande que é a de gritar contra o preconceito. Eu e as meninas estamos preparando um belo trabalho para esse ano mas ainda é surpresa, não podemos falar nada”, revelou o jovem.

    Tradição que vem de sangue

    Aos 21 anos, Werly Junior divide as responsabilidades entre cursar a faculdade de Direito e assumir o papel de segundo mestre sala da Primos da Ilha. Filho do presidente do grêmio, Werly contou que cresceu na escola e as primeiras participações na festa foram ainda na barriga de sua mãe.

    Ao lado esquerdo, Werly Junior, mestre sala e filho do presidente da escola
    Ao lado esquerdo, Werly Junior, mestre sala e filho do presidente da escola | Foto: João Gomes


    “Quero muito poder exercer o Direito sem perder a oportunidade de estar aqui fazendo carnaval porque é onde eu amo ficar nas horas vagas. Quero seguir os passos do meu pai que também se formou em Direito e hoje é presidente da escola, e para isso busco sempre dar o melhor de mim”, ressaltou o estudante que busca ainda mais preparação física se dedicando ao treino de outros estilos de dança.

    Novos desafios

    No carnaval é muito comum escutar histórias de personalidades que estão a vida toda vivendo as tradições da festa, mas para a rainha de bateria da Primos da Ilha, Keise Rosa, não foi bem assim. Aos 26 anos de idade, ela esclareceu que há apenas quatro, vem fazendo da data um estilo de vida.

    Keise Rosa defende pelo 4º ano seguido o título de Rainha de Bateria da Primos da Ilha
    Keise Rosa defende pelo 4º ano seguido o título de Rainha de Bateria da Primos da Ilha | Foto: João Gomes


    Keise explicou que nunca tinha sido ligada à cultura das escolas de samba, mas ao receber o convite de um amigo para concorrer pelo posto de rainha de bateria da escola, não fazia ideia de que daria início a um novo ciclo em suas prioridades.

    “Eu nunca tinha ido a shows de samba ou mesmo rodas de pagode. Fui convidada por um amigo para concorrer à faixa de rainha e topei. Eu fui para brincar mesmo, mas acabei me apaixonando e hoje quero estar aqui para sempre. Eu me empolguei com o brilho do carnaval e pela alegria do povo no sambódromo. É tanto amor que moro no bairro do Tarumã, na Zona Oeste, e venho só para ensaiar aqui, na Zona Norte”, ressalta a morena que é acadêmica no curso de enfermagem.

    Keise Rosa, Rainha de Bateria 2019
    Keise Rosa, Rainha de Bateria 2019 | Foto: João Gomes


    O samba no pé foi nascendo naturalmente para Keise, mas sem desmerecer a performance que uma rainha de bateria deve apresentar aos jurados, ela ressaltou que carregar a coroa traz responsabilidades sociais maiores, principalmente tratando-se do tema da escola em 2019.

    “Já não há mais espaço para o preconceito na sociedade em que vivemos. Isso é uma doença que vem se proliferando por séculos, mas chegou o momento de dizer chega a violência e respeitar a diversidade”, concluiu a rainha.

    Confira na galeria de imagens, as fotos do ensaio que marcou a última segunda-feira (21) na comunidade do bairro São Francisco. 

    Edição Bruna Chagas

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