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    Educação


    Volta às aulas: os idosos amazonenses que decidiram ir à faculdade

    A edição 2019 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve 9,4 mil pessoas inscritas com 60 anos ou mais

    Advogado Luiz Antonio Jorge de 68 anos | Foto: Marcely Gomes

    Manaus - Muitas pessoas quando chegam a uma idade maior do que 50 anos buscam apenas a aposentadoria e o conforto de um lar, já outros procuram novas atividades para manter uma vida ativa e repleta de tarefas. Como são os casos de alguns idosos aqui de Manaus que resolveram fazer uma faculdade. Exemplo desse aumento de idosos em sala de aula é que na edição 2019 do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) teve 9,4 mil pessoas inscritas com 60 anos ou mais.

    O advogado Luiz Antonio Jorge de 68 anos conta que ingressou no curso de direito da Uninorte com 63 anos logo depois que se aposentou. Ele explica que antes não teve oportunidades e por isso só com essa idade resolver entrar no ensino superior.

     “Meus filhos e amigos foram meus principais parceiros e incentivadores. Os meus colegas sempre admiravam meu esforço. Não vi preconceito nenhum. Minha meta futura é estar inscrito para o processo seletivo de mestrado em direito na Universidade Federal do Amazonas (Ufam)”, explica.

     O advogado se formou em janeiro deste ano. Atualmente está aposentado e nos tempos livres faz um curso de espanhol no Instituto Federal do Amazonas (Ifam). O Aposentado também está fazendo um curso preparatório para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). “O mercado de trabalho exige a cada dia mais conhecimentos para que as pessoas sejam bem-sucedidas na vida por isso que resolvi me preparar”.

    Frida Celestino com 55 anos faz faculdade de serviço social
    Frida Celestino com 55 anos faz faculdade de serviço social | Foto: Leonardo Mota

     Outra pessoa que também está fazendo faculdade é a Frida Celestino. Com 55 anos ela cursa Serviço Social. A faculdade veio como um estímulo para que ela saísse de uma depressão.

     “Eu não estava fazendo nada no período da noite e estava ficando muito triste por ter perdido a minha mãe. Então fiz o Enem e tive nota para poder entrar pelo Fies. Os meus projetos daqui em diante são ajudar a tirar jovens do mundo das drogas”, revela.

     Ela conta que nos primeiros períodos da faculdade teve muita dificuldade, mas que recebeu ajuda e apoio dos colegas. “Nunca tive nenhum preconceito, pelo contrário a turma me incentivou muito. Fazer serviço social para mim é muito difícil, porque requer muita leitura e não estava acostumada, mas consegui avançar e neste eu me formo”, diz.

     Os idosos são capazes

     A professora de história do Idaam, Marylaura Oliveira, conta que a sociedade tem o costume de pensar que a Universidade é somente para jovens, porém tudo começa com o processo cultural em cima da educação.

    “Desde os 15 anos de idade nós vamos preparando esses jovens para o vestibular. Então a própria comunidade Universitária acaba sendo a maioria jovens por conta dessa característica cultural", explica.

    Para a professora, uma análise na Educação Jovens e Adultos (EJA) se conclui que existem pessoas que ficaram um bom tempo sem estudar e começam a ter contato com essa nova perspectiva educacional e almejam algo a mais para o futuro.

    "São pessoas que produzem até mais que os jovens, muito capacitadas e quem têm metas bem definidas.  Metas que faltam para os jovens. Os jovens fazem determinada faculdade por conta do pai, por conta  de uma dinâmica social e não tem a mesma estrutura psicológica de um adulto”, diz.

    Marylaura aponta que a única dificuldade é a questão da tecnologia e cabe simplesmente a educação projetar caminhos para inserir esses adultos no processo tecnológico. Mas ultrapassando essas dificuldades eles produzem de forma muito intensa.

    "Eu gosto muito de trabalhar com a diversidade em sala, principalmente a de gerações, pois se percebe que há uma troca de saberes. Há essa necessidade de colocar essa população em sintonia e principalmente em comunicação. As pessoas precisam entender desde jovens a importância de conviver com o idoso e como ele ainda produz incessantemente como a sociedade. Essa dinâmica do idoso entrando recentemente é novo para o Brasil, mas não é novidade para outros países que estão entrando em desenvolvimento. Nós ainda temos essa prática de tratar o idoso como incapaz", explica. 

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