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    Pesquisas


    Pesquisador do AM produz primeira cerveja amazônica a partir de frutas

    Versão amazônica contará com leveduras regionais: goiaba, araçá-boi, cacau e cupuaçu, que darão um sabor diferente, mas agradável ao paladar

    A pesquisa é desenvolvida pelo laboratório de Micologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) | Foto: Divulgação

    Manaus – Até o final de 2020, o Amazonas pode impulsionar o mercado com uma cerveja genuinamente amazônica, produzida a partir da fermentação de leveduras isoladas de quatro espécies de frutos nativos da região. A pesquisa é desenvolvida pelo laboratório de Micologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) e o coordenador, João Vicente, fala mais sobre a novidade.

    Ao longo da história, a cerveja se tornou uma das bebidas alcoólicas mais consumidas ao redor do mundo e sua composição leva água, malte, levedura e lúpulo. A versão amazônica contará com leveduras regionais: goiaba, araçá-boi, cacau e cupuaçu, que darão um sabor diferente, mas agradável ao paladar.

    Atualmente o Brasil é o quarto maior mercado de cervejas do mundo, tendo produzido acima de 10 bilhões de litros em 2010 e tido um consumo anual per capita de 53,3 litros. O mercado é dominado por grandes fábricas, que juntas detêm 98,2% da distribuição, enquanto as cervejas artesanais são representadas somente pelos 1,8% restantes.

    Com base em estimativas do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), a cada grau a mais de calor, o consumo de cerveja aumenta 0,28%. Por isso, principalmente durante o Carnaval 2020, o consumo da bebida aumentou na cidade de Manaus.

    Economia

    O coordenador da pesquisa, João Vicente Braga de Souza, tecnologista sênior do INPA, farmacêutico amazonense formado pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e doutor pela Universidade de São Paulo (USP), descreve que a produção de levedura regional pode agregar novas características a cerveja, como sabores e aromas regionais, além de reduzir os custos em mais de 50% na fabricação de cervejas no Brasil – que atualmente importa leveduras da Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos.

    “Uma vez que não há mais dependência de leveduras internacionais, estamos criando uma bioindústria regional. Além disso, as cervejarias brasileiras não vão precisar comprar do exterior e estaremos criando um comércio interno”, esclarece Vicente.

    Na avaliação do tecnologista, a utilização da biodiversidade dos frutos amazônicos servirá para produzir uma cerveja de boa qualidade, com características diferenciadas, mas ao mesmo tempo capazes de agradar ao paladar. Dessa forma, caminhos para novos estilos de cerveja poderão surgir, capazes de estimular o desenvolvimento da bioeconomia regional.

    “Temos três anos de pesquisas e seis leveduras amazônicas e estamos pensando em comercializar uma, a princípio em até um ano. Essa indústria que está começando vai prestar serviços às cervejarias, como a análise microbiológica para as indústrias da região, analisando a qualidade da cerveja que estamos produzindo e fazer com que a nossa levedura regional seja utilizada nas cervejas produzidas aqui”, explica o coordenador.

    Recursos

    Vicente lamenta que, apesar dos avanços, ainda existe uma estagnação de recursos para as pesquisas no Brasil. ‘’O Brasil tem capacidade para iniciar uma revolução e já começou com o aumento da produção de cervejas artesanais no país. Mesmo assim, estamos há quatro anos estagnados com o mesmo orçamento e precisamos de verbas para pesquisas. Só com incentivo e valorização seremos capazes de incrementar o desenvolvimento da Amazônia’’, alerta.

    Para o pesquisador, a Zona Franca de Manaus (ZFM) foi necessária por muitos anos para o desenvolvimento da capital amazonense e, até mesmo, da região Norte. Contudo, Vicente acredita que o futuro econômico será diferente e contará com o intermédio da biotecnologia.

    ‘’Nas plantas da Amazônia encontramos substâncias importantes para a área de cosméticos e farmacêutica, temos também micro-organismos para serem utilizados nas indústrias de bioeconomia. Ou seja, temos potencial para ser o país da bioeconomia das plantas, micro-organismos e animais. Precisamos reconhecer isso e estabelecer melhor o foco’’, afirmou o estudioso.

    Outra questão levantada por Vicente, refere-se à burocracia existente no meio científico. Em sua visão, a distância entre a academia e a indústria deve diminuir e, para isso, se faz necessária uma política eficaz, que torne o processo mais rápido e prático.

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