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    Educação


    Manaus conta com três escolas cívico-militares

    Além da lista de escolas selecionadas, foram disponibilizadas pelo Ministério da Educação informações sobre funcionamento, capacitação de funcionários e financiamento

    Dentre as escolas selecionadas, três estão no Estado do Amazonas, localizadas em Manaus | Foto: Divulgação

    Manaus – Na quarta-feira (26), foram anunciadas, pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, 54 escolas cívico-militares em 22 estados e do Distrito Federal. A região Norte será contemplada com 18 escolas e o Amazonas com três unidades que estarão todas localizadas em Manaus. Autoridades e pais oferecem diferentes opiniões sobre a nova configuração.

    Ao surgir de uma parceria do Ministério da Educação (MEC) com o Ministério da Defesa, o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares busca um novo modelo de educação. Ao redor do país, são 54 escolas (40 estaduais e 14 municipais) de 22 estados e do Distrito Federal. Além disso, outras sete escolas estarão no Nordeste e cinco no Sudeste. Os estados que mais terão escolas cívico-militares são Rio Grande do Sul (quatro) e Pará (cinco).

    presidenteJair Bolsonaro, na quinta-feira (27), esclareceu em uma rede social que a possibilidade de existência ou não foi de responsabilidade de inscrição dos governadores e prefeituras. Isso porque o programa é de adesão voluntária para estados e municípios que manifestarem interesse e deve passar pela aceitação da comunidade escolar.

    As três escolas estaduais escolhidas para a capital amazonense constam na lista divulgada pelo ministro nas redes sociais. São elas: Professor Nelson Alves Barbosa (Betânia, Zona Sul), Professora Tereza Siqueira Tupinambá (Cidade Nova, Zona Norte) e Professor Reinaldo Thompson (Coroado, Zona Leste).

    Funcionamento

    Escolas militares são caracterizadas por boa avaliação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb)
    Escolas militares são caracterizadas por boa avaliação no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) | Foto: Reprodução

    Nas escolas cívico-militares, a gestão é híbrida. Isso significa que, enquanto professores e demais profissionais da educação são responsáveis pela área didático-pedagógica, as forças de segurança pública atuam na gestão administrativa e formação disciplinar dos alunos. Segundo o MEC, os seguranças serão responsáveis pela melhoria do ambiente escolar.

    O MEC esclarece que apenas militares inativos das Forças Armadas poderão participar. Contudo, policiais e bombeiros militares também podem assumir funções dependendo da adesão dos estados.

    O Ministério afirma que serão investidos R$ 54 milhões ao ano no programa. Cada escola terá direito a R$ 1 milhão. Nesse sentido, o salário dos militares dependerá da parceria estabelecida. Os militares das Forças Armadas receberão o pagamento por meio do governo federal; já os estados que decidirem aderir ao programa, permitindo que os militares da Segurança Pública participem, devem ser responsáveis pela remuneração.

    Requisitos

    Ministro da Educação, Abraham Weintraub
    Ministro da Educação, Abraham Weintraub | Foto: Gabriel Jabur/MEC

    Weintraub confirmou que policiais e bombeiros militares foram capacitados para trabalhar nas escolas. Na primeira rodada de capacitação, realizada em dezembro, em Brasília, o trabalho envolveu diretores e coordenadores de escolas, além de representantes de secretarias estaduais e municipais de Educação. A segunda rodada ocorreu em fevereiro deste ano, em Porto Alegre (RS). No total, foram capacitados 54 oficiais da reserva e da ativa das polícias e bombeiros militares e 17 profissionais das secretarias de Educação.

    Eles participaram de palestras e oficinas sobre o projeto político-pedagógico das escolas, as normas de conduta, avaliação e supervisão escolar, além da apresentação das regras de funcionamento das escolas e as atribuições de cada profissional.

    O treinamento também abriu espaço para o aprimoramento das diretrizes do programa. Ao promover grupos de trabalho, o MEC permitiu que os participantes fizessem sugestões ao modelo de forma a adequar a implementação das escolas às necessidades de cada local.

    Além disso, as escolas devem atender alguns pré-requisitos, como estar em situação de vulnerabilidade social e com baixo desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), que ofereçam as etapas de Ensino Fundamental II e/ou Médio e que possuam aprovação da comunidade escolar.

    Opiniões

    De acordo com Cristiane Antunes, da Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares do Ministério da Educação, há um “anseio popular” para que novas escolas desse tipo sejam implementadas em virtude da qualidade reconhecida. Conforme ela, as escolas militares são caracterizadas pela boa avaliação do Ideb, pelas noções de hierarquia, de disciplina e de meritocracia; além do resgate ao patriotismo.

    A doutora em Educação Míriam Alves acredita que a militarização das escolas no estado, promovida desde a década de 90, tem criado cisão dentro da escola pública, deixando a escola não militarizada abandonada pela Secretaria de Educação.

    Um pai, que optou por não se identificar, explica que seu filho estudou por dois anos em um Colégio Militar na cidade de Manaus e que, por todo esse período, a educação na instituição sempre foi exemplar. Conforme ele, o ensino a base de disciplina, respeito e com o estabelecimento de regras é sempre positivo. Contudo, em sua opinião, quando a nova coordenação se fez presente, o nível decaiu.

    Ele informa que, não só a unidade em que seu filho estudava, mas também as outras existentes na capital, passaram a sofrer com problemas estruturais e de ensino. Além disso, o material didático foi alterado, não atendendo aos seus anseios como pai que se importa com a educação que o filho recebe. ''O ensino militar fez muito bem ao meu filho, mas agora a situação mudou e optei por não o manter na instituição de ensino'', relata.

    Ele também revela que, se bem estruturado, o ensino militar pode ajudar muitos jovens a saírem da criminalidade e ingressarem em uma vida de responsabilidades, que poderá gerar um ótimo futuro.

    A dona de casa Telma Costa, que tem uma filha matriculada no Colégio Militar, conta que sempre viu as escolas militares nesse modelo como melhores que as atuais. ''Pelo que podemos observar, as escolas militares são infinitamente melhores. A educação, a disciplina e o investimento são totalmente diferentes das escolas municipais.'', afirma ela.

    Para ela, a única questão prejudicial dentro das escolas são alguns alunos que, por não se identificarem com o tipo de sistema escolar que lhes é oferecido, acabam causando um certo tipo de furdunço e, assim, atrapalhando alunos e funcionários.

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