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    Efeito pandemia


    Alunos falam em 'prejuízo' pela ausência de aulas presenciais na Ufam

    Alunos relatam que tiveram poucas disciplinas disponibilizadas em 2020, algumas eram matérias optativas

    Aulas da Ufam foram prejudicadas na pandemia | Foto: Divulgação

    MANAUS - Após um ano sem aula presencial na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), estudantes dizem estar sofrendo consequências na aprendizagem. As Aulas remotas foram liberadas apenas em setembro de 2020, mas a reitoria deixou a critério dos professores a decisão de  ministrar ou não as aulas pela internet. De acordo com alunos, porém, a retomada a distância esbarra em dificuldades de acesso d às plataformas e até na "falta de experiência dos professores para conduzir aulas remotas".

    Em Manaus e no interior do Amazonas, estudantes disseram ao EM TEMPO que a Ufam teve dificuldades com a pandemia. Segundo eles, poucas disciplinas foram ofertadas durante o ano de 2020, prejudicando o tempo de formação dos seus alunos. Um exemplo disso é o que aconteceu com a aluna do curso de Serviço Social Letícia Carvalho, que iria se formar no ano passado, caso o calendário acadêmico não tivesse sido interrompido. “Normalmente em um semestre fazemos de cinco a sete disciplinas. Ano passado eu fiz apenas duas: Uma obrigatória e uma optativa”, conta ela.

    Mas não foi somente o curso de serviço social que sofreu alterações. No curso de Comunicação Social – Jornalismo, as disciplinas disponibilizadas foram apenas as optativas, geralmente ofertadas durante o curso de férias. “Estavam disponibilizadas duas matérias optativas para a minha turma, mas eu decidi não fazer”, conta a estudante do 3º período de jornalismo Letícia Gama.

    A estudante Alessandra Aranha, também do curso Jornalismo, estava ansiosa pelo retorno das aulas que começaram na última segunda (29). Ela que já faz outro curso em uma universidade privada, diz estar familiarizada com o sistema de aulas remotas, por vídeo.

    “Eu faço uma outra faculdade 100% on-line com uma tutoria muito boa. A experiência que eu tive com as disciplinas de férias via portal da Ufam não foram tão boas, se comparado a plataforma da outra faculdade que eu faço, mas fico feliz pelas aulas terem voltados. Agora é realizar as disciplinas que eu não consegui fazer ano passado. É como se o ano passado começasse agora, porém de forma remota”.

     

    A estudante de jornalismo Alessandra Aranha já está adaptada às aulas remotas
    A estudante de jornalismo Alessandra Aranha já está adaptada às aulas remotas | Foto: Reprodução/Arquivo pessoal

    Segundo a gestora educacional Ludmylla Rondon, o investimento em plataformas tecnológicas é mais comum em universidades privadas do que em públicas. “Nos quesitos de investimento tecnológico e isso muito além das plataformas educacionais, do ponto de vista também de laboratórios e outros ambientes tecnológicos, é possível ver a diferença gritante entre essas duas realidades. A universidade pública de forma geral no Brasil vem sofrendo ao longo dos anos com equipamentos deteriorados, laboratórios simples. O que a pandemia fez foi aflorar esse distanciamento”.

    Realidade no interior

    Em Coari, município distante 363 quilômetros de Manaus, a pandemia afetou a vida acadêmica da mesma forma que na capital. A cidade possui um campus que abriga diversos cursos da área de saúde, área da ciência que mais está sendo necessária durante a pandemia. Apesar da grande necessidade, há relatos de alunos que só tiveram aula em setembro de 2020, como no caso do curso de medicina.

    “Coari já sofre com a falta de corpo docente (professores) há anos. Durante a pandemia, algumas disciplinas continuaram sem professoras e só tivemos uma disciplina a distância, ministrada por um professor de Manaus”, conta o estudante de medicina Jefferson Macedo.

     

    Em julho de 2020, o estudante de medicina Jefferson Macedo fez uma reclamação nas redes sociais sobre a falta de aulas no curso dele em Coari
    Em julho de 2020, o estudante de medicina Jefferson Macedo fez uma reclamação nas redes sociais sobre a falta de aulas no curso dele em Coari | Foto: Reprodução/Facebook

    No curso de enfermagem não foi diferente. A Ufam disponibilizou para aluna Alessandra Carvalho, do  sexto período, apenas uma disciplina. “Teve turma que teve duas, mas a minha turma só teve uma. E foi uma matéria optativa. Foi como um curso de férias, só para não parar”, relata a estudante.

    Procurado pelo EM TEMPO, a Assessoria de Comunicação da Ufam não se pronunciou sobre o depoimento dos alunos e planejamento do calendário acadêmicos até o fim desta edição. O EM TEMPO obteve informações, por meio dos alunos, que a universidade pretende regular os semestres com a aceleração de algumas aulas.


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