Fonte: OpenWeather

    Cunhatã Digital


    Projeto estimula meninas da periferia a serem especialistas em TI

    O principal objetivo do projeto Cunhatã Digital, que foi indicado para uma premiação mundial, é fazer com que mais mulheres escolham a área de TI como profissão

    Cunhatã Digital realizou um workshop na última semana | Foto: Ione Moreno

    Manaus -  O projeto Cunhatã Digital da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) incentiva a participação feminina, principalmente de garotas da periferia, no ramo da ciência e tecnologia. Cerca de 50 meninas do ensino público municipal participaram da última ação do projeto, que realizou na semana passada um Workshop no teatro Manauara, com apoio da Prefeitura de Manaus.

    De acordo com a professora Tanara Laushner, as ações são feitas em escolas públicas, por meio de palestras sobre tecnologia e desenvolvimento da Tecnologia da Informação (TI). O principal objetivo é fazer com que mais mulheres escolham a área de TI como profissão, seja como desenvolvedoras ou programadoras.

    “Queremos que essas meninas foquem nas graduações de engenharia de software, engenharia da computação ou ciência da computação. As ações do Cunhatã Digital explicam quais são as áreas ligadas à tecnologia e o que o profissional de TI faz. Estimulamos a participação das mulheres, daí o nome do projeto. Deixamos claro que a área da computação não é apenas para homens, as mulheres podem e devem participar”.

    O projeto que iniciou em 2015, já formou milhares de meninas no Amazonas que quebraram paradigmas. “Acho interessante a iniciativa, já que esse mundo da tecnologia é visto com um campo meramente masculino. Isso mostra que não existe essa de sexo para determinadas áreas, a mulher pode e deve fazer o que quiser”, relatou a estudante Anamara Vitória, de 18 anos, que participou do Workshop.

    As ações nas escolas ou universidades são feitas a partir de solicitações ao projeto Cunhatã Digital.
    As ações nas escolas ou universidades são feitas a partir de solicitações ao projeto Cunhatã Digital. | Foto: Ione Moreno

    Projeto

    O Cunhatã Digital faz parte da Amazon Advanced School on Software Quality (AASSQ). Os principais apoiadores são a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Ifam, Fucapi e outras instituições educacionais que primam pelo desenvolvimento da tecnologia no Estado.

    O projeto surgiu a partir de um trabalho feito no Instituto de Computação da Ufam (Icomp) com meninas, preparando elas para maratonas de programações. O projeto inicial chamava-se SciTechGirls, mas depois mudou de nome por conta de uma experiência especial.

    “Em 2015, nós fomos ao Congresso da Sociedade brasileira da Computação, em Recife, e vimos que o programa ‘Meninas Digitais’ era aderente com o que a gente já fazia aqui no Amazonas. Então, nós resolvemos fazer um projeto parceiro com a iniciativa pernambucana, mas no Amazonas. Como era aqui, nós resolvemos chamá-lo de Cunhatã Digital, um nome voltado para a questão regional”, relata a professora.

    Como participar do Cunhatã? 

    Tanara Laushner relata que as ações nas escolas ou universidades são feitas a partir de solicitações ao projeto Cunhatã Digital.

    “A gente pretende, na verdade, mais fomento ao projeto para fazermos uma formação com períodos de dois ou três meses em cada escola. Entre os serviços oferecidos está a oficina de programação. O Cunhatã Digital é um serviço gratuito, principalmente, para as meninas de escolas públicas”.

    O projeto amazonense foi indicado ao Prêmio da Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação (CMSI)
    O projeto amazonense foi indicado ao Prêmio da Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação (CMSI) | Foto: Ione Moreno


    O projeto amazonense foi indicado ao Prêmio da Cúpula Mundial para a Sociedade da Informação (CMSI) na categoria 4, denominada Capacity Building. Apesar de não ter ficado entre os quatro selecionados, a professor Tanara diz que a indicação traz um marco ao Cunhatã Digital e um reconhecimento ao trabalho desenvolvido com as garotas amazonenses.

    “Só o fato de nós termos sido indicados, já nos deixou felizes. Nós trabalhamos com meninas de três municípios do Amazonas”.

    Em Manaus, o bairro Cidade de Deus, na zona Norte de Manaus, recebe uma das sedes do Cunhatã Digital. Coari e Itacoatiara também tiveram o privilégio de receber aulas ministradas pela equipe do projeto, com duração de seis meses. Entre os temas abordados estavam: pensamento computacional, programação e terminaram desenvolvimento um projeto para solucionar problemas das comunidades em que vivem.

    Baixa participação de mulheres

    O percentual mundial de mulheres que estão na área de Ciência e Tecnologia tem aumentado significativamente. Ainda assim, o número de mulheres graduadas nesta área é abaixo do recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

    Em 2017, a ONU Mulheres fez o alerta global de que as mulheres estão fora dos principais postos de trabalho gerados pela revolução digital. Elas têm somente 18% dos títulos de graduação em Ciências da Computação e são apenas 25% da força de trabalho da indústria digital.

    Uma pesquisa da Universidade Carnegie Mellon concluiu que metade das mulheres que iniciaram o curso de Ciência da Computação acabava abandonando o curso. Já uma pesquisa de Harvard comprovou que equipes formadas por componentes de todos os sexos são mais inteligentes.

    As empresas passaram a procurar formar equipes com diversidade étnica e racial, isso porque o estudo aponta que elas podem aumentar seus retornos financeiros, pois pensam juntos sob diferentes perspectivas, com mais atenção e são mais inovadoras.

    Leia mais

    IFAM promove evento sobre comunicação este mês em Manaus

    Alunos do Amazonas são premiados em Torneio Nacional de Robótica no RJ

    UEA promove primeiro 'Alavanca Manaus' este mês

    Comentários