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    Ciência


    Óleo de gengibre amargo é capaz de reduzir a pressão arterial

    Pesquisa da Ufam comprovou o efeito anti-hipertensivo durante o experimento feito com roedores

    Segundo pesquisador, a principal importância do estudo está em realizar o tratamento da hipertensão com medicamentos novos | Foto: Érico Xavier/Fapeam

    Manaus - Um estudo desenvolvido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) identificou que uma substância isolada do óleo essencial do gengibre amargo, planta de origem asiática, mas adaptada à região Norte, tem efeito anti-hipertensivo, ou seja, é capaz de reduzir a pressão arterial. O estudo foi testado em animais em laboratório que possuíam pressão arterial.

    O projeto começou ainda em 2015 e foi desenvolvido no Laboratório de Farmacologia Experimental do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Ufam, segundo o coordenador do projeto, José Wilson Corrêa, o óleo essencial obtido dos rizomas (raízes) do gengibre amargo apresentaram efeito anti-hipertensivo e passaram a ser testados em animais experimentais, ratos de laboratório.

    “Identificamos que o óleo essencial do gengibre amargo e o componente isolado dele apresentavam um efeito vaso dilatador, ou seja, reduzia a pressão arterial. Daí fizemos um lote experimental em animais, onde foi possível identificar que essa substância conseguia reduzir a pressão dos ratos que já haviam sido incluídos no processo de hipertensão, ou seja, os ratos ficam hipertensos e com o uso da substância a pressão voltada ao seu nível normal”, ressaltou José.

    O coordenador ressaltou ainda que a substancia não modificou a pressão arterial de ratos normotensos (pressão arterial normal).

    O estudo recebe apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). E em 2017 o estudo recebeu da Pró-Reitoria de Pós-Graduação em Pesquisa (Propesp) o prêmio de melhor dissertação da Ufam desenvolvida no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Imunologia Básica e Aplicada (PPGIBA).

    Importância

    O coordenador destacou que o estudo pode desenvolver um novo medicamento com eficácia natural para pacientes hipertensos
    O coordenador destacou que o estudo pode desenvolver um novo medicamento com eficácia natural para pacientes hipertensos | Foto: Érico Xavier/Fapeam

    Segundo José, a principal importância do estudo está em realizar o tratamento da hipertensão com medicamentos novos e que podem apresentar eficácias ainda melhores para os pacientes que possuam a patologia.

    “A hipertensão é uma das doenças que mais faz vítimas no mundo. E nós temos uma substância capaz de reduzir a pressão. É possível tratar com mais eficácia essa patologia, especialmente porque existe casos de pacientes que fazem tratamento com os medicamentos que já estão disponíveis e não conseguem uma eficácia terapêutica satisfatória”, explicou o coordenador.

    Prof. Dr. Carlos Cleomir de Souza Pinheiro – pesquisador do Inpa
    Prof. Dr. Carlos Cleomir de Souza Pinheiro – pesquisador do Inpa | Foto: Érico Xavier/Fapeam

    O coordenador destacou que o maior desejo dos pesquisadores que desenvolvem o estudo é fazer com que a substância possa ser um medicamento no futuro, mas também ressalta que a pesquisa está na fase inicial e é importante que os testes iniciais sejam analisados.

    “Atualmente está sendo feito a ciência básica, ou seja, é a fase em que investigamos os mecanismos e os efeitos básicos desse medicamento. E para ele ser lançado no mercado é necessário passar por vários estudos, como a fase pré-clínica, que é quando fazermos estudos in vitro ou em animais de laboratório e só depois de todos os testes serem realizados é que o medicamento anti-hipertensivo pode ser um medicamento farmacêutico”, explicou.

    O estudo ainda irá testar a substâncias em outras espécies para que os testes possam investigar as reações em cada indivíduo. De acordo com o coordenador, os testes são feitos inicialmente em roedores e apesar de serem indivíduos diferentes, os testes abordam áreas semelhantes ao dos seres humanos.

    Metodologia

    Os resultados promissores do experimento podem vir a favorecer, futuramente, a utilização dessa substância por pacientes que sofram de doença cardiovascular
    Os resultados promissores do experimento podem vir a favorecer, futuramente, a utilização dessa substância por pacientes que sofram de doença cardiovascular | Foto: Érico Xavier/Fapeam

    Para avaliar a atividade biológica, in vivo, ratos Wistar machos foram divididos em dois grandes grupos: hipertensos e controle (pressão normal). O grupo hipertenso foi submetido a um procedimento cirúrgico para indução da hipertensão arterial e o grupo controle passou por procedimento semelhante, exceto uma etapa e, portanto, não desenvolveu a hipertensão.  Os animais hipertensos e controle foram subdivididos em outros dois grupos, totalizando quatro grupos experimentais.

    Conjuntamente, os subgrupos de animais hipertensos foram tratados durante 21 dias, por via oral, com óleo essencial do gengibre amargo ou veículo (solução utilizada para diluir o óleo). Ratos do grupo controle (normotensos) não apresentaram alteração em sua pressão arterial, seja com o tratamento com veículo ou com o óleo essencial. Entretanto, ratos do grupo hipertenso que receberam apenas o veículo se mantiveram com pressão elevada, acima de 200mmHg, já os ratos hipertensos que receberam o tratamento com o óleo essencial tiveram sua pressão reduzida ao nível dos ratos com pressão arterial normal (normotensos).

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