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    Coronavírus


    Estudo da Ufam cataloga medicamentos livres de patente contra Covid-19

    Pesquisadores estão em busca de fármacos que já caíram em 'domínio público' e podem ser estudados contra o coronavírus sem grandes restrições

    Trabalho é realizado por grupo de pesquisa da Universidade Federal do Amazonas, com apoio do Governo do Estado, por meio da Sedecti
    Trabalho é realizado por grupo de pesquisa da Universidade Federal do Amazonas, com apoio do Governo do Estado, por meio da Sedecti | Foto: Divulgação/Ufam

    Manaus - Imagine poder acelerar o processo de criação de um remédio para o novo coronavírus? A possibilidade não é tão distante. É o que pretendem pesquisadores de um novo estudo que vem sendo realizado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A pesquisa pretende apontar quais medicamentos estão livres de patentes, ou seja, que já caíram em 'domínio público'. O objetivo é que após essa catalogação, cientistas do mundo inteiro possuam uma lista com fármacos que podem ser explorados contra a Covid-19, sem restrição de direitos autorais.

    O estudo ainda está em andamento, mas resultados preliminares já apontam para pelo menos 1.329 patentes em domínio público que podem ser usadas por cientistas. Parte desses registros são de fármacos que tratam outras doenças da família coronavírus. 

    Para encontrar remédios em domínio público, os pesquisadores utilizaram a ferramenta Questel Orbit, um buscador de registros em repositórios. A plataforma acessa dados públicos de governos em todo o mundo para encontrar remédios já livres para exploração.

    Captura de tela do sistema Orbit
    Captura de tela do sistema Orbit | Foto: Divulgação

    Os autores também classificaram as patentes em diferentes categorias, já que parte desses registros são de fármacos, enquanto outros são de equipamentos médicos e até de testes medicinais.

    Nova fase do estudo

    Para a atual fase, os pesquisadores da Ufam irão verificar a confiabilidade do medicamento. Isso porque como alguns são antigos, podem já ter sido superados ou serem pouco confiáveis. Para isso, eles irão convidar cientistas para fazer a análise dos medicamentos encontrados.

    Celia Barbalho é coordenadora do grupo de pesquisa Gestão da Informação e do Conhecimento na Amazônia (Gica), a sigla responsável pelo estudo que cataloga as patentes livres. Ela explica a fase atual do projeto, em que mais cientistas entram para fazer uma análise completa do que foi encontrado e registrado. 

    "Depois de catalogar as patentes, agora estamos reunindo pesquisadores brasileiros que possam olhar esses registros e dizer 'essas tecnologias são passíveis de investigação mais profunda contra a Covid-19'. Essa é uma técnica de pesquisa onde você leva outros especialistas para que eles apontem aquilo que é relevante no que identificamos", afirma a coordenadora do grupo.

    Celia aparece ao fundo, próxima à TV
    Celia aparece ao fundo, próxima à TV | Foto: Divulgação

    Ajuda no combate à Covid-19

    Celia diz estar animada com o futuro do projeto, em especial porque o próximo passo irá permitir a participação de mais pesquisadores. Um possível resultado positivo, segundo ela, pode ajudar muito durante e após a pandemia.

    "Esse projeto vai em busca de encontrar quais inventos estão disponíveis para o uso na família coronavírus. Esses patógenos já existem e geram doenças que já possuímos tecnologias contra. O que nós não sabemos é se essa medicação ou tratamento existente também serve para a Covid-19, que é uma nova doença originada por um vírus dessa família", explica a especialista.

    Medicamentos podem ser usados por cientistas para pesquisar cura da Covid-19
    Medicamentos podem ser usados por cientistas para pesquisar cura da Covid-19 | Foto: Divulgação

    Ela garante que procurar uma resposta em invenções já existentes é uma boa forma de acelerar o processo de busca por uma cura ou tratamento. Segundo Celia, isso significa um avanço nas pesquisas.

    Apoio do governo estadual

    O estudo tem ainda apoio técnico do Governo do Estado por meio da Secretaria Executiva de Ciência Tecnologia e Inovação (Secti). Quem explica é Leonardo Silva, chefe do Departamento de Extensão Tecnológica e Inovação, da pasta.

    "A Secti ajuda a tornar público e possível à execução do projeto por meio de uma cooperação técnica e apoio institucional com o Gica.", afirma Silva.

    Segundo ele, a Secretaria age fazendo a ligação entre o GICA/UFAM e as instituições e outras secretarias e órgãos do governo no Amazonas. Leonardo afirma que por meio do elo, que é a secretaria, pesquisadores e outros interessados poderão conhecer e ter acesso aos resultados gerados pelo estudo que é a catalogação de fármacos que estão livres no mercado. 

    Ele explica que até chegar na aplicação em humanos, os medicamentos passam por procedimentos com longos trâmites, desde testar os compostos em laboratório até disponibilizar para uso.

    "Então a ideia é ajudar tornando público os resultados desse projeto. E fazer com que pesquisadores possam ter acesso a informações de medicamentos e seus princípios ativos que poderão ser explorados em pesquisas científicas aplicadas no combate do novo coronavírus. Além disso, se valer de fármacos com patentes livres, que já caíram em domínio público, o que pode encurtar o tempo da pesquisa até a aplicação", afirma ele.

    Uso de remédio com registro livre

    Patente é o direito de uma pessoa ou empresa de explorar um medicamento. Para isso, basta que, depois de sua criação, o fármaco seja registrado no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi). A partir desse momento, o autor do pedido tem o direito de explorar o composto por 20 anos.

    De volta, Celia Barbalho ressalta que o uso de remédios em domínio público não são novidade no meio científico. Segundo ela, o diferencial está em usar esse método durante a pandemia do novo coronavírus.

    "Estudos com patentes vencidas, ou domínio público, são bastante comuns. Chamamos de estudos de prospecção tecnológica. Ou seja, a gente tanto pode usar isso com a patente não vencida para saber qual caminho essa tecnologia está seguindo, como podemos usar as patentes vencidas diretamente", afirma a coordenadora do grupo.

    Ela ressalta que identificar os fármacos disponíveis são um passo à frente para avançar nas etapas de combate à Covid-19.

    Quem também explica que é comum o uso de compostos em domínio público é Fernanda Simplício, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Ufam. A pesquisadora, embora não envolvida com o estudo, ressalta que a catalogação de patentes livres é uma boa estratégia no combate ao coronavírus.

    "A investigação do efeito de fármacos com patente livre para possível tratamento e/ou cura da Covid-19 é uma estratégia inteligente e necessária, pois, uma vez os efeitos positivos sendo comprovados, fica mais fácil produzir medicamentos a baixo custo, acessíveis à maior parte da população, já que indústrias farmacêuticas de diversos países poderão ter acesso à tecnologia sem maiores investimentos ou burocracia", afirma ela.

    Segundo Fernanda, a patente de medicamentos é um tema controverso e com muitas nuances, fortemente ligado a questões econômicas. Contudo, em um estado de pandemia, em que toda a humanidade está correndo riscos, certamente não deve ser o foco principal. "É o momento de pensarmos como espécie", ressalta a especialista.

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