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    Pesquisa


    Sem recursos e pessoal, Inpa pode fechar as portas

    A maior referência de pesquisas da Amazônia, o instituto sofre com cortes no seu orçamento e a falta de concursos humanos há seis anos, sem nenhuma previsão de recomposição

    Pelo menos a metade dos seus 158 pesquisadores do Inpa terá direito de pedir a aposentadoria até o fim deste ano
    Pelo menos a metade dos seus 158 pesquisadores do Inpa terá direito de pedir a aposentadoria até o fim deste ano | Foto: Arquivo/emtempo

    Manaus -Com significativos cortes no orçamento que somam quase 40%, no ano passado, e nenhum concurso público para reposição de vagas, desde 2012, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), já enfrenta uma das piores crises da sua existência. Levantamento da Folha de São Paulo mostra que o instituto corre risco de se tornar inoperante, dado o grande volume de aposentadorias.

    Pelo menos a metade dos seus 158 pesquisadores terá direito de pedir a aposentadoria até o fim deste ano, segundo a Folha. Quando chegar 2020, o Inpa terá 243 dos seus 561 servidores no quadro de inativos, o que equivale cerca de 47% do total de funcionários. Esse quadro, para os pesquisadores do instituto que foi criado em 1952 e hoje é mantido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC) é ainda mais grade do que a redução do orçamento que caiu de R$ 42 milhões para R$ 25,5 milhões, em 2017.

    À Folha, o diretor do instituto, Luiz Renato França, disse que, sem pesquisadores não faz sentido a existência do Inpa. “Em um instituto de pesquisa, o centro são os pesquisadores. Se não tem pesquisadores, não tem sentido ele existir”, disse Luiz que está no posto de diretor desde julho de 2014.

    Maior referência em pesquisa

    A maior referência das pesquisas sobre a Amazônia, o Inpa estuda desde os impactos das derrubas de florestas no regime de chuvas até doenças tropicais, além de preservar um dos maiores acervos de fauna e flora do bioma. Ele conta ainda, atualmente com 600 alunos de pós-graduação e 65 grupos de pesquisa.

    Conforme a Folha, o Inpa atua com déficit de servidores, principalmente pesquisadores, desde 2006, quando o quadro de funcionários caiu 27%. O instituto que contava com 769 servidores, passou a contar com 561 desde aquele ano.

    Dos mais renomados pesquisadores do instituto, o ecólogo americano Philip Fearnside afirma que o “quadro já encolheu 40% desde o auge”. O pesquisador que atua há quatro décadas no Inpa é ganhador do Nobel da Paz em 2007, ao lado dos outros cientistas do IPCC, o Painel do Clima da Organização das Nações Unidas (ONU), pelos alertas sobre o aquecimento global.

    “É triste que grande parte das vagas surgidas no ministério [MCTIC], nos últimos anos, vem sendo alocadas à burocracia, em Brasília. Todos os institutos federais de pesquisa, Inpa inclusive, vão desaparecer se não houver mudanças”, salientou o premiado Philip Fearnside.

    Laboratório de insetos

    Com as portas fechadas desde o final de 2016, após a aposentadoria do pesquisador Eloy Castellón, o Laboratório de Insetos Sinantrópicos é dos reflexos da falta de renovação de pessoal e de recursos e de recursos. O laboratório era o responsável pelos estudos acerca da leishmaniose.

    Núcleo de Pesquisas rurais e urbanas

    Apesar de a carência do capital pessoal ser a maior preocupação, a falta de recursos já impacta negativamente no Núcleo de Estudos de Pesquisas Rurais e Urbanas (Narua), por exemplo. Com a falta de dinheiro, cada um dos cinco pesquisadores do Narua terá apenas R$ 400 para o projeto que leva sementes e mudas de Manaus para produtores rurais do interior do maior Estado do país, com regiões acessíveis por meio de custosas viagens de barco.

    “Com esse dinheiro, compro duas passagens de ônibus de ida e volta para Itacoatiara (a 270 quilômetros de Manaus) e pago duas diárias. No resto do ano ninguém faz mais nada”, denuncia o pesquisador no Narua Danilo Fernandes.

    Procurado pela Folha, o MCTIC informou ter solicitado, no ano passado, a realização de novos concursos ao Ministério do Planejamento, mas o mesmo não sinalizou previsão para que pelo menos um seja realizado. Sobre as verbas adicionais o MCTIC disse ter feito a solicitação à equipe econômica, em março, mas não obteve respostas.

    Edição Web: Gláucia Chair

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