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    Instituto Mamirauá


    Sem manejo de caça, macaco gariba pode ser extinto, aponta Instituto

    Pesquisadores avaliaram que há regiões nas reservas do Mamirauá e Amanã onde o abate da espécie é sustentável, mas em outras ultrapassa o limite suportável

    O macaco que assusta inexperientes na floresta é dono de uma das “vozes” mais poderosas da floresta amazônica | Foto: Reprodução

    Manaus - Donos de “vozes” poderosas (que botam medo nos desavisados) e vistosas pelagens vermelhas, os macacos guariba estão entre as espécies favoritas na dieta de populações tradicionais na Amazônia. A carne dos primatas é fonte de proteína e promove a subsistência em áreas de floresta distantes dos centros urbanos.

    Para a conservação da espécie e a garantia do recurso alimentar às famílias locais, um estudo do Instituto Mamirauá aponta a necessidade a de estratégias de manejo de caça para evitar o risco de ameaça de extinção de algumas regiões.

    Os pesquisadores analisaram a pressão da caça de subsistência sobre os guaribas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDSM) e Amanã (RDSA), unidades de conservação vizinhas no Estado do Amazonas. Foram monitorados três ambientes que compõem as reservas: as florestas alagáveis ou de várzea, terra firme e terra firme associada à várzea.

    “Calculamos a abundância da espécie em cada ambiente e caracterizamos a caça de guaribas determinando a sazonalidade do abate e a seletividade sexo-etária dos indivíduos”, explicam Anamélia de Souza Jesus, Hani El Bizri e João Valsecchi, pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Ecologia de Vertebrados Terrestres (GP ECOVERT), do Instituto Mamirauá. Também associados a Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA) e a Manchester Metropolitan University.

    O trabalho traz informações obtidas a partir do Sistema de Monitoramento de Uso da Fauna, implementado há mais de quinze anos na região pelo Instituto Mamirauá.

    O sistema consiste na coleta contínua de informações sobre eventos de caça e de material biológico em comunidades rurais nas reservas.

    Com base nos dados do monitoramento de fauna e em cálculos de densidade populacional, capacidade de suporte de cada área e taxas de reprodução dos guaribas a equipe traçou um panorama local da caça da espécie.

    Entre os resultados, os números da pesquisa apontam que a caça é direcionada para os adultos da espécie, em uma proporção de cerca de dois machos para cada fêmea abatida.

    A densidade, ou seja, a quantidade de macacos guariba por quilômetro quadrado, é quase 20 vezes maior nas florestas de várzea da Reserva Mamirauá em comparação às áreas de terra firme de Amanã.

    Para avaliar se a caça de guaribas para subsistência tem baixo impacto nas populações da espécie na região, os especialistas calcularam a taxa de extração máxima sustentável, que corresponde a 20% do total da produção de macacos, em cada ambiente estudado.

    Essa taxa indica o limite de indivíduos da espécie que podem ser caçados sem que haja uma diminuição local da população. A extração máxima sustentável foi então comparada com a taxa de caça que acontece anualmente nas matas de Mamirauá e Amanã.

    Os cálculos da pesquisa indicam que a caça nos ambientes de várzea e terra firme associada à várzea provavelmente é sustentável, onde a abundância da espécie é maior. Nas áreas de terra firme, porém, os números de macacos guaribas caçados ultrapassam o limite sustentável estimado pelo modelo.

    Macaco Guariba
    Macaco Guariba | Foto: Reprodução

    Manejo recomendável

    De acordo com a equipe do Instituto Mamirauá, o direcionamento da caça para machos adultos é positivo em relação às ações de manejo e conservação das espécies região da Amazônia.

    No entanto, a taxa para a caça de guaribas em níveis sustentáveis é diferente para terra firme, várzea e a terra firme associada à várzea, o que, segundo os pesquisadores, indica “a necessidade de estratégias de manejo de caça voltadas para a realidade de cada ambiente e de cada comunidade, e que a caça da espécie no ambiente de terra-firme da Reserva Amanã deve ser manejada”.

    Dentre as ações de manejo da caça e de conservação dos macacos guariba, os especialistas recomendam “estabelecer cotas de abate anuais; evitar o abate de animais nos períodos de cheia (quando os animais ficam mais vulneráveis ao abate); evitar o abate de fêmeas prenhes ou com infantes (filhotes de guariba); respeitar os períodos reprodutivos da espécie e as demais normas estabelecidas nos Planos de Gestão de cada reserva”.

    Simpósio

    O estudo, chamado “Sustentabilidade da caça de guaribas nas Reservas de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá e Amanã, Amazonas, Brasil”, será apresentado em evento especializado do Instituto Mamirauá, que ocorrerá nos próximos dias 3 a 6 de julho.

    O Simpósio sobre Conservação e Manejo Participativo na Amazônia (Simcon) chega à 15ª edição no município de Tefé, Amazonas, com apresentações e oficinas que focam em iniciativas de pesquisa e extensão para a conservação do meio ambiente e desenvolvimento sustentável da região.

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