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    Incêndios no Amazonas


    Amazonas em chamas: Região Metropolitana de Manaus arde com queimadas

    Nas últimas semanas, as cidades de Manaus e Iranduba têm amanhecido encobertas de fumaça causada por inúmeros focos de incêndios às margens da rodovia Manuel Urbano e na passagem do gasoduto

    | Foto: Márcio Melo

    “O índio chorou, o branco chorou. Todo mundo está chorando. A Amazônia está queimando. Ai, ai, que dor. Ai, ai, que horror”. O trecho da “Lamento de Raça”, toada do boi-bumbá Garantido, lançada em 1996 pelo compositor Emerson Maia, mesmo depois de mais de 20 anos, segue retratando a triste realidade do descontrole das queimadas nas florestas do Amazonas, principalmente durante a chegada do verão. A suspeita das autoridades é de que a maioria dos focos contra o meio ambiente sejam criminosos.

    | Foto: MARCIO MELO

    Para se ter uma ideia, recentemente, a Região Metropolitana de Manaus (RMM) tem sido comparada a uma grande carvoaria, pelo fato de amanhecer quase totalmente encoberta por fumaça oriunda das frequentes queimadas das matas das proximidades da área urbana. “Aqui na região da ponta negra, o cheiro é forte logo cedo. Ao olhar para a região do aeroporto, o que pensamos ser neblina, na verdade deve ser essa fumaça que vejo subir todos os dias do outro lado do rio, lá pelas bandas do Iranduba”, relatou a funcionária pública Juliana Cruz, 32.

    Na última quarta-feira (10), quando a reportagem atravessou a ponte Phelippe Daou, que liga Manaus a Manacapuru, foi registrado um intenso foco de incêndio em uma área de vegetação nas proximidades do Distrito de Cacau Pirêra e outros na passagem dos dutos de gás natural Coari/Manaus, que atravessa o município de Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus). Naquele momento, o que era verde se tornava cinza.

    | Foto: MARCIO MELO

    Para controlar o foco de maior intensidade das chamas na região, o Corpo de Bombeiros foi acionado com urgência. De acordo com a corporação, em um dos focos de incêndio, na margem direita da rodovia Manoel Urbano, no sentido Manaus, os combatentes precisaram usar, aproximadamente, 25 mil litros de água.

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    “Fomos acionados por volta das 14h30. Para a nossa surpresa, as chamas estavam bem altas, e por isso precisamos do apoio de outras viaturas com água. Sobre as causas, é possível que estes incêndios sejam criminosos, pois, embora estejamos em uma época de calor, é necessário que se inicie uma combustão para o tamanho desses focos”, explicou o sargento Motta.

    | Foto: Márcio Melo

    Por volta das 17h daquele dia, os bombeiros ainda atuavam no município. Próximo dali, na rua Beira Rio, por trás da Escola Estadual Senador João Bosco Ramos de Lima, um outro foco queimava parte da vegetação a menos de 5 metros de casas de madeira. “Por pouco a minha casa não foi atingida, pois, além do calor, ventava muito”, disse uma moradora que preferiu não ter o nome divulgado.

    Motoristas que precisam trafegar pela rodovial estadual Manuel Urbano também se sentiram prejudicados com o grande volume de fumaça espalhado pela região. “A pista fica parcialmente encoberta, e ficamos com a visibilidade comprometida quando vai caindo a noite, precisando assim redobrar a atenção”, alertou o motorista Rogério Costa, 35.

    Outra situação que modifica a vida de alguns moradores do entorno é a questão da saúde. Garganta irritada, olhos ardidos e a sensação de falta de ar são alguns dos sintomas apresentados por quem mora nessas localidades, principalmente crianças e idosos. “Eu preciso beber muita água e tomar banho. É uma coceira na garganta que não acaba mais. Parece que você procura ar e não encontra para respirar”, disse a doméstica Raimunda Garcia, 53.

    Queimadas no Amazonas
    Queimadas no Amazonas | Foto: MARCIO MELO

    Cuidados

    Para aliviar os sintomas sentidos por crianças, adultos e idosos, a médica do Grupo Hapvida dra. Eline explicou que alguns cuidados são necessários. “Em tempos de seca e queimadas, o ar fica muito poluído e isso agrava o sistema respiratório, principalmente, os pacientes que já possuem algum tipo de doença como bronquite, asma, rinite e sinusite alérgica. Os cuidados básicos são, principalmente, manter o corpo hidratado, consumindo bastante água. Outra opção é manter o ambiente umidificado, seja com um umidificador de ar ou até mesmo manter uma toalha molhada no ambiente”, disse.

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